A Chilli Beans, maior rede de óculos escuros da América Latina, protocolou um pedido de recuperação extrajudicial para lidar com uma dívida de R$ 340 milhões. A companhia, fundada em 1997 por Caito Maia, formalizou o documento nesta sexta-feira, 30 de outubro, na tentativa de sanar o passivo. O movimento ocorre após meses de turbulência financeira e negociações com credores.
Plano prevê aporte de R$ 50 milhões
O acordo anunciado foi alinhado com os principais credores da companhia. O plano prevê um aporte de R$ 50 milhões para fortalecer o caixa da empresa. Itaú, Akron e Vega atuam como financiadores âncoras e estão coordenando o processo para a entrada dos novos recursos à companhia. A injeção de capital é vista como essencial para manter as operações enquanto a reestruturação avança.
A recuperação extrajudicial permite que a empresa negocie diretamente com credores sem a intervenção total do Judiciário. Nesse modelo, o plano precisa ser aprovado por uma maioria qualificada e depois homologado em juízo. A Chilli Beans não detalhou o cronograma de pagamento ou as condições para os credores que aderirem ao acordo.
Crise se agravou com vencimento antecipado
A situação se agravou após a Vert Securitizadora declarar o vencimento antecipado de uma debênture de R$ 89 milhões. A Chilli Beans não cumpriu acordos anteriores, incluindo pagamentos atrasados de cerca de R$ 1 milhão. A empresa não pagou parcelas de uma debênture emitida em fevereiro de 2025, totalizando R$ 16,5 milhões. A rede de óculos emitiu a debênture em fevereiro de 2025, para amenizar a crise que já vinha se arrastando desde então.
Só que a dona da Chilli Beans não realizou pagamentos das parcelas de julho e agosto, que somavam R$ 16,5 milhões. Caito Maia é o avalista da transação. No dia 10 de agosto, os debenturistas decidiram, em assembleia, prorrogar as parcelas para o dia 25 de setembro. Só que os valores não foram quitados.
A determinação pelo vencimento antecipado, no fato relevante, foi assinada pelo diretor de securitização da Vert, Luiz Renan Toffanin da Silva. O prazo da emissão iria até janeiro de 2029. A Vert também decidiu, em julho, liberar 60% dos recebíveis de cartões onerados para a companhia, no valor de R$ 2,3 milhões, e ainda reduziu o mínimo de cartões, de 5% para 2,5% do saldo devedor. O problema do vencimento antecipado ocorreu um dia antes da chegada de Togna à companhia.
Empresa adota medidas de confidencialidade
Depois que a crise financeira veio à tona, a Chilli Beans iniciou uma espécie de “caça às bruxas” na própria companhia, para cobrar dos funcionários que não revelassem nenhuma informação financeira. No próprio anúncio da chegada do vice-presidente, Caito Maia cobrou os colaboradores. A empresa passou a exigir a assinatura de um documento de confidencialidade, sob risco de demissão e multa.
A medida, segundo relatos, gerou desconforto interno, mas a direção justificou a necessidade de proteger informações estratégicas durante a renegociação. A companhia não comentou oficialmente sobre as sanções previstas no documento. A fonte não detalhou o valor da multa ou o alcance das restrições impostas aos funcionários.
Rede tem 900 franquias em 14 países
Apesar da crise, a Chilli Beans mantém uma operação relevante: são 900 franquias distribuídas em 14 países. A marca, conhecida pelos óculos de sol e acessórios, construiu uma forte presença no varejo brasileiro e no exterior. O pedido de recuperação extrajudicial busca preservar essa estrutura e evitar o fechamento de lojas.
O processo ainda precisa ser analisado pela Justiça. Se homologado, o plano passará a valer para todos os credores da classe abrangida, mesmo aqueles que não concordaram. A Chilli Beans não informou se pretende incluir dívidas trabalhistas ou tributárias no acordo.
A recuperação extrajudicial é um instrumento previsto na Lei 11.101/2005 e tem sido usado por empresas em dificuldade para renegociar passivos de forma mais rápida. No caso da Chilli Beans, o foco está na dívida de R$ 340 milhões e no aporte de R$ 50 milhões para dar fôlego ao caixa.
