Guerra eleva petróleo acima de US$ 100 e derruba Ibovespa em dólar
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Os investidores digerem mais um dia de acirramento das tensões entre Estados Unidos e Irã nesta quarta-feira (9). Enquanto ainda era madrugada no Brasil, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado 10 navios petroleiros após os EUA anunciaram ter destruído cinco navios iranianos. Esse é mais um capítulo da escalada das tensões de um conflito que já dura seis meses. Como resultado do ataque de hoje, o barril do petróleo Brent, usado de referência internacional de preços, avançou para US$ 100 após uma alta de mais de 2,5%.

A disparada dos preços da commodity — e o consequente impacto na inflação — é o pano de fundo do cenário local, que digere o chamado “trade eleitoral”.

Petróleo dispara com ataque a navios

Os preços do petróleo sobem hoje, refletindo a escalada militar no Oriente Médio. O barril do Brent avançou 2,78%, cotado a US$ 100,68, enquanto o WTI subiu 2,40%, a US$ 95,26. A alta reflete o temor de interrupções no fornecimento global da commodity, uma vez que a região concentra parcela significativa da produção mundial. O ouro, por sua vez, recuou 0,07%, a US$ 4.435,09 por onça-troy, sinalizando que parte dos investidores ainda busca ativos de risco em meio à volatilidade.

Esse movimento ocorre em um contexto de agenda esvaziada tanto aqui quanto lá fora, o que coloca a alta do petróleo em foco. A ausência de indicadores econômicos de peso nos Estados Unidos e no Brasil amplia a sensibilidade dos mercados a eventos geopolíticos. Enquanto isso, no panorama local, os investidores acompanham o empate técnico no segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A indefinição eleitoral adiciona uma camada extra de incerteza aos negócios, influenciando a precificação de ativos brasileiros.

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Ibovespa em dólar recua com aversão ao risco

O iShares MSCI Brazil (EWZ) — principal ETF brasileiro negociado em Nova York — recua 0,62%, cotado a US$ 38,61. Esse indicador reflete a percepção de investidores estrangeiros sobre o mercado acionário brasileiro, que tende a sofrer em momentos de aversão global ao risco. A queda do EWZ contrasta com o desempenho positivo do Ibovespa na sessão anterior, quando o índice foi impulsionado pelo cenário eleitoral e pela alta do petróleo.

Nesta terça-feira (8), o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com alta de 1,20%, aos 187.366,84 pontos. Mais cedo, o Ibovespa disparou e chegou a subir mais de 2,34%, aos 189.487,70 pontos, tocando o maior nível desde abril. Já o dólar à vista encerrou as negociações a R$ 5,0858, em queda de 0,88%. A valorização do real na véspera refletiu o fluxo de capital estrangeiro atraído pelo diferencial de juros e pela melhora nas perspectivas políticas, mas o cenário mudou com a intensificação do conflito.

Agenda local tem fluxo cambial e eleição

No Brasil, os números do fluxo cambial são o destaque do dia. Esse indicador mede a entrada e saída de dólares do país, sendo um termômetro da confiança de investidores estrangeiros. A divulgação ocorre em um momento de elevada sensibilidade, uma vez que o real tem oscilado conforme as pesquisas eleitorais e os desdobramentos geopolíticos. A fonte não detalhou o horário exato da divulgação, mas a expectativa é de que os dados influenciem a cotação da moeda americana ao longo do dia.

Além do fluxo cambial, a agenda oficial inclui compromissos de autoridades brasileiras. Às 12h, está prevista partida para Teresina para agenda local, e às 12h30, um almoço institucional com representantes do Jornal O Globo. No exterior, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, viaja para Colômbia, Peru e Equador, enquanto o presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, discursa às 14h em jantar do Banco Central da Alemanha. Esses eventos, embora não diretamente ligados ao mercado, podem gerar ruídos pontuais.

Mercados globais operam no vermelho

As bolsas asiáticas fecharam sem um único sinal hoje. A abertura na Europa e os índices futuros dos Estados Unidos também operam no vermelho nas primeiras horas do dia. Esse comportamento reflete a cautela generalizada diante do risco de uma escalada militar mais ampla, que poderia afetar o comércio global e as cadeias de suprimentos. A alta do petróleo, embora beneficie empresas exportadoras da commodity, tende a pressionar os custos de produção e a inflação em diversos países.

No campo dos indicadores, a atualização semanal de emprego da ADP (Estados Unidos) é o principal destaque no exterior, com divulgação prevista para as 09h15. Esse dado é visto como uma prévia do relatório oficial de empregos (payroll) e pode influenciar as expectativas para a política monetária do Federal Reserve. Além disso, às 18h30 (horário local), ocorre a “2ª Reunião dos Ministros das Finanças e Presidentes dos Bancos Centrais do BRICS”, em Mumbai, Índia, com participação fechada à imprensa.

No Brasil, uma autoridade viaja ao exterior às 06h30, sendo substituída por Ailton de Aquino Santos.

Criptomoedas avançam em meio à incerteza

O mercado de criptomoedas avança hoje, contrariando o tom negativo das bolsas tradicionais. Esse movimento pode ser interpretado como uma busca por ativos alternativos em um cenário de tensão geopolítica e inflação elevada. A valorização das moedas digitais também reflete a liquidez global ainda abundante, apesar dos temores de aperto monetário. A fonte não detalhou quais criptomoedas lideram os ganhos, mas o avanço é generalizado.

O ouro, tradicional ativo de refúgio, recuou levemente, o que sugere que parte dos investidores prefere manter posições em renda variável ou em ativos digitais. A volatilidade deve permanecer elevada ao longo do dia, especialmente se houver novos desdobramentos no conflito entre EUA e Irã. A combinação de petróleo acima de US$ 100, eleição indefinida no Brasil e agenda econômica fraca cria um ambiente propício para oscilações bruscas nos preços dos ativos.

Perspectivas para os próximos dias

A continuidade das tensões no Oriente Médio deve manter o petróleo em patamares elevados, com possíveis impactos na inflação global e nas decisões de bancos centrais. No Brasil, o segundo turno eleitoral segue como principal catalisador doméstico, com pesquisas mostrando empate técnico entre os candidatos. A divulgação do fluxo cambial e os dados de emprego nos EUA podem trazer novas pistas sobre o rumo dos mercados.

Os investidores devem permanecer atentos aos desdobramentos geopolíticos e às sinalizações de autoridades monetárias. A volatilidade tende a ser a tônica das próximas sessões, exigindo cautela na alocação de recursos. A fonte não detalhou projeções específicas para o Ibovespa ou para o câmbio, mas o cenário atual sugere que a aversão ao risco pode persistir no curto prazo.

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