Coreia do Norte lança míssil balístico no Mar do Japão
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A Coreia do Norte realizou neste domingo o lançamento de um “suposto míssil balístico”, conforme informou o gabinete do primeiro-ministro japonês. Em paralelo, os militares sul-coreanos comunicaram que Pyongyang disparou um “projétil não identificado” em direção ao Mar de Leste, também conhecido como Mar do Japão. O episódio reacende as atenções sobre o programa armamentista norte-coreano, em um momento de delicada movimentação diplomática na região.

O lançamento ocorre poucos dias depois de a Coreia do Norte ter rejeitado publicamente uma resolução do organismo de vigilância nuclear da ONU contra seu programa atômico. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) havia adotado a medida como forma de pressionar Pyongyang a retomar o cumprimento de salvaguardas nucleares. A resposta norte-coreana, no entanto, foi categórica e reforçou a postura de desafio do país.

Rejeição à resolução da AIEA

Um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Norte afirmou que a resolução da AIEA “não tem qualquer efeito sobre a posição da RPDC como Estado dotado de armas nucleares”. A declaração, divulgada por canais estatais, sublinha a recusa de Pyongyang em aceitar qualquer limitação externa ao seu arsenal. A RPDC é a sigla oficial do país, República Popular Democrática da Coreia.

A posição norte-coreana ecoa um histórico de distanciamento em relação aos mecanismos multilaterais de controle nuclear. Desde 2009, o país expulsou inspetores da AIEA e retomou testes com material físsil. A rejeição atual, portanto, não representa uma ruptura inédita, mas consolida um padrão de enfrentamento que dificulta qualquer retomada de negociações formais sobre desnuclearização.

Especialistas ouvidos pela imprensa internacional avaliam que a Coreia do Norte busca reforçar sua imagem de potência nuclear consolidada, independentemente das pressões externas. A fonte não detalhou, contudo, se haverá novas medidas retaliatórias por parte de Pyongyang ou de organismos internacionais.

Contexto diplomático com os EUA

O lançamento deste domingo também se insere em um cenário de expectativas e incertezas sobre o diálogo entre Washington e Pyongyang. Em agosto, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse aos jornalistas que o líder norte-coreano, Kim Jong-un, tinha “57 armas nucleares muito poderosas”. Trump voltou a elogiar a relação pessoal que mantém com Kim, um vínculo que marcou seu primeiro mandato.

“Sabem, o facto de eu me dar bem com ele é uma coisa boa, não má”, afirmou Trump na ocasião. O ex-presidente acrescentou que o arsenal nuclear de Pyongyang “nunca” deveria ter sido permitido, sugerindo que a comunidade internacional falhou em conter o avanço do programa. As declarações foram feitas em um contexto de campanha eleitoral, mas reacenderam o debate sobre a eficácia da diplomacia personalista.

Na altura, Trump anunciou igualmente que tencionava reunir-se com Kim ainda este ano, embora não tenha dado mais detalhes sobre o plano. Se concretizado, seria o primeiro encontro entre os dois desde o primeiro mandato de Trump na Casa Branca, quando realizaram cúpulas em Singapura, Hanói e na Zona Desmilitarizada. A fonte não detalhou se houve avanços concretos nesse sentido após o anúncio.

Seul busca facilitar diálogo

Na sexta-feira, o presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, afirmou que estava a “exortar” Trump a manter o diálogo com Pyongyang. Lee acrescentou que Seul está a trabalhar ativamente para facilitar conversações entre o Norte e os Estados Unidos, em um esforço para reduzir as tensões na península. A postura sul-coreana reflete a preocupação com a escalada militar e a busca por canais de comunicação.

“Não posso dizer com certezas qual é a probabilidade, mas também é claro que temos de fazer todos os possíveis para transformar essa possibilidade em realidade”, afirmou Lee, sobre um eventual encontro entre responsáveis norte-americanos e norte-coreanos. A declaração foi feita em um fórum regional, segundo a imprensa local, e indica que Seul aposta na diplomacia como ferramenta prioritária.

Ainda assim, as expectativas de uma reunião iminente poderão ter arrefecido depois de a influente irmã de Kim, Kim Yo Jong, ter criticado recentes exercícios militares no Pacífico ocidental. Kim Yo Jong classificou as manobras como um “ensaio de guerra liderado pelos Estados Unidos”, sinalizando que Pyongyang vê as atividades conjuntas como provocação direta.

Exercícios trilaterais e resposta de Pyongyang

Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão concluíram, a 11 de setembro, o exercício Freedom Edge 26. Segundo o Comando do Pacífico norte-americano, a operação reforçou a “preparação trilateral em todo o Indo-Pacífico”. O exercício envolveu ativos navais e aéreos dos três países, em uma demonstração de coordenação militar sem precedentes na região.

Kim Yo Jong, em declaração divulgada na sexta-feira pela agência estatal norte-coreana KCNA, afirmou: “A nossa vontade de defender a soberania será expressa em ações mais claras e nunca haverá qualquer mudança na via do reforço da dissuasão de guerra nuclear”. A fala reforça a determinação de Pyongyang em responder a qualquer pressão militar com o fortalecimento de seu arsenal.

A crítica de Kim Yo Jong aos exercícios não é isolada. Historicamente, a Coreia do Norte reage a manobras conjuntas com testes de mísseis ou declarações beligerantes. O lançamento deste domingo, portanto, pode ser interpretado como parte desse padrão de resposta, embora a fonte não tenha estabelecido uma ligação causal explícita entre os eventos.

Implicações regionais e próximos passos

O novo lançamento ocorre em um momento de incerteza sobre o futuro das negociações nucleares. A combinação de rejeição à AIEA, críticas a exercícios militares e o disparo de um projétil não identificado sugere que Pyongyang mantém sua estratégia de pressão máxima. Para Tóquio e Seul, o desafio é equilibrar dissuasão militar com canais diplomáticos viáveis.

Analistas ouvidos pela imprensa japonesa avaliam que o lançamento pode ter como objetivo testar a resposta da nova administração americana, caso Trump retorne à Casa Branca. A fonte não detalhou, porém, se houve comunicação prévia entre as partes ou se o disparo foi detectado por sistemas de alerta antecipado. O governo japonês afirmou estar em coordenação com aliados para monitorar a situação.

Enquanto isso, a comunidade internacional observa com apreensão. A Coreia do Norte segue sendo o único país a realizar testes nucleares no século XXI, e seu programa de mísseis balísticos avançou significativamente nos últimos anos. O episódio deste domingo, embora ainda sem detalhes completos, reforça a urgência de uma estratégia regional coesa para lidar com Pyongyang.

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