O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira a liberação “imediata” de 2,25 milhões de barris de diesel em outubro para os mercados americano e global. A medida, divulgada em meio à escalada dos preços dos combustíveis, prevê ainda a entrega de outros 3,75 milhões de barris em novembro e mais 7,5 milhões de barris “imediatamente depois disso”.
O anúncio representa a mais recente tentativa do governo americano de aliviar a pressão sobre o diesel, cujo custo disparou em razão da guerra entre Rússia e Ucrânia e do conflito dos Estados Unidos com o Irã.
Trump acrescentou que, “dependendo das condições de suas refinarias de diesel, a Rússia entregará, em um curto período de tempo, 3 milhões de toneladas de combustível diesel”. Esse volume equivale a aproximadamente 22,5 milhões de barris, ampliando significativamente a oferta global do produto. A declaração sugere uma coordenação incomum entre Washington e Moscou, apesar das sanções vigentes contra o setor energético russo.
Reação de Zelensky e críticas à flexibilização
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, reagiu às medidas do governo Trump em uma publicação na rede social X. Segundo ele, “qualquer flexibilização das sanções contra a Rússia sem um acordo claro e duradouro de desescalada com a Rússia é um sinal evidente de fraqueza”. A fala reflete o temor de Kiev de que o alívio econômico a Moscou possa enfraquecer a pressão internacional sobre o Kremlin.
O presidente ucraniano tem tentado manter o apoio de Trump enquanto a Rússia continua realizando ataques ininterruptos contra a infraestrutura civil da Ucrânia. Negociadores ucranianos devem se reunir nos Estados Unidos nesta sexta-feira com os enviados americanos Jared Kushner e Steve Witkoff, em um esforço para alinhar posições e garantir que os interesses de Kiev não sejam deixados de lado.
Contexto econômico e queda de aprovação
O anúncio desta sexta-feira é a mais recente medida do governo Trump para tentar reduzir os custos dos combustíveis, especialmente do diesel, cujos preços dispararam em meio à guerra entre Rússia e Ucrânia e ao conflito dos Estados Unidos com o Irã. No início desta semana, Trump assinou uma ordem executiva para flexibilizar as restrições ao uso de uma variedade de diesel isenta de impostos, sinalizando uma abordagem multifacetada para conter a inflação energética.
Os preços do diesel no varejo americano estavam em US$ 6,28 por galão na quinta-feira, segundo a Associação Automobilística Americana (AAA), abaixo dos recordes registrados em setembro. Apesar da leve queda, o valor segue elevado e pressiona o orçamento de famílias e empresas, especialmente no setor de transportes. Pesquisas mostram que os índices de aprovação de Trump estão nos níveis mais baixos já registrados e que os eleitores estão, em grande parte, insatisfeitos com sua condução da economia e da guerra no Irã.
Desafios logísticos e visão do setor
A viabilidade da entrega do diesel russo, porém, enfrenta questionamentos. “A maior preocupação é saber se as refinarias conseguirão fazer isso”, disse McKay, em referência à capacidade de processamento e logística para atender aos volumes anunciados. A declaração aponta para a complexidade de transformar o anúncio político em oferta real no mercado.
As exportações russas de derivados de petróleo atingiram em setembro o maior nível em três meses, embora os embarques de diesel tenham diminuído por causa da proibição imposta pelo governo. Esse cenário contraditório lança dúvidas sobre a rapidez com que Moscou poderá cumprir o compromisso assumido por Trump, mesmo com a flexibilização de sanções.
Impacto global e próximos passos
A liberação anunciada por Trump pode ter efeitos significativos no mercado internacional de combustíveis, uma vez que os volumes somados ultrapassam 30 milhões de barris apenas nas etapas iniciais. A injeção dessa oferta, se concretizada, tende a reduzir os preços globais do diesel, aliviando a pressão inflacionária em diversos países. No entanto, a dependência de acordos com a Rússia e a incerteza sobre a capacidade de refino deixam o cenário em aberto.
Enquanto isso, as negociações entre Ucrânia e Estados Unidos seguem como pano de fundo, com potencial para influenciar a política externa americana. A reunião desta sexta-feira com Jared Kushner e Steve Witkoff pode definir os rumos do apoio a Kiev e a disposição de Washington em manter sanções contra Moscou. A fonte não detalhou os termos exatos do encontro, mas a expectativa é de que o tema energético esteja no centro das discussões.
Fonte
- investnews.com.br
- SIGA NO GOOGLE (www.google.com)
- Spotify (open.spotify.com)
- Apple Podcasts (podcasts.apple.com)
