A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) comunicou nesta sexta-feira (9) que encaminhou a venda da Stahlwerk Thüringen GmbH (SWT), sua subsidiária alemã, ao grupo espanhol Megasa. O anúncio foi feito por meio de fato relevante ao mercado, no qual a siderúrgica brasileira detalhou os termos preliminares da transação. A operação, que ainda depende de condições suspensivas, representa um passo importante no programa de desinvestimentos da companhia, voltado à redução do endividamento.
De acordo com o documento, o acordo prevê um valor de empresa (enterprise value) de 550 milhões de euros, considerando dívidas assumidas pelo comprador e o montante que a CSN terá a receber. O valor final, no entanto, está sujeito a ajustes que podem ocorrer até a conclusão da negociação. A fonte não detalhou quais seriam esses ajustes, mas é comum que transações desse porte envolvam revisões baseadas em capital de giro, dívida líquida e outros indicadores financeiros na data de fechamento.
CSN e Megasa acertaram um período de exclusividade de até dez semanas para a celebração dos documentos definitivos da transação. Durante esse prazo, as partes devem avançar nas diligências e na elaboração dos contratos finais. A operação ainda está condicionada ao cumprimento de condições suspensivas usuais para negociações desse tipo, como aprovações regulatórias e societárias. A conclusão do negócio, portanto, não é imediata e depende do desfecho dessas etapas.
SWT: perfil da unidade na Alemanha
A SWT é uma produtora de aços longos localizada em Unterwellenborn, na Alemanha, especializada na fabricação de perfis estruturais. A unidade possui capacidade instalada de 1,1 milhão de toneladas de aço por ano, o que a posiciona como um ativo relevante no mercado europeu de construção metálica e infraestrutura. Seus produtos são utilizados em obras civis, pontes, edifícios industriais e outras aplicações que demandam alta resistência estrutural.
A planta foi adquirida pela CSN em 2012 com o objetivo de diversificar o portfólio de produtos e a presença geográfica da companhia. Na época, a aquisição fazia parte da estratégia de internacionalização da siderúrgica, que buscava ampliar sua atuação além do mercado brasileiro. Agora, mais de uma década depois, a venda da SWT sinaliza uma mudança de prioridades, com foco na redução do endividamento e na otimização de ativos.
Megasa: comprador com atuação europeia
A Megasa é um grupo industrial espanhol com atuação no segmento de aços longos na Europa, com operações industriais na Espanha, em Portugal e na França. A empresa já possui experiência na produção e comercialização de produtos siderúrgicos, o que pode facilitar a integração da SWT às suas operações. A aquisição, se concluída, ampliaria a presença da Megasa na Alemanha e reforçaria sua posição no mercado europeu de aços longos.
Para a CSN, a venda da subsidiária alemã representa uma oportunidade de monetizar um ativo fora do seu núcleo estratégico atual. A companhia tem adotado medidas para reduzir sua alavancagem financeira, e a alienação de ativos não essenciais é uma das frentes desse processo. O valor de 550 milhões de euros, se confirmado, contribuiria para o caixa da empresa e para o cumprimento de metas de desalavancagem.
Contexto da CSN e programa de desinvestimentos
Fundada em 1941, a CSN é uma das maiores produtoras de aço da América Latina. Além da siderurgia, atua nos segmentos de mineração, cimento e energia. É controlada pelo empresário Benjamin Steinbruch. A companhia tem passado por um processo de revisão de portfólio, com foco em ativos considerados estratégicos para o seu core business, como mineração e siderurgia no Brasil.
A potencial venda da SWT integra o programa de desinvestimentos da siderúrgica, com foco na redução do endividamento atual. A CSN não divulgou metas específicas de desalavancagem relacionadas a essa transação, mas o movimento está alinhado com a estratégia de fortalecer o balanço e concentrar recursos em operações de maior retorno. A fonte não detalhou outros ativos que possam ser vendidos no âmbito desse programa.
O anúncio ocorre em um momento de atenção do mercado às condições financeiras das siderúrgicas brasileiras, que enfrentam custos elevados e volatilidade nos preços do aço. A venda da SWT, se concluída, pode ser vista como um sinal positivo para investidores, ao demonstrar compromisso com a redução da dívida e a disciplina de capital.
Próximos passos da transação
Com o período de exclusividade de até dez semanas, CSN e Megasa devem trabalhar na due diligence e na negociação dos contratos definitivos. A transação ainda depende de aprovações regulatórias, possivelmente em mais de uma jurisdição, e de outras condições usuais. A CSN não informou uma data estimada para o fechamento, mas indicou que o processo está em andamento.
Enquanto isso, a SWT continua operando normalmente, sem impacto imediato em suas atividades. A CSN não mencionou planos de mudanças na gestão ou na operação da unidade durante o período de transição. A fonte não detalhou se haverá cláusulas de transição ou acordos de fornecimento entre as partes após a venda.
O mercado acompanhará os desdobramentos dessa negociação, que pode se tornar uma das maiores alienações de ativos internacionais da CSN nos últimos anos. A concretização do negócio dependerá do cumprimento das condições e da conclusão dos documentos definitivos, conforme comunicado pela companhia.
Fonte
- investnews.com.br
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- informou (www.rad.cvm.gov.br)
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