Trump anuncia exploração de petróleo e gás na Groenlândia
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira que uma exploração em grande escala de petróleo, gás e minerais está prestes a começar na Groenlândia. Em publicação na plataforma Truth Social, ele descreveu a ilha dinamarquesa do Ártico, administrada por um governo semiautônomo, como “nossa nova e bela Groenlândia”. Trump elogiou o que chamou de ganhos dos EUA decorrentes de um acordo de segurança assinado em setembro.

O gabinete do primeiro-ministro da Groenlândia se recusou a comentar a declaração. O Ministério das Relações Exteriores da Dinamarca e o Ministério de Recursos Minerais da Groenlândia não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

Contexto da disputa territorial

A Groenlândia está envolvida em uma disputa com Trump, que vem afirmando desde 2019 que os EUA deveriam comprar ou tomar posse da ilha, estrategicamente localizada e rica em minerais, por razões de segurança. Em várias ocasiões, ele se recusou a descartar o uso da força. Juntamente com a Dinamarca, os EUA e a Groenlândia chegaram a um acordo no mês passado para permitir que os Estados Unidos reforçassem sua presença militar na ilha — um acordo que parecia ter resolvido o impasse.

O acordo não concedeu quaisquer direitos de mineração ou perfuração. Apesar disso, Trump afirmou que a exploração começará em breve, sem citar nenhum acordo específico ou projeto de desenvolvimento concreto.

Declarações de Trump sobre recursos

“Uma exploração em grande escala de petróleo, gás e minerais está prestes a começar”, escreveu Trump. “Há especialistas que afirmam que a quantidade de petróleo facilmente acessível é muito maior do que a de praticamente qualquer outro território, em qualquer lugar do mundo”, acrescentou ele.

As declarações não mencionam empresas, licenças ou cronogramas. A fonte não detalhou quais especialistas embasariam a afirmação. O governo groenlandês não confirmou nenhum projeto de exploração em andamento.

Proibições ambientais e licenças antigas

A Groenlândia proibiu a mineração de urânio em seu território, bem como toda futura exploração de petróleo, em 2021. O governo afirmou que está analisando se uma empresa do Texas, a Greenland Energy, pode utilizar licenças anteriores a essa proibição. A análise pode abrir precedente para atividades limitadas, mas não há decisão anunciada.

Especialistas apontam que a proibição de 2021 reflete preocupações ambientais e sociais da população local. A possível utilização de licenças antigas é um tema sensível, pois pode contrariar o espírito da legislação vigente.

Reações e análise de segurança

O consultor independente dinamarquês em política de segurança Jacob Kaarsbo disse que os comentários de Trump poderiam ser vistos como um sinal de que seu desejo de controlar a Groenlândia permanece inalterado. “É extremamente perigoso considerar esse acordo entre o governo Trump e a Dinamarca como algo que tenha alterado as intenções de Trump”, declarou.

O acordo de 10 páginas entre EUA, Dinamarca e Groenlândia abriu caminho para duas novas bases militares e para o sistema de defesa antimísseis “Domo de Ouro” de Trump, ao mesmo tempo em que reafirmou a soberania dinamarquesa e o direito dos groenlandeses à autodeterminação.

Implicações militares e retórica

Em postagem nesta quarta-feira, Trump também destacou o papel estratégico da ilha para a defesa dos EUA. “Qualquer ataque futuro aos Estados Unidos terá que passar pela Groenlândia, onde nossa Defesa derrubará rotineiramente drones, mísseis ou qualquer outra forma de arma ainda nem sequer concebida”, disse. “Isso nos dá tempo, localização e linha de visão como em nenhum outro lugar do mundo!”, acrescentou.

As afirmações reforçam a visão de que a Groenlândia é peça-chave na arquitetura de defesa norte-americana, especialmente no Ártico. No entanto, não há indicação de que o acordo de segurança inclua qualquer componente econômico ou de exploração de recursos.

Silêncio oficial e próximos passos

Até o momento, nem o governo da Groenlândia nem o da Dinamarca emitiram resposta oficial às declarações de Trump. A ausência de comentários pode refletir cautela diplomática ou a necessidade de avaliar as implicações das falas. A fonte não detalhou se haverá pronunciamento nas próximas horas.

Analistas observam que a retórica de Trump mantém pressão sobre a ilha, mesmo após o acordo de setembro. A possibilidade de exploração de petróleo e gás, se concretizada, enfrentaria barreiras legais e ambientais significativas, além de forte oposição de parte da população groenlandesa.

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