Gestores de saúde que planejam adotar inteligência artificial receberam um conselho direto durante o HIS 2026: comece pelo problema, não pela tecnologia. A orientação foi apresentada pelo Dr. Brian Han, de Stanford, em palestra que abordou a pressão institucional para implementar IA. O especialista destacou que o foco deve estar nas dificuldades reais do cuidado, e não na ferramenta em si.
Pressão para adotar IA é realidade
O Dr. Han foi direto sobre a pressão que as instituições sentem para adotar inteligência artificial. Muitas organizações buscam a tecnologia como um fim em si mesma, sem antes identificar onde ela pode gerar valor. Essa pressa, segundo o especialista, pode levar a projetos desconectados das necessidades assistenciais. A consequência é o desperdício de recursos e a frustração das equipes. A transição para uma adoção mais consciente exige mudança de mentalidade.
Falhas comuns em projetos digitais
Projetos de saúde digital costumam falhar quando essas áreas trabalham em paralelo. A TI implanta a ferramenta, a área assistencial a recebe pronta e ninguém desenhou o fluxo em conjunto. Os tempos e as prioridades de operação da TI não atendem às necessidades do negócio. Esse descompasso gera soluções que não se encaixam na rotina clínica. O resultado é baixa adesão e impacto limitado no cuidado.
Integração desde o início
Em contraponto, quando o time de cuidado inclui, desde o início, quem entende de dados e integração, a tecnologia passa a servir ao protocolo, e não o contrário. Essa abordagem colaborativa permite que as ferramentas sejam desenhadas para apoiar as decisões clínicas. Os profissionais de tecnologia passam a compreender as particularidades do ambiente de saúde. Assim, a IA se torna um meio para melhorar o cuidado, e não um objetivo isolado.
Erros de cuidado não são erros de negócio
Um modelo que erra a prioridade de contato de um paciente oncológico não comete um erro de negócio; comete um erro de cuidado. Essa distinção é crucial para entender a gravidade das falhas em sistemas de saúde. Quando a tecnologia não considera o contexto clínico, as consequências podem ser sérias para os pacientes. Portanto, a precisão e a segurança devem ser prioridades inegociáveis. A responsabilidade é compartilhada entre clínicos e desenvolvedores.
Equipe multidisciplinar é essencial
Cumprir essas regras pede exatamente esse time: clínicos que definem o cuidado e equipes de tecnologia que entendem de saúde o bastante para colocá-lo em prática com segurança. A colaboração entre essas áreas não é opcional, mas sim um requisito para o sucesso. Os clínicos trazem o conhecimento do fluxo assistencial e das necessidades dos pacientes. Já os especialistas em tecnologia contribuem com a viabilidade técnica e a integração de dados. Juntos, eles constroem soluções mais eficazes.
Ouvir os clínicos é o primeiro passo
O terceiro conselho de Han foi perguntar aos clínicos onde eles estão tendo dificuldade. São eles que sabem onde estão os pontos de dor reais. Essa escuta ativa permite identificar problemas que muitas vezes passam despercebidos pela gestão. A partir dessas informações, é possível priorizar as iniciativas de IA com base em necessidades concretas. A participação dos profissionais da linha de frente aumenta a aceitação das novas ferramentas.
Foco em soluções sustentáveis
“É muito melhor ter uma solução consistente e sustentável para um problema menor e persistente do que tentar criar algo tão grande que você não consiga dar conta.” — Dr. Brian Han, Stanford, no HIS 2026. A frase resume a filosofia de começar pequeno e escalar com segurança. Projetos ambiciosos demais tendem a fracassar por complexidade excessiva. Já as soluções focadas em problemas específicos têm mais chances de gerar impacto real. A sustentabilidade é mais importante do que o tamanho da inovação.
Troca de experiências entre países
O Brasil tem experiência valiosa em operar com escassez de recursos e em alcançar pacientes por canais como o WhatsApp. Os Estados Unidos acumulam aprendizado em modelos de cuidado baseados em valor. Os dois lados ganham com a troca. Essa colaboração internacional pode acelerar a adoção de práticas eficientes em ambos os contextos. A diversidade de abordagens enriquece o debate sobre saúde digital.
O futuro da IA na saúde
A IA vai continuar evoluindo, e rápido. A pergunta para gestores de saúde não é se vão adotá-la, mas onde ela vai fazer diferença para o paciente. O recado do Dr. Han ajuda a responder: comece pelo problema real, envolva quem cuida e quem entende de dados e meça o que muda. Essa orientação prática pode guiar as instituições em um cenário de constantes inovações tecnológicas. A chave está em manter o foco no cuidado.
Paciente no centro das decisões
Cada oportunidade de cuidado perdida tem um paciente do outro lado. A tecnologia que vale a pena é a que transforma essas oportunidades em ação. Essa perspectiva humanizada deve orientar todas as etapas do desenvolvimento e da implementação de IA. Os gestores precisam lembrar que, por trás de cada dado, existe uma vida. A saúde digital só tem sentido se melhorar os desfechos para as pessoas.
