Clima custou R$ 1 bi em indenizações ao Grupo HDI
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O Grupo HDI, segundo maior do país em seguros patrimoniais e de responsabilidade, desembolsou mais de R$ 1 bilhão em indenizações relacionadas a eventos climáticos no Brasil em um período de dois anos. O montante reflete o impacto crescente de fenômenos como enchentes, granizo e vendavais sobre o setor de seguros. A informação foi divulgada pela própria companhia, dona das marcas HDI Seguros, Yelum (ex-Liberty Seguros) e Aliro.

Desse total, cerca de R$ 386 milhões foram pagos por danos causados pelas enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, o maior evento climático enfrentado pelo grupo no Brasil. O restante foi destinado a eventos de menor porte, conforme detalhou a empresa. A cifra evidencia a vulnerabilidade do país a desastres naturais e a pressão sobre as seguradoras.

Enchentes no Sul lideram indenizações

As enchentes no Rio Grande do Sul representaram o maior desafio climático já enfrentado pelo Grupo HDI em território brasileiro. O desembolso de aproximadamente R$ 386 milhões para cobrir os prejuízos dos segurados na região foi o mais expressivo entre todos os eventos registrados no período analisado. Esse valor isolado corresponde a quase 40% do total de indenizações climáticas pagas pelo grupo no biênio.

Os demais eventos, de menor porte, somaram o restante do montante superior a R$ 1 bilhão. A companhia não detalhou a distribuição exata desses pagamentos, mas ressaltou que fenômenos como granizo, vendavais e raios também geraram sinistros relevantes. A recorrência desses eventos tem levado o setor a repensar suas estratégias de subscrição e precificação.

Resultados financeiros em alta

Apesar do peso das indenizações, a unidade de negócios do Grupo HDI apresentou crescimento em seus resultados financeiros. A receita de seguros subiu 10% na base de comparação anual, descontado o efeito cambial, para € 5,1 bilhões. O Ebit (métrica de resultado operacional) avançou 17%, alcançando € 616 milhões.

O balanço divulgado não abre os resultados segregados para a operação brasileira, o que impede uma análise isolada do desempenho no país. Ainda assim, os números globais indicam resiliência do grupo diante do aumento da sinistralidade climática. A companhia segue investindo em tecnologia para mitigar riscos futuros.

Uso de IA para antecipar riscos

O Grupo HDI utiliza dados de birôs climáticos para avaliar riscos como granizo, enchentes, vendavais e raios há alguns anos. Em 2025, segundo a companhia, passou a incorporar projeções futuras apoiadas por inteligência artificial aos modelos de subscrição e precificação. Essa mudança visa antecipar a ocorrência de sinistros e ajustar os valores dos seguros de forma mais precisa.

A adoção de IA permite simular cenários climáticos e identificar áreas de maior exposição, reduzindo a probabilidade de perdas inesperadas. A empresa não detalhou quais ferramentas específicas estão sendo utilizadas, mas destacou o avanço em relação aos métodos tradicionais. A expectativa é que a tecnologia contribua para a sustentabilidade do negócio no longo prazo.

Baixa cobertura de seguros no Brasil

Apenas perto de 10% dos R$ 184 bilhões em prejuízos com eventos climáticos entre 2022 e 2024 no país tinham cobertura de apólices de seguros, segundo cálculos do Radar de Eventos Climáticos e de Seguros no Brasil, da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg) em parceria com a consultoria EY. Esse dado revela uma lacuna significativa na proteção financeira da população e das empresas diante de desastres naturais.

Dal Ri, executivo do Grupo HDI, afirma que apenas 14% das residências dentro do mercado endereçável contam com seguro residencial. Trata-se da metade da penetração estimada para o seguro automotivo. A baixa adesão ao seguro residencial representa um desafio para o setor, mas também uma oportunidade de crescimento em um cenário de riscos climáticos crescentes.

Rede de distribuição ampla

Para ampliar a oferta de seguros, o Grupo HDI conta com uma rede que inclui cerca de 30 mil corretores ativos, segundo a empresa, além de parcerias com bancos e cooperativas para a venda de produtos. Essa capilaridade é fundamental para alcançar diferentes perfis de clientes em todo o território nacional.

A estratégia de distribuição diversificada permite que a companhia ofereça soluções de proteção patrimonial e de responsabilidade em larga escala. Com a intensificação dos eventos climáticos, a expectativa é que a demanda por seguros residenciais e empresariais aumente, impulsionada pela conscientização sobre os riscos.

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