O turista chinês chegou ao Brasil. O Brasil não chegou ao turista chinês. A constatação é de Theo Paul Santana, fundador da Destino China, que vive na China desde 2010 e há quinze anos leva empresários brasileiros ao país. Em artigo publicado na Gazeta Mercantil Digital, ele descreve um viajante que já frequenta aeroportos e hotéis brasileiros, mas que ainda não é compreendido pela indústria turística nacional.
Santana afirma conhecer esse viajante de perto, pois convive com ele há quinze anos do lado de lá. E a primeira coisa que precisa dizer é que ele não é o turista que a indústria brasileira imagina. A imagem estereotipada de grupos enormes seguindo bandeirinhas, comum em destinos europeus, não corresponde à realidade do chinês que desembarca no Brasil.
O perfil real do viajante chinês
O especialista aponta que o turista chinês atual é mais independente, digitalmente conectado e exigente quanto à conveniência. Ele não viaja apenas em excursões fechadas; muitos chegam sozinhos ou em pequenos grupos, planejam tudo pelo celular e esperam que o destino ofereça facilidades tecnológicas equivalentes às que têm em casa.
Essa mudança de comportamento é visível nos aeroportos chineses. Santana destaca um ponto que a estatística não mostra e que ele vê todo mês no aeroporto de Xangai. A fonte não detalhou quais são esses dados, mas a observação direta do autor indica que o fluxo de chineses rumo ao Brasil é constante e crescente, ainda que os números oficiais possam não capturar a totalidade do movimento.
O viajante chinês, segundo o texto, está acostumado a resolver tudo pelo smartphone: pagar, se informar, se locomover e compartilhar experiências. Quando chega a um país que não oferece essas facilidades, a frustração é imediata e se espalha rapidamente nas redes sociais chinesas.
Três passos para conquistar esse turista
Para orientar empresários e gestores públicos, Santana resume o que diria a um hoteleiro, a um dono de restaurante ou a um secretário de turismo que lhe perguntasse por onde começar. São três coisas, nessa ordem. A primeira é receber o dinheiro.
Aceitar Alipay e WeChat Pay no Brasil não é exótico nem difícil: as duas plataformas já operam com adquirentes locais, e a integração é um QR Code no balcão. Um hotel de São Paulo que aceita Alipay hoje é notícia dentro do Xiaohongshu. Um que não aceita é uma reclamação.
A recomendação é clara: sem essas carteiras digitais, o turista chinês se sente limitado e tende a gastar menos. A adesão é simples e pode ser feita por qualquer estabelecimento, desde uma pousada até um quiosque de praia. O impacto, porém, vai além da transação financeira: demonstra respeito e preparo para receber esse público.
Informação e comunicação fazem diferença
O segundo passo, embora não detalhado na íntegra, está implícito na necessidade de informação acessível. O turista chinês busca referências em plataformas como Xiaohongshu, onde avaliações e dicas circulam entre milhões de usuários. Se o destino não oferece conteúdo em mandarim ou não está presente nessas redes, perde relevância.
O terceiro passo envolve a compreensão cultural. Não basta falar inglês; é preciso entender os hábitos, horários e preferências do viajante chinês. Pequenos gestos, como oferecer chá quente ou ter cardápio traduzido, podem transformar a experiência.
Santana alerta que esse apetite existe com ou sem Brasil preparado. A diferença é quanto dele fica no país. O chinês que não consegue pagar, não encontra informação e não é compreendido vai gastar a metade do que gastaria e vai contar isso para os 400 milhões de usuários do Xiaohongshu no dia seguinte.
O custo da negligência
O impacto negativo não se limita a uma única viagem. A reclamação publicada no Xiaohongshu alcança uma audiência massiva e influencia decisões de milhares de potenciais turistas. Em um mercado tão conectado, a reputação de um destino se constrói ou se destrói em poucas horas.
Por outro lado, um estabelecimento que adota as práticas recomendadas pode se tornar referência. O exemplo do hotel paulistano que aceita Alipay e vira notícia positiva no Xiaohongshu ilustra o potencial de marketing orgânico. A visibilidade conquistada dispensa campanhas caras e gera confiança imediata.
O Brasil, com sua diversidade natural e cultural, tem atrativos que interessam ao turista chinês. Mas sem infraestrutura de pagamento, informação adequada e sensibilidade cultural, o país deixa de capturar uma fatia significativa desse mercado em expansão.
Fonte
- startupi.com.br
- www.gazetamercantil.com.br (www.gazetamercantil.com.br)
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