O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, proferiu um discurso desafiante na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, na quinta-feira. A intervenção ocorreu no mesmo dia em que decorreram na cidade protestos convocados contra a sua presença. Netanyahu, que se prepara para as eleições legislativas de outubro, aproveitou o momento para criticar os opositores da guerra em Gaza, bem como os órgãos de comunicação social e os parceiros internacionais.
Delegados abandonam sala durante intervenção
Ao dirigir-se ao púlpito, dezenas de delegados de vários países abandonaram a sala, enquanto o orador pedia silêncio. “Se houver mais cobardes morais que ainda não tenham saído desta sala, que o façam agora”, disse Netanyahu ao público, antes de abordar a guerra com o Irão, que teve início no final de fevereiro, após os ataques norte-americanos e israelitas ao país.
O primeiro-ministro israelita sustentou que o Irão representa uma ameaça existencial para o mundo e que Israel está a “defender muitos dos países cujos delegados acabaram de sair desta sala”.
Críticas ao autarca de Nova Iorque
Netanyahu aproveitou também para criticar o presidente da Câmara de Nova Iorque, Zohran Mamdani, a quem chamou o “autarca antissemita” da cidade. “Desde que foi eleito presidente da câmara desta cidade, muitos judeus deixaram de se sentir seguros”, afirmou Netanyahu. Em resposta, Mamdani afirmou que Netanyahu “usou o seu discurso para repetir mentiras infundadas, com o objetivo de encobrir o seu genocídio contra os palestinianos”.
“No entanto, nenhuma mentira pode alterar o facto de continuar a ser alvo de um mandado de detenção do TPI por alegados crimes de guerra e crimes contra a humanidade”, acrescentou.
Rejeição de acusações e críticas a europeus
Noutro momento do seu discurso, Netanyahu rejeitou as acusações de genocídio em Gaza, afirmando que “é o contrário de genocídio”, e criticou o Reino Unido e a França pela sua crescente oposição a Israel. “Acusam Israel, este pequeno Israel, de colonialismo, de qualquer colonialismo. E quem nos acusa? Entre eles estão pessoas no Reino Unido e em França. Por amor de Deus, foram eles que inventaram o termo”, disse. A declaração foi recebida com reações mistas na sala, mas o primeiro-ministro manteve o tom desafiador.
Protestos em Nova Iorque e detenções
O discurso coincidiu com uma manifestação em Nova Iorque contra Netanyahu. Segundo relatos, a polícia deteve cerca de cem pessoas durante os protestos, incluindo a atriz Susan Sarandon. Imagens da agência noticiosa AFP mostraram a protagonista de “Thelma & Louise” a ser algemada e conduzida por agentes da autoridade. Um porta-voz da polícia de Nova Iorque (NYPD) declarou à agência que os agentes responderam a relatos de uma “manifestação não programada”, na qual as pessoas bloqueavam um cruzamento.
“Os elementos do Community Affairs Bureau da NYPD emitiram vários avisos, aconselhando os participantes a dispersar”, afirmou o porta-voz, acrescentando: “Eles continuaram a bloquear o cruzamento. Várias pessoas que não obedeceram foram detidas”.
Contexto político e reações
O discurso de Netanyahu ocorre num momento de intensa pressão interna e externa sobre o seu governo. As eleições legislativas de outubro aproximam-se, e as críticas à condução da guerra em Gaza têm crescido entre aliados internacionais. A saída de delegados durante a sua intervenção foi interpretada como um sinal de isolamento diplomático, embora o primeiro-ministro tenha procurado inverter a narrativa, apresentando Israel como defensor de valores ocidentais. A fonte não detalhou se houve reações oficiais de outros governos presentes na Assembleia Geral.
