Ataques houthis a aeroporto saudita ampliam tensão
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Ataques do grupo houthi contra o aeroporto internacional que atende Riad, capital da Arábia Saudita, deixaram 12 mortos e 309 feridos no sábado (10). No domingo (11), o local foi atingido novamente por um projétil de origem não identificada, marcando a quarta investida em apenas uma semana. A escalada ocorre após os houthis tomarem territórios próximos a Bab el-Mandeb, gargalo estratégico para o transporte marítimo global na entrada sul do Mar Vermelho.

Os ataques pressionam o príncipe herdeiro e governante de fato, Mohammed bin Salman, a intensificar uma guerra da qual o país tentava se desvencilhar há anos e contra um adversário mais preparado do que nunca. O cenário também impõe escolhas difíceis para os Estados Unidos e para os novos parceiros de defesa do reino, Turquia e Paquistão, sobre até onde ir no apoio à resposta saudita.

Escalada após anos de trégua

Os houthis haviam se mantido à margem do conflito desde o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, em fevereiro. Uma trégua intermediada pela ONU em 2022 reduziu drasticamente os confrontos e ofereceu a Riad uma saída diplomática para diminuir sua participação, período no qual o grupo militante expandiu seus recursos e alcance operacional.

A Arábia Saudita liderou uma coalizão militar que interveio no Iêmen em 2015 para reconduzir o governo reconhecido internacionalmente ao poder. O resultado foi uma campanha de bombardeios contra os houthis que durou anos, sem conseguir removê-los do controle. Agora, os sucessivos bombardeios paralisaram o aeroporto internacional que atende à capital, cancelaram centenas de voos e forçaram escolas a migrar para o ensino remoto.

Resposta militar e pressão sobre Riad

Jatos de combate sauditas já apoiam uma contraofensiva de forças do governo iemenita, lançada após os houthis tomarem territórios próximos a Bab el-Mandeb. Após o grupo tomar o porto de Mokha, no Mar Vermelho, e territórios próximos a Bab el-Mandeb no mês passado, forças governamentais lançaram uma contraofensiva com suporte da aviação saudita. A coalizão afirma ter retomado Mokha e destruído dezenas de alvos militares dos rebeldes.

“Ao intensificar os ataques, eles tentam pressionar a Arábia Saudita a recuar e interromper sua campanha aérea”, afirmou Ahmed Nagi, analista sênior para o Iêmen no International Crisis Group. “Riad interpreta esses bombardeios como uma escalada grave, especialmente pelo caráter inédito das ações, e deve responder com ainda mais pressão militar.”

Arsenal houthi e desafios de defesa

O reino investiu bilhões de dólares para erguer uma das forças armadas mais modernas da região, equipada com caças americanos F-15 e sistemas antimísseis Patriot cujos interceptadores chegam a custar US$ 5 milhões por unidade. Ainda assim, o grupo mantém um arsenal de mísseis balísticos de projeto iraniano com alcance para atingir Riad, além de drones kamikazes de baixo custo montados localmente.

Os houthis já sobreviveram a anos de ofensivas aéreas sauditas e americanas, e as ações recentes mostram a complexidade de conter novas investidas contra o território saudita. “Neutralizar essas ameaças exige patrulhas aéreas constantes em busca de lançadores, o que é extremamente complexo. Além disso, os rebeldes parecem ter aproveitado o tempo desde o cessar-fogo com os EUA para se rearmar”, pontuou Pettyjohn.

Dilemas para os aliados

O cenário coloca entraves geopolíticos aos aliados de Riad, a começar pelos Estados Unidos, que chegaram a disparar grandes ataques contra os houthis no ano passado antes de selar uma trégua. O presidente dos EUA Donald Trump tem tentado evitar novas escaladas militares contra o Irã no período que antecede as eleições de meio de mandato em novembro, e Washington limitou, até o momento, seu apoio à ofensiva saudita ao compartilhamento de inteligência.

“É muito improvável que os sauditas consigam conter os ataques se os próprios Estados Unidos não conseguiram, a menos que enviem tropas terrestres ou elevem drasticamente a capacidade dos combatentes iemenitas que apoiam”, pontuou Pettyjohn. As investidas também podem ser um reflexo da pressão sofrida pelos houthis em solo iemenita.

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