O Hospital Unimed Criciúma passou a utilizar o chamado ‘Prontuário Afetivo’ durante internações, uma ferramenta que reúne informações pessoais dos pacientes para além do quadro clínico. A iniciativa coleta dados como preferências musicais, comida favorita, apelido e time de futebol, compartilhando-os com a equipe assistencial. O objetivo é facilitar a aproximação e a comunicação entre profissionais, pacientes e familiares no ambiente hospitalar.
Como funciona o prontuário afetivo
Por meio do ‘Prontuário Afetivo’, a equipe reúne gostos pessoais, como preferências musicais, comida favorita, apelido e até o time de futebol do paciente. As informações são compartilhadas com a equipe assistencial para ajudar na aproximação e na comunicação durante a internação. Essa prática permite que médicos, enfermeiros e técnicos conheçam o paciente de forma mais ampla, indo além do diagnóstico e dos procedimentos. A ferramenta é preenchida com a colaboração de familiares e do próprio paciente, quando possível. Assim, cada detalhe registrado contribui para um cuidado mais individualizado.
A psicóloga hospitalar Denise Aguiar explica o impacto dessa abordagem. “Quando a gente traz informações da pessoa para a equipe, eles conseguem interagir espontaneamente. A família percebe que nós estamos olhando não só como paciente, mas como alguém com suas particularidades e personalidade”, afirma. A fala destaca a mudança de perspectiva promovida pelo prontuário, que valoriza a identidade do indivíduo em meio à rotina hospitalar.
Fotografias na UTI e resgate cognitivo
A personalização também pode envolver fotografias da família, que são levadas para o ambiente da UTI mesmo quando o paciente está sedado ou entubado. Além de aproximar os familiares do processo durante a internação, as imagens podem ser utilizadas posteriormente para ajudar no resgate cognitivo do paciente após acordar. A presença de fotos no leito cria um vínculo visual com a vida fora do hospital, servindo como estímulo afetivo e referência de realidade. Profissionais relatam que esse recurso contribui para reduzir a sensação de impessoalidade em unidades críticas.
Denise detalha o procedimento: “Às vezes ele está entubado, ainda sedado, mas a gente já pede as fotos e informações. É uma forma da família estar mais perto e de participar do tratamento. Quando esse paciente acorda, ele normalmente fica um pouco desorientado por causa das medicações, então nós buscamos auxiliar na orientação cognitiva também com essas fotos”, conta. A estratégia integra o suporte emocional ao cuidado clínico, reconhecendo a importância da memória afetiva na recuperação.
Psicologia como ponto de segurança
A atuação da Psicologia Hospitalar vai além do acompanhamento emocional. A equipe também atua como uma referência para pacientes e familiares e faz a mediação de necessidades que podem surgir durante a hospitalização. O psicólogo atua como elo entre a equipe médica, o paciente e seus familiares, facilitando a comunicação e o entendimento das orientações. Em momentos de fragilidade, a escuta qualificada e o acolhimento tornam-se ferramentas essenciais para reduzir a ansiedade e o medo.
O profissional também ajuda a identificar demandas não expressas verbalmente, como inseguranças ou dúvidas sobre o tratamento.
“Às vezes, a única coisa que eu posso fazer que vai surtir algum efeito é só dar a mão e ficar perto. O paciente precisa de um ponto de segurança”, comenta a psicóloga. A declaração evidencia que o suporte psicológico não se limita a intervenções técnicas, mas inclui a presença empática e o gesto de proximidade. Essa postura contribui para que o paciente se sinta amparado em um ambiente muitas vezes hostil e desconhecido.
Integração com a equipe assistencial
O ‘Prontuário Afetivo’ não substitui o prontuário clínico, mas o complementa com informações subjetivas que humanizam o atendimento. A equipe assistencial recebe os dados de forma organizada, podendo consultá-los antes de interagir com o paciente. Isso permite, por exemplo, que um profissional de enfermagem pergunte sobre o time do coração ou coloque uma música preferida durante um procedimento. A prática é simples, mas tem potencial para transformar a experiência de internação, tanto para o paciente quanto para os familiares.
A fonte não detalhou se há treinamento específico para o preenchimento do prontuário, mas a iniciativa já está em uso no hospital.
A adesão da família é fundamental para o sucesso da ferramenta. Parentes e amigos próximos são convidados a compartilhar informações que considerem relevantes, como hábitos, preferências e histórias significativas. Quanto mais detalhado o prontuário, maior a possibilidade de a equipe criar conexões genuínas. O hospital não divulgou números sobre quantos pacientes já foram beneficiados, mas a prática demonstra um movimento em direção a um cuidado mais centrado na pessoa.
Benefícios para pacientes e familiares
Para os pacientes, o ‘Prontuário Afetivo’ oferece a chance de serem vistos além da doença, preservando sua identidade e autonomia. Saber que a equipe conhece seus gostos e histórias pode reduzir a sensação de isolamento e aumentar a confiança no tratamento. Para os familiares, a participação ativa no preenchimento do prontuário e no envio de fotos fortalece o sentimento de contribuição e proximidade, mesmo quando não podem estar fisicamente presentes o tempo todo.
A ferramenta também serve como ponte para conversas mais leves, que aliviam a tensão típica de ambientes hospitalares.
Além disso, o uso de fotografias e informações pessoais pode auxiliar na reorientação do paciente após períodos de sedação ou confusão mental. Ao ver imagens de entes queridos e ouvir referências a sua rotina, o paciente pode recuperar mais rapidamente a noção de tempo, espaço e identidade. Esse processo de resgate cognitivo é especialmente relevante em UTIs, onde a desorientação é comum. A fonte não detalhou protocolos de avaliação, mas a prática é descrita como parte do cuidado diário.
Perspectivas da humanização hospitalar
A adoção do ‘Prontuário Afetivo’ pelo Hospital Unimed Criciúma reflete uma tendência crescente de humanização na saúde. Iniciativas que consideram a subjetividade do paciente tendem a melhorar a satisfação e a adesão ao tratamento. Embora a fonte não tenha fornecido dados comparativos, a fala da psicóloga sugere que a equipe percebe mudanças positivas na interação com os pacientes. A ferramenta é um exemplo de como pequenas ações podem ter grande impacto no bem-estar emocional durante a internação.
O hospital não informou se o ‘Prontuário Afetivo’ será expandido para outras unidades ou se há planos de pesquisa sobre seus efeitos. No entanto, a iniciativa já demonstra um compromisso com um cuidado que valoriza a pessoa em sua totalidade. Ao unir técnica e afeto, o Hospital Unimed Criciúma aponta um caminho possível para tornar a experiência hospitalar menos impessoal e mais acolhedora.
