Neste domingo, 1º de novembro, cerca de 60 mil corredores tomarão as ruas de Nova York para uma das maratonas mais famosas do mundo. Entre eles, 200 atletas da Achilles International, ONG que promove a inclusão de pessoas com deficiência no esporte. O evento atrai às ruas aproximadamente 2 milhões de torcedores, faça frio ou faça calor. Em meio aos atletas, alguns chamam a atenção.
Achilles: apoio e inclusão no esporte
Fundada em 1983, a Achilles já proporcionou apoio, treinamento e suporte psicológico a 150 mil pessoas em todo o mundo. Neste domingo, a ONG levará cerca de 250 voluntários para assessorar 200 atletas. Com suas camisetas amarelo-limão, cadeirantes, pessoas com deficiência visual ou auditiva e usuários de próteses enfrentarão os 42,195 quilômetros da prova, acompanhados por 250 voluntários.
Os cadeirantes, sejam os de handcycle ou os que usam cadeiras de rodas adaptadas, são acompanhados por guias em bicicletas. É a primeira categoria a largar — às oito da manhã, meia hora antes dos corredores de elite. Os corredores com deficiência visual percorrem o trajeto junto aos demais maratonistas, acompanhados por dois guias. Já as pessoas com deficiência auditiva e os usuários de próteses contam com o apoio de um guia durante a prova.
Origens da Achilles e seu fundador
Foi o que motivou Richard “Dick” Traum a fundar a Achilles, em 1983. Sete anos antes, ele se tornou a primeira pessoa amputada a completar uma maratona usando uma prótese — a de Nova York, em sete horas e 24 minutos. Empreendedor diplomado com MBA e PhD em psicologia industrial pela New York University, Traum perdeu a perna direita aos 24 anos em um acidente de carro. Desde 1976, ele participou de mais de 70 maratonas — inicialmente usando sua prótese e, mais tarde, com uma handcycle.
Em 1993, correu de muletas ao lado do presidente Bill Clinton, em Washington. Completou sua última maratona de Nova York em 2023, aos 82 anos, um ano antes de morrer. A trajetória de Traum inspirou a criação de uma rede global de apoio a atletas com deficiência.
Achilles Brasil: uma grande família
No Brasil, a organização reúne cerca de 600 integrantes, sob a coordenação de Edson Santi, que teve poliomielite na infância e descobriu o handcycle aos 50 anos. A Achilles Brasil tem hoje cerca de 600 membros ativos, com crescimento orgânico e sem custo para se associar. Cerca de 80% dos atendidos são de baixa renda e 100% dos guias e do conselho são voluntários.
Para ele, a Achilles vai além das corridas. “Virou uma grande família”, diz ao NeoFeed. E resume sua filosofia: “Trata-se de encontrar uma nova forma de viver”. Os laços entre os integrantes da Achilles vão além das competições. Nos intervalos entre as corridas, o grupo organiza passeios a museus e eventos culturais. “A Achilles Brasil virou uma grande família”, diz.
Histórias de superação na maratona
Um deles é Fábio Faborges, de 46 anos, de Araçoiaba da Serra, no interior de São Paulo. Ele vai correr na categoria handcycle — bicicleta de três rodas movida por força braçal. Faborges não é novato: em 2017 ele ficou em terceiro lugar, ao completar a prova em 1 hora e 29 minutos.
Nascido em 1960, Edson Santi contraiu poliomielite na infância, passou por diversas cirurgias, e optou por usar muletas — apesar de morar em um apartamento de quatro andares, sem elevador. “Meu torso atlético vem daí”, diz ao NeoFeed. Desde então, Edson já participou das maratonas de Nova York, Berlim, São Paulo e Rio de Janeiro, além da Maratona do Corpo de Fuzileiros Navais, em Washington, e de uma edição virtual realizada durante a pandemia.
Logística e apoio aos atletas
Para os participantes de fora de Nova York, a Achilles oferece tarifas especiais em hotel, transporte até a largada e de volta à hospedagem, além de apoio logístico, alimentação e assistência médica. Tudo de graça, exceto a hospedagem. Essa estrutura permite que atletas de diferentes países possam competir com segurança e conforto.
Nesta prova, Edson conheceu Mário Mello, o então responsável pela seção brasileira do Achilles. Não demorou para Edson se envolver, ajudando a organização a montar uma diretoria, e a registrar, em 2018, um CNPJ para a entidade. A partir daí, a Achilles Brasil consolidou sua atuação e ampliou o alcance social.
