O desconhecimento sobre prevenção do câncer de mama cresceu no Brasil, segundo pesquisa realizada em 2026 com 1.038 mulheres. O levantamento, que integra uma amostra total de 2.015 pessoas, aponta que 29% das entrevistadas afirmaram não conhecer os métodos de prevenção da doença, ante 25% em 2024. Os dados revelam um retrocesso preocupante na conscientização sobre uma das principais causas de morte por câncer entre mulheres no país.
Além disso, 11% disseram conhecer “mais ou menos” as estratégias preventivas, enquanto 58% declararam conhecimento pleno. Em 2024, esses percentuais eram de 16% e 59%, respectivamente. A comparação indica que, embora o grupo de quem conhece tenha permanecido estável, o de quem não conhece cresceu, absorvendo parte das respostas intermediárias.
Mamografia e autoexame: adesão ainda é baixa
O estudo também mediu a prática de exames preventivos. Entre as participantes, 62% já realizaram o autoexame das mamas, 54% fizeram mamografia e 27% nunca fizeram nenhum dos dois. Em 2024, os números eram 59%, 53% e 28%, respectivamente. Apesar da leve melhora, mais de um quarto das mulheres segue sem qualquer tipo de rastreamento.
A relação entre conhecimento e ação é direta. Entre as que conhecem os métodos, 80% fizeram autoexame, 65% fizeram mamografia e apenas 12% não fizeram nenhum exame. Já entre as que não conhecem, os índices caem drasticamente: 30% fizeram autoexame, 35% fizeram mamografia e 55% não fizeram nenhum exame. Isso evidencia que a falta de informação é uma barreira crítica para a prevenção.
Renda influencia acesso à prevenção
A disparidade socioeconômica aparece com força nos dados. O autoexame foi realizado por 51% das mulheres com renda de até 1 salário mínimo, 56% na faixa de 1 a 2 salários, 71% de 2 a 5 salários e 88% acima de 5 salários. O conhecimento sobre prevenção segue o mesmo padrão: 49% entre as de menor renda, 51% na faixa intermediária baixa, 67% na faixa média e 79% entre as de maior renda.
Esses números mostram que a informação e a prática preventiva estão concentradas nas camadas de maior poder aquisitivo. Mulheres de baixa renda, que muitas vezes dependem exclusivamente do SUS, enfrentam dupla vulnerabilidade: menos conhecimento e menos acesso a exames.
SUS e rede privada: lacunas no conhecimento
O tipo de serviço de saúde utilizado também revela diferenças importantes. Entre as usuárias do SUS, 56% conhecem os métodos de prevenção, 11% conhecem parcialmente e 31% não conhecem. Na rede privada, os números são melhores: 69% conhecem, 12% mais ou menos e 19% não conhecem.
A diferença de 13 pontos percentuais no conhecimento pleno entre os dois grupos sugere que a rede pública ainda não consegue promover educação em saúde com a mesma eficácia. Isso pode estar relacionado a campanhas menos frequentes, menor tempo de consulta e sobrecarga dos profissionais.
Diagnóstico precoce salva vidas
A importância da detecção precoce é reforçada por dados de sobrevida. Segundo levantamento do A.C.Camargo Cancer Center de 2025, com base no Registro Hospitalar de Câncer (RHC), a taxa de sobrevida global em cinco anos chega a 96% entre pacientes diagnosticadas em estádio I. Esse número cai progressivamente em estádios mais avançados, o que torna o rastreamento regular essencial.
“Prevenção e diagnóstico precoce são necessidades diferentes e igualmente importantes: uma está nos hábitos de vida, a outra na mamografia a partir dos 40 anos”, afirma especialista citado na pesquisa. A declaração resume a dupla frente de ação: reduzir fatores de risco e detectar tumores em fase inicial.
Barreiras e caminhos possíveis
Os dados da pesquisa apontam para a necessidade de políticas públicas mais efetivas de educação em saúde, especialmente voltadas para mulheres de baixa renda e usuárias do SUS. A ampliação do acesso à mamografia, a capacitação de agentes comunitários e campanhas de mídia direcionadas podem ajudar a reverter o cenário.
O estudo não detalhou as razões para o aumento do desconhecimento, mas a queda no percentual de respostas “mais ou menos” sugere que parte das mulheres pode ter migrado para o “não conheço” por falta de campanhas educativas contínuas. A fonte não detalhou se houve mudanças metodológicas entre 2024 e 2026.
Enquanto isso, os números servem de alerta para gestores e profissionais de saúde. A prevenção do câncer de mama depende de informação acessível, exames regulares e redução das desigualdades de acesso. Sem isso, milhares de mulheres continuarão descobrindo a doença tardiamente, quando as chances de cura são menores.
