O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, deverá reunir-se pela primeira vez com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante uma reunião da Assembleia Geral da ONU em Nova Iorque, ainda esta terça-feira. O encontro marca um momento simbólico na relação entre os dois líderes, que já conversaram por telefone duas vezes desde julho, quando Burnham assumiu o cargo em Downing Street. A expectativa é que a reunião seja dominada por temas urgentes da agenda internacional, incluindo os conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente.
A conversa deverá ser dominada pelos conflitos em curso na Ucrânia e no Médio Oriente. Prevê-se que Burnham pressione Trump a fornecer mais mísseis intercetores à Ucrânia, bem como a discutir formas de restabelecer o tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz, praticamente bloqueado desde o início, em fevereiro, da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão. Esses dois pontos refletem a prioridade do governo britânico em buscar soluções diplomáticas e militares para crises que afetam a segurança global e o comércio internacional.
Relação prévia entre os líderes
Desde que entrou em Downing Street, em julho, Burnham e Trump já falaram duas vezes. Trump descreveu Burnham como “um tipo simpático”. Por sua vez, Burnham, quando ocupava o cargo de presidente da Câmara da Grande Manchester, tinha declarado que Trump não seria bem-vindo à cidade e que se recusaria a encontrá-lo. Essa mudança de postura reflete a nova abordagem pragmática adotada por Burnham desde que assumiu o cargo de primeiro-ministro.
Desde que se tornou primeiro-ministro, afirmou que procurará “pontos de convergência” com o presidente Trump e seguirá uma abordagem pragmática na relação entre os Estados Unidos e o Reino Unido. Apesar das críticas passadas, o encontro na ONU representa uma oportunidade para ambos os líderes alinharem interesses em áreas como segurança e comércio, ainda que persistam divergências significativas.
Divergências e pontos de tensão
Os analistas admitem que Burnham estará preparado para as críticas, após o seu governo ter decidido proibir o comércio com os colonatos israelitas na Cisjordânia ocupada. Essa medida, anunciada recentemente, gerou atritos com Washington, que historicamente mantém uma postura mais favorável a Israel. Além disso, outras áreas de divergência com Washington poderão incluir a regulamentação das empresas tecnológicas norte-americanas, a imigração e a política energética.
Recentemente, Trump fez várias declarações consideradas polémicas pelo Governo britânico, nomeadamente ao manifestar apoio à reunificação irlandesa e ao colocar em causa o futuro das Ilhas Falkland, um território administrado pelo Reino Unido, mas reivindicado pela Argentina. Essas falas aumentaram a tensão entre os dois países e devem pairar sobre o encontro, ainda que não estejam oficialmente na pauta.
Discurso na Assembleia Geral
Burnham deverá discursar na terça-feira perante a reunião anual de líderes mundiais, onde apresentará a sua visão sobre o papel do Reino Unido numa ordem internacional cada vez mais fragmentada. O discurso deve reforçar a defesa do multilateralismo e a busca por soluções coordenadas para crises globais. A expectativa é que o primeiro-ministro destaque a importância de alianças tradicionais, mesmo diante de divergências pontuais com os Estados Unidos.
O encontro com Trump ocorre em um momento delicado para a diplomacia britânica, que tenta equilibrar a relação especial com Washington e as críticas internas à postura do presidente americano. A reunião bilateral, ainda que breve, será observada de perto por aliados e adversários, pois pode sinalizar o tom da cooperação entre os dois países nos próximos meses.
