Uma troca simultânea de ameaças entre Washington e Teerão reacendeu receios de um regresso a hostilidades abertas na guerra com o Irão, numa altura em que se aproxima a Assembleia Geral da ONU em Nova Iorque, na segunda-feira. As declarações de ambos os lados elevaram a tensão regional, com advertências sobre capacidades militares ainda não utilizadas e preparativos para possíveis confrontos. O cenário preocupa observadores internacionais, que veem risco de escalada descontrolada.
Irã alerta para guerra prolongada
A Guarda Revolucionária iraniana (IRGC) advertiu, na segunda-feira, que a guerra com os Estados Unidos ainda não terminou e que o país se preparou para uma “guerra prolongada” com armas ainda não utilizadas, afirmou o porta-voz Hossein Mohebi. Mohebi acrescentou que o Irão reforçou as suas capacidades de armamento durante e antes da guerra, e classificou os sistemas ainda não utilizados como “estratégicos”, a serem acionados se necessário. A declaração sinaliza que Teerã mantém opções militares em reserva, ampliando a incerteza sobre os próximos passos.
O Estado-Maior das Forças Armadas iranianas, em comunicado conjunto com o quartel-general central Khatam al-Anbiya, afirmou que o controlo do estreito de Ormuz passou para gestão iraniana e garantiu que as suas forças não irão recuar. O quartel-general Khatam al-Anbiya acrescentou, em nota separada, que obteve informações de que os Estados Unidos, com apoio de países regionais não identificados, se preparam para retomar ataques contra o Irão após uma reunião conjunta realizada num país europeu não especificado. A fonte não detalhou a natureza dessas informações nem os países envolvidos.
Trump pondera opções e endurece tom
O presidente norte-americano, Donald Trump, que encurtou o fim de semana em Camp David e regressou à Casa Branca no sábado à noite sem explicação, disse à Fox News que estava a ponderar as opções em relação ao Irão, “se e quando decidir arrasar o país inteiro”. Trump já tinha ameaçado anteriormente “apagar o Irão da face da Terra”, o que provocou forte reação na altura. A retórica presidencial alimenta o clima de confronto, embora a Casa Branca não tenha detalhado planos concretos.
O Departamento de Estado norte-americano emitiu novos avisos de segurança para cidadãos dos Estados Unidos em todo o Médio Oriente, exortando os norte-americanos no Irão a sair de imediato e alertando para possíveis cancelamentos de voos e encerramentos de espaço aéreo. A medida reflete a avaliação de risco elevado por parte de Washington. Autoridades não especificaram o número de cidadãos afetados nem os canais de evacuação disponíveis.
Parlamento iraniano busca tom moderado
O presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, ao apresentar no domingo a posição negocial do Irão numa intervenção parlamentar, declarou que Teerão não tem interesse numa guerra permanente com Washington. A fala contrasta com as advertências militares, sugerindo divisões internas sobre a estratégia a adotar. Ghalibaf não apresentou propostas concretas de diálogo, mas indicou abertura para evitar um conflito prolongado.
Ataques Houthis elevam tensão regional
A escalada de declarações surgiu após ataques dos Huthis, no sábado, contra alvos em Riade e nos arredores da capital saudita, bem como contra instalações da Aramco na cidade portuária de Yanbu, no mar Vermelho, com recurso a mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e drones. Os Houthis afirmaram ter provocado “grandes incêndios” em instalações da Aramco, mas a coligação liderada pela Arábia Saudita disse que os ataques contra Yanbu, Taif, Bisha e Farasan foram neutralizados. A divergência entre as versões não foi esclarecida por fontes independentes.
Numa entrevista à Fox News, Trump afirmou que os Estados Unidos estão “em contacto permanente com os Huthis” e que estes concordaram em não entrar em guerra com Washington. Segundo notícias da comunicação social norte-americana, Trump recusou na semana passada um pedido do príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, para apoio militar direto dos Estados Unidos contra os Houthis. A recusa sugere cautela de Washington em se envolver diretamente no conflito com o grupo iemenita.
