Open Finance personalização: consumidor quer streaming
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O consumidor brasileiro passou a esperar das instituições financeiras o mesmo nível de personalização que encontra nos serviços de streaming. A expectativa por experiências sob medida, que antecipem necessidades e ofereçam produtos relevantes, deixou de ser um diferencial para se tornar um requisito básico. Essa mudança de comportamento encontra respaldo na evolução da infraestrutura financeira do país, especialmente com o avanço do Open Finance.

Open Finance cresce e sustenta personalização

Em meados de junho de 2025, o Open Finance já somava mais de 61 milhões de consentimentos ativos únicos e registrava mais de 3,5 bilhões de chamadas semanais às APIs de compartilhamento de dados, segundo o Banco Central. Em 2023, eram pouco mais de 1 bilhão de chamadas semanais. O crescimento expressivo indica que mais consumidores estão dispostos a compartilhar seus dados para obter serviços mais alinhados ao seu perfil.

Esse volume de chamadas semanais reflete a intensidade com que as instituições financeiras acessam informações de clientes, sempre mediante autorização prévia. A infraestrutura permite que bancos, fintechs e outras empresas construam ofertas personalizadas com base em histórico de transações, perfil de consumo e necessidades específicas. Assim, o Open Finance se consolida como a espinha dorsal da personalização no setor financeiro.

Consentimento é a chave da confiança

No Open Finance, o consentimento é uma peça central justamente porque o consumidor autoriza e pode revogar o acesso aos seus dados. Para as empresas, isso deveria significar uma mudança de mentalidade: o dado do cliente não deve ser tratado como um ativo que a instituição possui, mas como uma informação que lhe foi confiada para uma finalidade específica. Essa visão coloca o consumidor no controle e exige transparência sobre o uso das informações.

A possibilidade de revogar o consentimento a qualquer momento reforça a necessidade de as instituições manterem práticas éticas e seguras. Quando o cliente percebe que seus dados são usados apenas para melhorar sua experiência, a confiança aumenta e o compartilhamento se torna mais frequente. Dessa forma, o consentimento deixa de ser uma formalidade e passa a ser um pilar da relação entre consumidor e instituição financeira.

Expectativa por experiências sob medida

O consumidor que se acostumou com recomendações precisas de filmes e músicas em plataformas de streaming não aceita mais ofertas genéricas de produtos financeiros. Ele espera que o banco conheça seu perfil, antecipe suas necessidades e apresente soluções relevantes no momento certo. Essa expectativa pressiona as instituições a investirem em análise de dados e inteligência artificial para entregar experiências verdadeiramente personalizadas.

Além disso, a personalização não se limita a ofertas de crédito ou investimentos. Ela abrange a comunicação, o atendimento e até a interface dos aplicativos, que devem se adaptar ao comportamento de cada usuário. O Open Finance fornece a matéria-prima para essa customização, mas cabe às empresas transformar os dados em valor percebido pelo cliente. A transição exige não apenas tecnologia, mas também uma cultura organizacional centrada no consumidor.

Desafios e oportunidades para o setor

Apesar do avanço, ainda há desafios para que a personalização alcance o nível dos streamings. A segurança dos dados, a clareza nas autorizações e a educação do consumidor sobre os benefícios do compartilhamento são pontos críticos. As instituições precisam demonstrar, na prática, que o uso dos dados resulta em vantagens concretas, como taxas mais justas ou produtos sob medida.

Por outro lado, as oportunidades são enormes para quem conseguir unir personalização e confiança. O crescimento dos consentimentos ativos e das chamadas às APIs indica um terreno fértil para inovação. A fonte não detalhou projeções futuras, mas a tendência aponta para uma integração cada vez maior entre dados financeiros e experiências personalizadas. O consumidor, acostumado à curadoria dos streamings, não deve aceitar menos do setor financeiro.

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