O Sistema Único de Saúde (SUS) enfrenta um desafio silencioso e urgente: a cada ano, entre 300 mil e 400 mil brasileiros sofrem um infarto agudo do miocárdio. Somam-se a isso 292 mil atendimentos por Acidente Vascular Cerebral (AVC) registrados em 2025, dos quais 218 mil foram do tipo isquêmico, o mais comum. Diante desse cenário, a oferta de medicamentos trombolíticos — capazes de dissolver coágulos e restabelecer o fluxo sanguíneo — surge como uma estratégia decisiva para salvar vidas e reduzir incapacidades.
Os trombolíticos podem ser utilizados tanto no infarto quanto no AVC isquêmico, conforme avaliação clínica. Eles atuam diretamente na dissolução dos trombos que obstruem os vasos sanguíneos, ajudando a restabelecer a circulação do sangue. No entanto, o sucesso do tratamento depende de um fator crítico: a rapidez no diagnóstico e no início da terapia.
Como agem os trombolíticos no organismo
Quando um coágulo bloqueia uma artéria coronária ou cerebral, as células da região afetada começam a morrer por falta de oxigênio. Os trombolíticos, como a tenecteplase, têm a função de dissolver esse coágulo, permitindo que o sangue volte a circular. No infarto, o medicamento pode ser indicado principalmente quando procedimentos de maior complexidade, como a angioplastia, não estão disponíveis no tempo recomendado. Assim, o paciente pode receber o medicamento enquanto a continuidade do cuidado é organizada na rede.
No AVC isquêmico, a janela terapêutica é ainda mais estreita: geralmente, o trombolítico deve ser administrado em até 4,5 horas do início dos sintomas. Por isso, cada minuto conta. A rapidez no diagnóstico e no início da terapia aumenta as chances de sobrevivência e reduz o risco de sequelas, como paralisias e dificuldades de fala.
É importante destacar que o uso do trombolítico não é indicado para todos os pacientes. A avaliação da equipe de saúde é essencial para descartar contraindicações, como sangramentos ativos ou histórico de cirurgia recente. A fonte não detalhou os critérios clínicos específicos, mas reforçou que a decisão segue protocolos assistenciais estabelecidos.
O papel do SAMU 192 na terapia precoce
Desde 2014, o Ministério da Saúde possibilita, por meio da Portaria nº 2.777/2014, o repasse de recursos para o uso do trombolítico tenecteplase pelo SAMU 192. O medicamento pode ser administrado nas Unidades de Suporte Avançado de Vida habilitadas, após avaliação da equipe de saúde e conforme os protocolos assistenciais. Isso significa que, em vez de esperar a chegada ao hospital, o paciente pode receber a medicação ainda na ambulância, ganhando tempo precioso.
Atualmente, 102 unidades do SAMU 192 estão habilitadas para receber o recurso em sete estados. O Ceará concentra 28 unidades, seguido por Minas Gerais, com 22; Sergipe, com 16; Rio Grande do Norte, com 13; Bahia, com 12; São Paulo, com nove; e Paraíba, com duas. A distribuição desigual chama a atenção: estados do Sul e Centro-Oeste não aparecem na lista, o que pode indicar lacunas na cobertura nacional.
A habilitação de uma unidade envolve treinamento das equipes, adequação de equipamentos e integração com a rede hospitalar. A fonte não detalhou os critérios para habilitação, mas destacou que o repasse de recursos é condicionado ao cumprimento de requisitos técnicos.
Benefícios para pacientes e sistema de saúde
O uso de trombolíticos no pré-hospitalar traz benefícios que vão além da sobrevivência imediata. Ao dissolver o coágulo rapidamente, o medicamento reduz a extensão do dano ao músculo cardíaco ou ao tecido cerebral, o que se traduz em menor tempo de internação, menos complicações e melhor qualidade de vida após o evento. Para o sistema de saúde, isso pode significar economia com reabilitação e cuidados de longo prazo.
No infarto, por exemplo, pacientes que recebem o trombolítico em tempo hábil têm menor probabilidade de desenvolver insuficiência cardíaca. No AVC, a terapia precoce está associada a menores taxas de incapacidade permanente. A fonte não apresentou dados comparativos de desfechos, mas ressaltou que a rapidez é determinante para o prognóstico.
Além disso, a administração pelo SAMU 192 evita atrasos causados por deslocamento até hospitais sem capacidade de realizar angioplastia. O paciente pode ser estabilizado e, em seguida, transferido para uma unidade de referência, se necessário.
Desafios e perspectivas de expansão
Apesar dos avanços, a cobertura de 102 unidades em apenas sete estados revela um caminho longo pela frente. A concentração no Nordeste, especialmente no Ceará, sugere que políticas estaduais e regionais influenciam a adesão ao programa. A fonte não detalhou os motivos para a ausência de outras unidades da federação, mas a disparidade é um ponto de atenção para gestores públicos.
Para ampliar o acesso, seria necessário investir em capacitação profissional, aquisição de medicamentos e integração entre os serviços de emergência e os hospitais. A portaria de 2014 já prevê o repasse de recursos, mas a efetiva implementação depende de articulação local.
Especialistas ouvidos pela reportagem — embora a fonte não tenha detalhado nomes ou credenciais — reforçam que a educação da população sobre os sinais de infarto e AVC é igualmente crucial. Reconhecer sintomas como dor no peito, fraqueza súbita, dificuldade para falar e desvio da boca pode acelerar a chamada ao 192 e, consequentemente, o início do tratamento.
Como identificar os sinais de alerta
No infarto, o sintoma mais comum é dor ou desconforto no peito, que pode irradiar para o braço esquerdo, costas, mandíbula ou estômago. Também podem ocorrer falta de ar, sudorese fria, náuseas e tontura. No AVC, os sinais clássicos incluem fraqueza ou dormência em um lado do corpo, dificuldade para falar ou compreender, alteração visual súbita e perda de equilíbrio.
Diante de qualquer um desses sintomas, a orientação é acionar imediatamente o SAMU 192. Não se deve esperar os sintomas passarem ou tentar ir ao hospital por conta própria, pois a avaliação médica precoce é essencial para indicar o trombolítico com segurança.
A fonte não detalhou campanhas educativas em andamento, mas a divulgação dessas informações é parte integrante das estratégias de saúde pública para reduzir a mortalidade por doenças cardiovasculares.
O que diz a legislação e os próximos passos
A Portaria nº 2.777/2014 foi um marco ao reconhecer o papel do SAMU 192 na administração de trombolíticos. No entanto, a implementação ainda é incipiente em muitas regiões. A nova lei mencionada no título da matéria — cujo número e data não foram fornecidos pela fonte — pode representar um reforço legal para ampliar a oferta, mas os detalhes não foram detalhados.
Para que a terapia chegue a mais brasileiros, será necessário monitorar a habilitação de novas unidades, garantir o abastecimento do medicamento e avaliar os desfechos clínicos. A transparência nos dados de atendimento e a padronização de protocolos também são fundamentais.
Enquanto isso, a população pode contribuir conhecendo os sinais de alerta e acionando o serviço de emergência sem demora. A combinação de políticas públicas eficazes e ação rápida da comunidade é a chave para transformar a estatística de 300 mil a 400 mil infartos anuais em histórias de sobrevivência.
