Lula e Flávio divergem sobre terras raras, energia e carros
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O debate sobre o futuro da indústria automotiva, da energia e das terras raras ganhou contornos claros nas propostas dos dois principais candidatos à Presidência. De um lado, o governo atual aposta em subsídios e intervenção para conter preços; de outro, o opositor Flávio defende redução de impostos e maior liberdade de mercado. As divergências aparecem em temas como importação de veículos, política de combustíveis e exploração de recursos naturais.

Setor automotivo vive alta, mas com alerta

O setor automotivo atravessa um ano de recuperação. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) projeta 3,1 milhões de veículos vendidos em 2026, patamar não visto desde 2014, e produção 6,7% maior. No entanto, os números escondem uma preocupação: das 173 mil unidades produzidas a mais de janeiro a setembro, 123 mil saíram de kits importados e apenas 50 mil de fabricação nacional plena.

Os kits vêm da China sem usar autopeças nacionais e com pouca mão de obra local, disse o presidente da entidade, Igor Calvet, em comunicado à imprensa de 7 de outubro. As importações de veículos subiram 30,4% no ano, e os chineses já têm 11,3% do mercado. A BYD, por exemplo, já chegou à marca de 100 mil carros em Camaçari (BA), mas ali só faz a montagem final de kits chineses, como mostrou o InvestNews.

Em junho, o governo prorrogou por mais seis meses a cota que permite à empresa importar até US$ 463 milhões em kits de eletrificados sem imposto. A Anfavea acusou o governo de romper um acordo para encerrar as cotas. A isenção, porém, termina em dezembro, e em 2027 os kits passam a pagar 35% de imposto de importação. As regras seguintes, como tarifas e conteúdo local, caberão ao próximo governo.

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Custo trabalhista preocupa montadoras

As montadoras também veem aumento de custo no fim da escala 6×1, que reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais sem corte de salário. Defendida pelo governo Lula, a emenda passou no Senado na quarta-feira (14) por 75 votos a 1, com voto favorável de Flávio, que a havia criticado nos últimos meses. A mudança pode elevar despesas operacionais e afetar a competitividade da indústria local.

Royalties, dividendos da Petrobras e outras receitas do petróleo somaram cerca de 5% da arrecadação federal em 2025. O pré-sal, com 3,7 milhões de barris por dia em agosto, 82% do total, deve chegar ao pico em 2031 ou 2032, como mostrou o InvestNews. A aposta para substituí-lo no médio prazo é a Margem Equatorial, que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte, com produção prevista para 2033, que depende de descobertas comerciais, investimentos bilionários e licenças de exploração.

Energia: subsídios e custos em debate

O próximo governo administrará mudanças já aprovadas, como o teto para parte desses subsídios, em 2027, e a abertura do mercado livre, que deixa o consumidor escolher o fornecedor, para residências até novembro de 2028. Levantamento de maio da Frente Nacional dos Consumidores de Energia estima em R$ 985 bilhões, até 2050, os custos extras na conta criados por decisões do governo e do Congresso desde 2023.

O plano de Flávio foca o preço ao consumidor. Propõe reduzir impostos sobre energia e combustíveis, sem dizer quais nem quanto, cortar aos poucos a CDE e os subsídios às fontes incentivadas, mantida a tarifa social, e liberar o fraturamento hidráulico (fracking) para extrair gás. Em agosto, num podcast, prometeu acabar com o imposto de 12% sobre a exportação de petróleo bruto, criado pelo governo em março.

Petrobras e biocombustíveis: visões opostas

O documento não cita a Petrobras e propõe retomar a desestatização caso a caso, sem nomear empresas. Em vídeo de outubro, Adolfo Sachsida, um dos coordenadores do programa, afirmou que a estatal não será privatizada. O plano promete fazer do país uma potência de biocombustíveis. Em agosto, porém, numa transmissão nas redes sociais, Flávio disse que a mistura de etanol na gasolina, elevada de 30% para 32% em julho, teria de ser discutida, e seis entidades do setor reagiram em nota.

O plano credita a subvenções do governo a contenção dos combustíveis na guerra do Estreito de Ormuz e promete seguir atuando contra a volatilidade externa. Desde maio, o diesel recebe subvenção, hoje de R$ 2,12 por litro, renovada a cada 30 dias. Flávio acusa o governo de uso eleitoral da Petrobras e diz que o benefício acaba logo após a eleição.

Terras raras: ausência de propostas claras

As claims fornecidas não trazem informações específicas sobre terras raras nas propostas de Lula ou Flávio. A fonte não detalhou como cada candidato pretende tratar a exploração desses minerais estratégicos. O tema, contudo, está indiretamente ligado à política energética e industrial, especialmente diante da transição para veículos elétricos e da necessidade de insumos para baterias.

Diante das divergências, o eleitor terá de avaliar qual modelo considera mais adequado para o país. Enquanto o governo atual defende maior intervenção e subsídios, o opositor propõe redução de impostos e abertura de mercado. As decisões do próximo mandato definirão os rumos da indústria automotiva, da energia e, possivelmente, das terras raras nos próximos anos.

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