7 ações do Ibovespa mais expostas aos juros altos
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O peso dos juros altos sobre os balanços das empresas brasileiras ficou evidente na temporada de resultados do segundo trimestre. Um levantamento da TAG Investimentos, gestora com R$ 18 bilhões em ativos sob administração, ao qual o InvestNews teve acesso em primeira mão, revela que o resultado financeiro líquido de uma amostra de 44 empresas do Ibovespa (excluindo a Petrobras) consumiu 6,6% da receita dessas companhias, ante 5,3% um ano antes.

Em outras palavras, para cada R$ 100 faturados, quase R$ 7 foram destinados apenas ao pagamento de juros. Esse aperto tem levado empresas como Raízen, Casas Bahia, Braskem, GPA, Light e Grupo Toky a pedir recuperação judicial ou extrajudicial para renegociar dívidas. Em todos esses casos, investidores que compraram ações ou papéis da dívida tiveram que amargar perdas que podem não ser recuperadas tão cedo – ou talvez nunca mais.

Como medir a exposição aos juros

Para o investidor, há algumas formas de entender e descobrir o quão exposta ou não está uma empresa que tem dívidas. Uma das mais comuns adotadas no mercado é analisar a relação entre o lucro operacional (medido pelo Ebit, o lucro antes de juros e impostos) e a despesa financeira com pagamento de juros do período.

No mundo da análise financeira, essa métrica é chamada de “índice de cobertura de juros”. Quanto maior o número, mais saudável a empresa. Em linhas gerais, uma empresa cujo lucro operacional seja capaz de cobrir com folga a despesa financeira com juros – acima de 3 vezes, por exemplo – tem uma saúde melhor sob esse ponto de vista.

Se o índice for de 3 vezes, como citado, por exemplo, isso significa que o lucro operacional de um exercício (trimestre ou ano) seria capaz de pagar três vezes os gastos com juros: é considerada uma margem de segurança confortável. O sinal de alerta, segundo o time de analistas da TAG, vem quando esse indicador está abaixo de 1,5 vez. Abaixo desse ponto, a companhia entra em uma “zona vulnerável”, em que o custo da dívida é relevante.

Sete empresas na zona vulnerável

Das 44 empresas analisadas no estudo, sete já se encontram nessa zona que requer mais atenção. Entre elas estão Localiza (RENT3), com cobertura de 1,3 vez; PetroRecôncavo (RECV3) e Klabin (KLBN11), empatadas em 1 vez. No caso das três últimas do estudo da TAG, o lucro operacional já não cobre os juros de suas dívidas. “São operações razoáveis, mas com o lucro destruído pelo custo do juro”, resume a gestora sobre o quadro.

As empresas que mais sentiram o aperto, segundo análise da TAG, foram aquelas que vivem do consumo de massa financiado no cartão de crédito e no carnê, espremidas nas duas pontas: demanda mais fraca de um lado, despesa financeira inflada pelo juro alto do outro. Cada caso acima citado guarda suas próprias razões para a crise financeira, como erros de gestão que levaram à piora dos resultados.

Varejo sob pressão do consumo

O juro alto, como explicamos acima, também atrapalha o outro lado do balcão, o do consumidor. Essa pressão fica escancarada no varejo, que depende diretamente do consumo das famílias, como explicou o InvestNews em recente reportagem sobre o assunto. No segundo trimestre, quase todas as empresas do setor viram as vendas encolherem em termos reais. Em outras palavras, venderam menos que no ano passado quando é descontada a inflação.

Estamos falando, nessa análise, do critério chamado “vendas nas mesmas lojas”, que não conta pontos de venda recém-abertos. É, portanto, um termômetro mais preciso da saúde do negócio. A queda mais forte foi da Lojas Renner (LREN3), que viu as vendas no conceito “mesmas lojas” caírem 4,1% na comparação real frente ao mesmo período do ano anterior. Na sequência apareceram Assaí (ASAI3), com queda de 3,7%, e Iguatemi (IGTI11), de 2,9%.

Quem resiste ao cenário adverso

Mas há empresas do varejo que estão conseguindo resistir de alguma forma à pressão dos juros e do endividamento recorde dos brasileiros. São os casos, por exemplo, da RD Saúde (RADL3), das redes Drogasil e DrogaRaia, que pega carona na onda das “canetas emagrecedoras”, e da Vivara (VIVA3), que mira o consumo do público de renda mais alta, menos sensível ao juro elevado.

No meio do caminho está, até aqui, o Magalu, que aproveitou a demanda com a Copa do Mundo para sustentar as vendas no segundo trimestre, mas, por outro lado, sentiu o custo da dívida: as despesas financeiras chegaram R$ 572 milhões e pesaram para o prejuízo de R$ 72 milhões. A fonte não detalhou os nomes das demais empresas da lista de sete, mas o estudo completo pode ser consultado pelos clientes da gestora.

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