A Odebrecht, empresa controlada pela Novonor, foi selecionada para negociar a construção de um trecho do Corredor do Lobito, ferrovia estratégica que atravessará Angola e Zâmbia. A escolha foi feita pela Africa Finance Corp (AFC), instituição responsável pelo desenvolvimento do trecho zambiano. As negociações devem começar no próximo mês, com previsão de conclusão dos acordos em oito a 12 semanas.
Além da Odebrecht, outros grupos foram selecionados para disputar contratos de diferentes trechos. A portuguesa Mota-Engil e a turca IC Ictas negociam a construção do trecho entre Chingola, na Zâmbia, e a fronteira com Angola. Já a Mota-Engil e a Odebrecht negociam as obras entre a fronteira e Luacano, em Angola. A Mota-Engil também participa dos consórcios responsáveis pela construção de outros trechos do Corredor do Lobito.
Corredor do Lobito: rota para minerais africanos
O Corredor do Lobito é um projeto de infraestrutura que visa ligar regiões produtoras de minerais na África Central ao porto do Lobito, em Angola. A nova ferrovia deve diminuir o tempo e o custo do transporte desses recursos até os mercados ocidentais. Atualmente, a China tem forte presença na cadeia de produção e no processamento de minerais extraídos na África.
A República Democrática do Congo e a Zâmbia são os maiores produtores de cobre da África. O Congo também é o maior fornecedor mundial de cobalto, mineral utilizado na fabricação de baterias. A redução da dependência logística da China é um dos objetivos centrais do projeto.
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Previsão de início das obras em meses
“Este é um passo significativo para a concretização do projeto”, afirmou Samaila Zubairu, presidente-executivo da AFC, em entrevista. Segundo ele, a previsão é iniciar as obras em seis a oito meses. Zubairu não revelou o valor dos contratos.
A AFC espera que as negociações com os grupos selecionados sejam concluídas rapidamente. A instituição não detalhou os critérios de seleção nem os valores envolvidos. O início das obras depende da assinatura dos contratos e de outras etapas preparatórias.
Impacto econômico e desenvolvimento regional
Além de facilitar as exportações, a ferrovia poderá estimular a economia das regiões por onde passar. Segundo a AFC, o projeto pode incentivar o desenvolvimento de atividades industriais ligadas aos minerais e o incentivo à produção agrícola. A expectativa é que a infraestrutura gere empregos e novas oportunidades de negócios.
“O que queremos é construir infraestrutura que sustente o crescimento da produção africana”, disse Zubairu. A instituição pretende ampliar as conexões entre os produtores e consumidores africanos e os mercados internacionais. O Corredor do Lobito é visto como peça-chave para integrar a região ao comércio global.
Participação brasileira no projeto
A Odebrecht, por meio de sua controladora Novonor, é uma das empresas selecionadas para o trecho entre a fronteira Angola-Zâmbia e Luacano, em Angola. A empresa brasileira tem histórico de atuação em projetos de infraestrutura na África, embora a fonte não tenha detalhado obras anteriores. A negociação atual representa uma nova oportunidade de negócios no continente.
A Mota-Engil, parceira da Odebrecht nesse trecho, é uma construtora portuguesa com forte presença em países africanos. A parceria entre as duas empresas pode combinar expertise técnica e conhecimento local. A fonte não detalhou a divisão de responsabilidades entre as empresas.
Próximos passos e expectativas
As negociações entre a AFC e os grupos selecionados devem começar no próximo mês. A previsão é que os acordos sejam concluídos em oito a 12 semanas, segundo a instituição. Após a assinatura, as obras podem começar em seis a oito meses, conforme estimativa de Zubairu.
A AFC não revelou o valor total do projeto nem o montante destinado a cada trecho. A fonte não detalhou os prazos de conclusão da ferrovia. O sucesso do Corredor do Lobito dependerá da coordenação entre os governos de Angola, Zâmbia e República Democrática do Congo, além dos investidores privados.
