EUA cancelam visto de procurador que investiga Cerimedo
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O Departamento de Estado dos Estados Unidos, liderado por Marco Rúbio, cancelou o visto de entrada do procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, por seu suposto envolvimento em corrupção significativa. A medida foi anunciada em comunicado oficial e ocorre enquanto Mariaca conduz investigações contra o consultor político Fernando Cerimedo, preso na Bolívia por tentativa de feminicídio. A decisão americana gerou reação imediata do governo boliviano, que classificou a restrição como violação à soberania nacional.

Acusações dos EUA contra Mariaca

Segundo o comunicado do Departamento de Estado, a política restringe vistos para estrangeiros – e seus familiares imediatos – que prejudicam um governo democraticamente eleito por meio de corrupção ou atividades de narcotráfico na região. Ainda de acordo com o governo Trump, Mariaca teve o visto cancelado por “seu envolvimento em corrupção significativa”. O Departamento estadunidense acusou o procurador-geral de abusar de seus cargos públicos ao solicitar e aceitar subornos para facilitar o narcotráfico e ajudar criminosos violentos a escapar da Justiça, sem apresentar provas.

As acusações americanas não detalharam os casos específicos de corrupção ou narcotráfico envolvendo Mariaca. A fonte não detalhou se houve apresentação de evidências ou se o governo boliviano foi notificado previamente. A decisão de cancelar o visto é unilateral e baseada em critérios definidos pela legislação americana.

Resposta do procurador-geral boliviano

Em resposta à Casa Branca, o procurador-geral boliviano Roger Mariaca classificou a restrição a seu visto como uma violação à soberania do país e citou o caso Cerimedo. “Sabemos também que algumas investigações têm implicações que transcendem as fronteiras nacionais. O caso denominado Cerimedo, por exemplo, gerou preocupações e repercussões em diferentes âmbitos políticos”, afirmou Mariaca.

Eleito pelo parlamento boliviano, em 2024, para um mandato de seis anos, o procurador-geral acrescentou que “nenhuma pressão política, nacional ou internacional pode se transformar em um impedimento para esclarecer questões que devem ser investigadas”.

Mariaca também rebateu as acusações americanas, afirmando que não aceitará que decisões externas, “sejam políticas ou de qualquer outra natureza”, condicionem as investigações das instituições bolivianas. “O povo boliviano tem direito a conhecer a veracidade das denúncias que foram apresentadas, incluindo aquelas relacionadas com ameaças de corrupção relacionadas aos combustíveis”, disse. O procurador-geral não detalhou quais denúncias de corrupção relacionadas a combustíveis estariam em andamento.

Governo boliviano pedirá esclarecimentos

O governo de Rodrigo Paz afirmou que pedirá mais informações ao governo Donald Trump sobre as acusações dos EUA antes de iniciar uma investigação interna. “As declarações e acusações dos Estados Unidos são bastante sérias, e o governo as encara com a máxima seriedade”, afirmou o ministro da Defesa, Ernesto Justiniano. O porta-voz da Presidência da Bolívia, Fernando Aramayo Carrasco, disse que o governo local responderá a decisões soberanas dos EUA sobre cancelamento de vistos.

“Vamos prestar toda a colaboração, para que se adiantem as investigações e as ações que correspondem à institucionalidade boliviana”, disse.

A posição do governo boliviano indica cautela diante das acusações americanas, sem endossar ou rejeitar as alegações contra Mariaca. A solicitação de informações adicionais sugere que La Paz buscará verificar a consistência das acusações antes de tomar medidas internas. A fonte não detalhou o prazo para o pedido de esclarecimentos ou possíveis consequências para o procurador-geral.

Quem é Fernando Cerimedo

Fernando Cerimedo é um consultor político argentino conhecido por assessorar, no ambiente digital, os presidentes da Argentina, Javier Milei, e da Bolívia, Rodrigo Paz. No Brasil, o argentino se tornou conhecido em 2022, logo após o segundo turno das eleições presidenciais, por ter participado de transmissão ao vivo na internet, na qual sustentava, sem provas, que o resultado das urnas tinha sido fraudado.

Ele é apontado pela revista inglesa The Economist como “o homem do Maga na América Latina”, em alusão ao slogan político do presidente Donald Trump, Make America Great Again (Faça a América Grande de Novo).

Cerimedo foi preso na Bolívia por suposta tentativa de feminicídio contra a ex-companheira Nadia Beller e investigado por suposto tráfico de drogas e enriquecimento ilícito. O empresário e consultor político da direita latino-americana foi preso por tentativa de feminicídio a tiros contra a ativista e advogada boliviana Nadia Beller, que o acusa de ser o mandante do atentado. Cerimedo é investigado por operar uma rede digital para políticos de direita na América Latina.

A polícia boliviana encontrou uma “fazenda de cliques” em um endereço ligado ao investigado usada para mobilizar robôs nas redes sociais.

Prêmio em Mar-a-Lago e conexões políticas

Em fevereiro de 2026, o marketeiro digital Fernando Cerimedo ganhou o prêmio de “consultor político hispânico do ano”, da organização Latino Wall Street, em cerimônia realizada na residência do presidente dos EUA, Donald Trump, em Mar-a-Lago, na Flórida. Cerimedo recebeu o prêmio das mãos do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, condenado por coação no curso de processo judicial por ter articulado, junto à Casa Branca, o tarifaço contra o Brasil para evitar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Jair Bolsonaro, pai de Eduardo, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a mais de 27 anos de cadeia por tentativa de golpe de Estado.

A premiação de Cerimedo ocorreu meses antes de sua prisão na Bolívia, evidenciando sua proximidade com figuras políticas de direita nas Américas. A fonte não detalhou se o prêmio teve relação com as investigações em curso. O caso Cerimedo, conforme mencionado por Mariaca, gerou preocupações e repercussões em diferentes âmbitos políticos, transcendendo as fronteiras nacionais.

Contexto e próximos passos

O cancelamento do visto de Mariaca pelos EUA ocorre em um momento de tensão entre Washington e La Paz, com acusações mútuas de interferência em assuntos internos. Enquanto o governo americano justifica a medida como parte de sua política anticorrupção, o governo boliviano defende a autonomia de suas instituições judiciais. A fonte não detalhou se haverá retaliação diplomática ou se o caso afetará as relações bilaterais.

As investigações contra Cerimedo na Bolívia seguem em andamento, com o procurador-geral Mariaca à frente do caso, apesar da restrição de visto. A comunidade internacional acompanha o desenrolar dos acontecimentos, especialmente diante das conexões políticas de Cerimedo com líderes de direita na região. A fonte não detalhou o cronograma das investigações ou possíveis desdobramentos judiciais.

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