IA em escritórios: nova transformação no planejamento
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Um terço dos ocupantes corporativos do Brasil, México, Chile e Colômbia ouvidos pela pesquisa afirma que a IA já impacta diretamente suas decisões de planejamento de espaço, enquanto outros 34% esperam que esse impacto aconteça nos próximos dois anos. O levantamento, divulgado recentemente, aponta uma nova fase de transformação nos escritórios, sucedendo as mudanças trazidas pelo home office e pelo trabalho híbrido. A constatação coloca a inteligência artificial como um fator relevante para o setor imobiliário corporativo na região.

IA já influencia decisões de espaço

De acordo com os dados, a presença da inteligência artificial no planejamento de escritórios é uma realidade para uma parcela significativa das empresas latino-americanas. O estudo indica que a tecnologia não apenas chegou ao ambiente corporativo, mas passou a orientar escolhas sobre layout, metragem e distribuição de áreas. Ainda assim, a fonte não detalhou quais setores ou perfis de empresas lideram essa adoção. A tendência, porém, é de crescimento, já que mais de um terço dos respondentes projeta impacto em até dois anos.

Essa expectativa sugere que a IA deixará de ser um diferencial para se tornar um critério comum no setor.

O estudo aponta, no entanto, que esse impacto não envolve a redução da ocupação de escritórios – mesmo em casos de reformulação do quadro das empresas diante do avanço da inteligência artificial. Ou seja, a adoção de IA não está esvaziando os prédios corporativos, ao menos por enquanto. A principal transformação, segundo César, é o balanceamento de espaço dentro dos escritórios. Trata-se de uma continuação da mudança iniciada pelo trabalho híbrido, especialmente na valorização de áreas colaborativas e na busca por localização privilegiada.

Mudança interna, não redução de área

O foco das empresas, portanto, está na reorganização dos ambientes já ocupados, e não na diminuição do espaço total. A valorização de áreas colaborativas reflete a necessidade de interação presencial em um contexto de trabalho cada vez mais mediado por tecnologia. Além disso, a busca por localização privilegiada indica que a qualidade do endereço segue como fator competitivo. A fonte não detalhou quais regiões ou cidades concentram essa demanda. A transição, contudo, é gradual e acompanha a evolução das práticas de trabalho.

Ainda assim, é possível que o mercado imobiliário não saia ileso da nova onda de IA. Pesquisa realizada pela consultoria Newmark nos Estados Unidos – maior mercado corporativo do mundo – apontou risco de desaceleração de contratações e de leve aumento da vacância nos prédios de escritórios. Com a desaceleração das contratações, é esperado um leve aumento da vacância dos escritórios, que passaria de 21,4% ao final de 2025 para 21,5% em 2030 no cenário-base. Na projeção mais negativa, o indicador subiria a 23,5%.

Projeções para o mercado americano

Os números da Newmark indicam que, mesmo no cenário-base, a vacância tende a crescer ligeiramente nos próximos anos. A diferença de 0,1 ponto percentual entre 2025 e 2030 pode parecer pequena, mas sinaliza uma estabilização em patamar elevado. No cenário mais pessimista, o aumento seria mais expressivo, alcançando 23,5%. A consultoria não detalhou os fatores que levariam a esse cenário negativo. Ainda assim, os dados reforçam a cautela do setor diante da automação e da inteligência artificial.

O estudo estima que, até 2030, é mais provável que a IA altere quais profissionais ocupam os escritórios e onde essa demanda está concentrada, “em vez de alterar de forma fundamental o papel do trabalho de escritório e desses imóveis na economia”. Ou seja, a tecnologia deve remodelar o perfil dos ocupantes e a geografia da demanda, mas não eliminar a função dos escritórios. A afirmação consta no relatório da Newmark e indica uma visão de continuidade, não de ruptura. A fonte não detalhou quais profissões seriam mais afetadas.

Compensação de vagas é possível

Já a Cushman & Wakefield estima que uma possível redução nos postos de trabalho causada pela IA pode ser compensada pela chegada de novas vagas abertas pelo avanço da tecnologia. Em estudo publicado em maio deste ano sobre o mercado dos EUA, a consultoria avalia que o cenário mais favorável pode levar as empresas a transformar os ganhos de produtividade em aumento de receita e novos investimentos.

“Nesse caso, o crescimento não viria simplesmente de uma expansão da demanda existente, mas do surgimento de novas empresas, ocupações e necessidades de espaço – com vantagem para escritórios de maior qualidade, flexíveis e voltados à colaboração”, informa o relatório.

Essa perspectiva sugere que a IA pode, em um cenário otimista, gerar novas demandas por espaços corporativos, especialmente aqueles com atributos de qualidade e flexibilidade. A consultoria não detalhou quais setores liderariam essa expansão. A visão contrasta com a projeção mais conservadora da Newmark, evidenciando a incerteza que ronda o setor. Ambas as análises, porém, reconhecem que a tecnologia terá efeitos relevantes sobre o mercado de escritórios.

Desafio de adoção e preparação

Existe, no entanto, um desafio de adoção e de preparação para o impacto que a inteligência artificial pode ter nos escritórios. “Essa lacuna reflete a complexidade de avaliar o impacto de uma tecnologia que ainda está nos estágios iniciais de adoção corporativa. Os efeitos sobre a força de trabalho não são claros, e a maioria das empresas permanece em fase de avaliação”, pontua a pesquisa. A declaração evidencia que, apesar do interesse, muitas organizações ainda não definiram estratégias claras para integrar a IA ao planejamento imobiliário.

O cenário, portanto, é de transição e aprendizado. As empresas latino-americanas já percebem a influência da IA, mas ainda não há consenso sobre como ela moldará os escritórios no longo prazo. As projeções variam entre leve aumento de vacância e surgimento de novas demandas por espaços de qualidade. A fonte não detalhou prazos para que essa indefinição se resolva. Enquanto isso, o setor acompanha atento os desdobramentos dessa nova transformação.

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