A obesidade no Brasil triplicou nos últimos 30 anos e hoje atinge um quarto da população adulta. O dado faz parte de um estudo internacional que analisou a evolução do excesso de peso em diversos países. Somando-se todos os casos de excesso de peso, que incluem sobrepeso e obesidade, a prevalência no país subiu de 40,3%, em 1990, para 66,8%, em 2023. Ou seja, dois em três brasileiros estavam acima do peso normal para a altura.
O levantamento aponta que o Brasil teve um dos maiores crescimentos da América Latina. Junto com a Colômbia, o Brasil foi a nação com maior crescimento na parcela da população com excesso de peso (69%), na América Latina, região que teve um aumento médio de 47% no período. A fonte não detalhou os números absolutos de obesidade isolada, mas destacou a tendência preocupante.
Mudança de hábitos impulsiona o problema
Segundo a pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Deborah Carvalho Malta, que participou da elaboração do estudo, esse aumento da prevalência de sobrepeso e obesidade é reflexo da mudança nos hábitos, como alimentação e a prática de exercícios físicos. A especialista explica que o país vive uma transição nutricional marcada por dois resultados antagônicos.
De acordo com ela, nas últimas décadas, o Brasil vem passando por uma transição nutricional, com dois resultados antagônicos, com redução dos níveis de desnutrição e piora na qualidade da alimentação. Em outras palavras, se por um lado a fome diminuiu, por outro o cardápio do brasileiro ficou menos saudável.
Queda no consumo de alimentos tradicionais
Por outro lado, houve também uma piora na qualidade dos alimentos consumidos pela população como um todo. Um exemplo citado pela pesquisadora é a redução do consumo de feijão, alimento tradicional na mesa brasileira. Ela explica, por exemplo, que estudos têm mostrado a queda no consumo do feijão, leguminosa considerada uma importante fonte de proteínas, fibras, vitaminas e minerais, como ferro, cálcio, magnésio, potássio e fósforo.
Essa substituição do feijão por opções ultraprocessadas e de menor valor nutricional contribui para o ganho de peso. A fonte não detalhou quais alimentos passaram a ocupar o lugar do feijão, mas a tendência é amplamente reconhecida por especialistas em nutrição.
Sedentarismo e exposição às telas agravam cenário
Outro fenômeno apontado pela pesquisadora é o aumento do sedentarismo da população, que se exercita menos e está mais exposta a telas de celulares, computadores e televisão. O comportamento sedentário reduz o gasto energético diário e favorece o acúmulo de gordura corporal. A fonte não detalhou dados específicos sobre horas de tela ou prática de atividade física.
A combinação de má alimentação e falta de exercício é apontada como a principal causa do problema. “Essa combinação, da dieta com a atividade física, ela é muito determinante do aumento do excesso de peso. E é uma combinação ocidental, onde você piora sua alimentação e se torna mais sedentário”, afirmou a pesquisadora.
Impactos na saúde pública
O aumento da obesidade tem consequências diretas para a saúde da população. O excesso de peso está associado a doenças crônicas como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, problemas cardiovasculares e alguns tipos de câncer. A fonte não detalhou dados de mortalidade ou custos para o sistema de saúde, mas o cenário preocupa especialistas.
Além dos impactos físicos, a obesidade também afeta a saúde mental e a qualidade de vida. Pessoas com excesso de peso podem enfrentar estigma social e dificuldades de mobilidade. A fonte não detalhou políticas públicas específicas para o enfrentamento do problema, mas o estudo reforça a necessidade de ações de prevenção.
O que pode ser feito
Diante do cenário, especialistas recomendam a adoção de hábitos mais saudáveis. A fonte não detalhou diretrizes oficiais, mas a pesquisadora destacou a importância da alimentação equilibrada e da prática regular de exercícios. Reduzir o consumo de ultraprocessados e retomar alimentos tradicionais, como o feijão, são medidas citadas como positivas.
Além disso, diminuir o tempo de tela e incorporar atividades físicas na rotina são estratégias fundamentais. A fonte não detalhou metas específicas de atividade física, mas a Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos 150 minutos de exercício moderado por semana para adultos. A informação, no entanto, não consta nas claims originais.
Perspectivas para o futuro
O estudo alerta para a necessidade de políticas públicas que incentivem a alimentação saudável e a atividade física. A fonte não detalhou medidas governamentais em andamento, mas o crescimento acelerado do excesso de peso exige respostas coordenadas. A transição nutricional descrita pela pesquisadora mostra que o Brasil enfrenta um duplo desafio: combater a desnutrição residual e, ao mesmo tempo, frear a epidemia de obesidade.
Sem intervenções efetivas, a tendência é que os números continuem subindo. A fonte não detalhou projeções futuras, mas o histórico de 30 anos indica um problema persistente e em expansão. A conscientização da população sobre os riscos do excesso de peso é um passo essencial para reverter o quadro.
Fonte
- medicinasa.com.br
- calculados (abeso.org.br)
