IA é novo motor da economia global, diz economista
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O economista francês Alexandre Drabowicz, Chief Investment Officer (CIO) do Indosuez Wealth Management — braço global de private banking do grupo Crédit Agricole, terceiro maior banco do mundo, com sede em Paris e presença em quatro continentes —, afirma que a inteligência artificial (IA) se tornou o verdadeiro motor da economia global, superando a influência de fatores tradicionais como petróleo e juros. Em entrevista ao NeoFeed, ele detalha sua visão sobre o cenário econômico atual e as oportunidades de investimento.

“A IA é a tecnologia mais transformadora do nosso tempo e impulsionará a produtividade”, afirma Drabowicz. Segundo ele, a economia mundial permanece resiliente ao choque do petróleo, vivendo um cenário “não muito quente, não muito frio”, conforme análise recente do Indosuez aos clientes. Ele lembra que o mercado começou o ano temendo uma desaceleração econômica, mas os dados recentes mostram força.

Resiliência econômica em meio a choques

Drabowicz destaca que os principais riscos globais — geopolítica, inflação e política monetária — estão intrinsecamente ligados. No entanto, ele vê a crise no Oriente Médio com tendência a refluir por duas razões. “Não vejo interesse dos EUA ou do Irã em escalar o conflito”, assegura.

Além disso, ele afirma que 80% do fluxo de petróleo, que estava bloqueado no Estreito de Ormuz, já está normalizado, com forte redirecionamento para rotas alternativas — oleodutos da Arábia Saudita para o Mar Vermelho, e dos Emirados para Omã e Fujairah. “Há investimentos massivos para ampliar essa capacidade”, observa. “Isso deve reduzir a dependência do Estreito e ajudar na normalização dos preços do petróleo”, acrescenta, prevendo como consequência alívio na escalada de inflação e de juros na economia global.

Consumidor americano: confiança baixa, gastos altos

O executivo também comenta o comportamento do consumidor nos Estados Unidos, um dos pilares da demanda global. “Se você pergunta ao consumidor americano como se sente, os índices de confiança estão muito baixos; mas, ao mesmo tempo, ele continua gastando bastante”, diz. Essa dicotomia, segundo ele, reflete a complexidade do momento econômico.

A resiliência do consumo, mesmo com sentimento negativo, sugere que a atividade econômica pode se manter aquecida, o que influencia as decisões de política monetária do Federal Reserve. Drabowicz não detalha projeções para juros, mas indica que a normalização do petróleo pode aliviar pressões inflacionárias.

Índia e América Latina como diversificadores

Drabowicz vê a Índia como candidata natural ao protagonismo desse clube de economias emergentes, mas cita dois fatores que impedem uma recomendação imediata: a desvalorização da moeda, que corrói retornos, e valorações ainda elevadas. Ele também destaca os países da América Latina.

“A região começa a ganhar relevância como diversificadora — com commodities, energia e reformas”, diz. “Neste aspecto, Brasil, Peru, Chile, Argentina e Guiana têm papéis importantes, seja por meio da produção de petróleo, seja por minerais críticos.” Esses países, segundo o CIO, oferecem exposição a recursos essenciais para a transição energética e a infraestrutura tecnológica.

IA como resposta a desafios estruturais

O economista aponta também entraves no mercado de trabalho: desaceleração populacional, migração rural urbana e dificuldade de absorver jovens qualificados. “A aposta em IA é uma forma de tentar resolver isso, mas levará tempo”, afirma. A tecnologia, portanto, não é apenas um motor de crescimento, mas uma ferramenta para mitigar gargalos demográficos e de produtividade.

Para os investidores, Drabowicz recomenda uma abordagem complementar. “Complementarmente, a exposição a commodities — especialmente cobre e terras raras, vitais para a infraestrutura de IA e defesa — é indispensável para a estratégia de investimentos nos próximos anos”, afirma. Essa visão integra a tese de que a IA demanda recursos físicos e minerais, criando oportunidades em setores além da tecnologia pura.

Em resumo, a análise de Drabowicz posiciona a inteligência artificial como o principal vetor de transformação econômica, capaz de impulsionar a produtividade e redesenhar cadeias de valor globais. A fonte não detalhou projeções quantitativas para o impacto da IA no PIB mundial, mas enfatizou sua centralidade para o futuro dos investimentos.

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