Dois marinheiros de um porta-aviões norte-americano, que se encontrava em escala na Tailândia, foram enviados de volta ao navio na sequência de uma altercação ocorrida sob o efeito de álcool. A informação foi avançada esta sexta-feira pela polícia tailandesa.
O incidente aconteceu nas primeiras horas de quinta-feira, junto à Walking Street, a principal zona de vida noturna de Pattaya. Segundo o chefe da polícia da cidade, coronel Anek Srathongyoo, que falou com a agência AFP, a polícia foi alertada para uma “pequena zaragata” envolvendo os marinheiros.
Detalhes do incidente
O coronel Anek descreveu o incidente como “trivial” e afirmou que os moradores só chamaram a polícia para evitar que a situação se agravasse. “Os marinheiros estavam embriagados e a lutar entre si, fazendo muito barulho”, afirmou.
Os marinheiros, que não foram identificados, não foram acusados de nada, visto não terem infringido qualquer lei tailandesa, acrescentou Anek. A Marinha dos Estados Unidos enviou-os de volta para o navio.
Contexto da escala em Pattaya
A chegada do USS Abraham Lincoln despertou o interesse dos média a nível mundial, após relatos sobre a degradação das condições de vida a bordo após mais de 280 dias no mar. A escala voltou também a centrar atenções em Pattaya, uma estância muito procurada por turistas estrangeiros, conhecida pela sua vida noturna e pelo turismo sexual.
Antes da visita do navio, as autoridades lançaram uma operação de repressão contra profissionais do sexo, embora tenham negado que esta estivesse relacionada com a chegada dos marinheiros.
Nattakamol Chartmontri, que trabalha em Pattaya há vários anos, disse à agência noticiosa francesa que muitos marinheiros pareciam “jovens, bem-comportados e cumpridores das regras”. Os comerciantes de Pattaya esperavam um aumento das receitas com a visita, que ocorreu numa época de menor afluência turística, mas Nattakamol, de 48 anos, afirma que, até ao momento, a situação tem permanecido tranquila.
“Nas redes sociais, as pessoas estão muito entusiasmadas com os marinheiros, mas, na realidade, eles não tiveram um impacto significativo nos negócios de Pattaya”, afirmou.
Repercussões e investigações anteriores
No mês passado, deputados democratas norte-americanos solicitaram uma investigação às condições a bordo do Lincoln, após relatos de escassez de alimentos, problemas de canalização e crises de saúde mental, incluindo tentativas de suicídio. O presidente Donald Trump minimizou as preocupações, que suscitaram críticas à longa campanha militar contra o Irão, apesar de o Lincoln ter sido substituído no Médio Oriente pelo USS George Washington.
O incidente com os dois marinheiros, embora classificado como trivial, ocorre num contexto de atenção redobrada sobre o bem-estar da tripulação do Lincoln. A longa permanência no mar, superior a 280 dias, levantou questões sobre o impacto psicológico e físico nos militares.
As autoridades tailandesas, por sua vez, trataram o caso com pragmatismo, evitando acusações formais e permitindo que a Marinha dos EUA gerisse a situação internamente.
A presença do porta-aviões em Pattaya também reacendeu debates sobre o turismo na região. A operação de repressão contra profissionais do sexo, embora negada como relacionada à visita, coincidiu com a chegada dos marinheiros, gerando especulações entre moradores e comerciantes. No entanto, as declarações de Nattakamol sugerem que o impacto econômico esperado não se concretizou até o momento.
Enquanto isso, a Marinha dos EUA não divulgou detalhes adicionais sobre as medidas disciplinares aplicadas aos dois marinheiros. A fonte não detalhou se haverá consequências internas ou se o caso será encerrado sem maiores desdobramentos. O foco, por ora, permanece na operação do navio e no retorno seguro da tripulação às suas funções.
O episódio ilustra os desafios de gerir grandes contingentes militares em escalas em portos estrangeiros, especialmente em locais com vida noturna intensa como Pattaya. A resposta rápida da polícia local e a cooperação com a Marinha norte-americana evitaram que a situação escalasse para um incidente diplomático ou criminal mais grave.
