Pavel Prigozhin herda Wagner e expande império na África
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Pavel Prigozhin ainda aprendia a tocar o negócio de mercenários da família quando o jato particular de seu pai explodiu a cerca de 8.500 metros de altitude sobre a Rússia. Hoje com 28 anos, ele não apenas preservou como expandiu as operações no reduto africano do Wagner, a República Centro-Africana, segundo antigos colaboradores do grupo, autoridades, empresários e pesquisadores em Bangui, a capital do país.

A ascensão do herdeiro ocorre após a morte de Yevgeny Prigozhin, que desafiou o Kremlin e morreu em um acidente aéreo dois meses depois de uma insurreição fracassada.

Herdeiro assume comando do Grupo Wagner

Yevgeny Prigozhin nomeou o filho como principal herdeiro em seu testamento, segundo o All Eyes on Wagner, que publicou o documento obtido em um processo judicial. Pavel assumiu o comando do Wagner após a morte do pai. A transição de poder foi confirmada por fontes próximas ao grupo e por pesquisadores que monitoram as atividades do Wagner na África.

O jovem herdeiro já tinha experiência no campo de batalha. “Meu filho já está participando da operação militar especial”, vangloriou-se Yevgeny Prigozhin na internet seis meses depois do início da invasão russa da Ucrânia, em 2022. Essa participação precoce pode ter preparado Pavel para liderar as operações mercenárias.

Império de ouro e drogas em expansão

Os negócios da família Prigozhin, incluindo atividades legítimas e criminosas, geram mais de US$ 400 milhões por ano, segundo estimativas da Iniciativa Global contra o Crime Organizado Transnacional, organização de pesquisa sediada em Genebra. Com a concordância do governo, Prigozhin ampliou para US$ 250 milhões por ano o valor da produção da maior mina de ouro do país, anteriormente tomada por seu pai, segundo a Iniciativa Global.

O grupo também produz e comercializa uma vodca chamada Wa Wa Wa, ou “Fogo e Fogo”, e uma cerveja chamada Africa Ti L’Or, ou “África é Ouro”. Além disso, controla boa parte do mercado local de tramadol, um opioide vendido sob prescrição médica. O tráfico de drogas se tornou uma fonte de receita significativa para o Wagner na região.

Comércio de armas e alianças locais

O herdeiro também assumiu o comércio de armas do pai, vendendo armamentos a grupos rebeldes no Sudão e na Líbia, disseram pesquisadores e autoridades militares da região. Prigozhin e o Wagner não responderam a um pedido de comentário. Essa expansão do negócio de armas reforça a influência do grupo em conflitos africanos.

Em contrapartida, mercenários do Wagner comandam unidades do Exército que enfrentam grupos rebeldes empenhados em derrubar o governo de Touadéra por meio de ataques a tropas e civis. A parceria com o governo centro-africano garante proteção e acesso a recursos naturais. O Wagner também desempenhou um papel importante na invasão da Ucrânia e recrutou presos para ocupar as linhas de frente quando as fileiras militares russas ficaram desfalcadas.

Ouro escoado com documentos oficiais

Depois de horas de discussão, Beltoungou, um aliado próximo do Wagner, concordou em ajudar Prigozhin a levar ouro aos mercados internacionais por meio da emissão de documentos que identificavam o metal como propriedade do governo, disseram as autoridades. Nos últimos três meses, esses carregamentos de ouro foram enviados a Belarus, um aliado próximo do Kremlin, segundo autoridades e pesquisadores locais. O esquema permite que o ouro extraído na República Centro-Africana seja exportado com aparência legal.

Sob Prigozhin, o Wagner reforçou suas fileiras com rebeldes centro-africanos capturados que mudaram de lado e são amplamente conhecidos como “russos negros”. Essa estratégia amplia a força militar do grupo sem depender exclusivamente de combatentes russos. A integração de ex-rebeldes também dificulta a oposição armada ao governo.

Controle do tráfico e repressão violenta

O grupo também acrescentou o tráfico de drogas ao seu portfólio. Moradores de Bangui compartilharam fotos e vídeos de combatentes mascarados do Wagner, acompanhados por policiais locais, detendo pessoas acusadas de vender drogas fora da rede controlada pelo grupo. A repressão a concorrentes no tráfico demonstra o monopólio exercido pelo Wagner sobre o mercado ilegal de opioides.

Abderman fugiu por uma porta dos fundos, perseguido por dois homens. Correu uma curta distância, tropeçou e caiu. Os combatentes o espancaram, e seus familiares dizem que ele nunca mais foi visto. “Não sabemos se ele está vivo ou morto”, disse um parente. O caso ilustra a violência empregada pelo grupo para manter o controle territorial e econômico.

Herança de um legado controverso

Em 2023, Yevgeny Prigozhin cometeu o erro de desafiar Putin e os líderes militares russos por causa da estratégia adotada na guerra contra a Ucrânia. Seus mercenários entraram na cidade russa de Rostov-do-Don, um centro estratégico para a guerra, e ameaçaram marchar sobre Moscou, em uma insurreição que durou pouco. Em um vídeo, cercado por homens armados e mascarados, ele chamou os principais líderes militares de Putin de “palhaços geriátricos”.

“Nossos homens morrem porque vocês os tratam como carne”, disse. “Sem munição, sem planos.” Ele rapidamente interrompeu a marcha e aceitou um acordo que poupou sua vida e a de seus combatentes. Dois meses depois, seu avião caiu, matando Prigozhin, seu principal comandante militar e outras oito pessoas. O legado do pai, agora nas mãos de Pavel, segue marcado por violência e negócios ilícitos.

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