BTG Pactual Logística FII compra 3 galpões por R$ 918,5 mi
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O BTG Pactual Logística Fundo de Investimento Imobiliário (BTLG11) comunicou ao mercado, na noite de quinta-feira, 3 de setembro, a celebração de um memorando de entendimentos não vinculante para a compra de três galpões de alto padrão. O valor da transação é de R$ 918,5 milhões, e os imóveis estão locados para Amazon e Mercado Livre. A aquisição ocorre logo após o fundo levantar R$ 1,8 bilhão em sua maior captação já realizada.

Os ativos pertencem ao portfólio logístico da Capitânia Investimentos e incluem um empreendimento em operação em São Bernardo do Campo (SP) e dois em desenvolvimento em Jacareí (SP) e São José dos Pinhais (PR). Em conjunto, os três galpões somam aproximadamente 182,5 mil metros quadrados de área bruta locável (ABL) própria. A negociação ainda depende de condições precedentes, mas sinaliza um movimento relevante no setor de galpões logísticos de alto padrão.

Detalhes da aquisição e estrutura de pagamento

O BTLG11 informou que a operação prevê o pagamento de 70% do valor à vista. Os 30% restantes serão corrigidos pela variação do IPCA acrescida de 6,0% ao ano, com prazo de até 12 meses contados da data de entrega dos ativos em desenvolvimento e da data de fechamento da transação, no caso do ativo já concluído. Essa estrutura permite ao fundo alinhar o desembolso à entrega dos imóveis, reduzindo o risco de execução.

Segundo o fundo, a aquisição apresenta um cap rate de aproximadamente 9,0% e um yield médio estimado de aproximadamente 12,6% durante os próximos 24 meses. Esses indicadores refletem a expectativa de retorno sobre o capital investido, considerando os contratos de locação vigentes e a qualidade dos ativos. O BTG Pactual, gestor do fundo, conta com R$ 44,2 bilhões na área de fundos imobiliários (FIIs), o que reforça sua capacidade de estruturação e gestão.

O cap rate de 9,0% é um indicador comum no mercado imobiliário para medir a relação entre a receita de aluguel e o valor do imóvel. Já o yield de 12,6% projetado para 24 meses sugere uma expectativa de retorno total, incluindo rendimentos e possível valorização. A fonte não detalhou a metodologia exata do cálculo, mas os números indicam uma operação atrativa para o fundo.

Contexto do mercado de galpões logísticos

O setor de galpões logísticos no Brasil vive um momento de forte demanda, impulsionado pelo crescimento do comércio eletrônico. Grandes players como Mercado Livre, Amazon e Shopee são locatários de aproximadamente 38% dos galpões do País, com foco em São Paulo, onde a vacância está nas mínimas históricas. Em abril, a vacância caiu para 6,4%, um patamar que evidencia a escassez de espaços disponíveis.

Esse cenário de baixa oferta e alta procura tem levado fundos imobiliários a buscar ativos de qualidade para ampliar seus portfólios. A aquisição do BTLG11 se insere nesse movimento, aproveitando a oportunidade de adquirir imóveis já locados para inquilinos de primeira linha. A localização dos galpões, em regiões estratégicas de São Paulo e Paraná, também contribui para a atratividade do negócio.

Além disso, a pandemia acelerou a digitalização do varejo, aumentando a necessidade de centros de distribuição próximos aos grandes centros consumidores. A fonte não detalhou projeções futuras do mercado, mas os dados de vacância e a participação dos grandes players indicam um ambiente favorável para investimentos em logística.

Captação recorde e estratégia do BTLG11

Diante desse cenário, o BTLG11 foi ao mercado e conseguiu captar o valor recorde em sua 16ª emissão de cotas, de olho em aumentar o tamanho do fundo. Na ocasião da captação, o fundo contava com um total de 1,4 milhão de metros quadrados de ABL. A nova aquisição adiciona cerca de 182,5 mil metros quadrados, representando um crescimento significativo da área locável.

A estratégia do fundo é clara: aproveitar o momento favorável do setor para adquirir ativos de alto padrão com contratos de locação de longo prazo. Os inquilinos Amazon e Mercado Livre são referências no comércio eletrônico e oferecem baixo risco de crédito. Além disso, os galpões em desenvolvimento devem gerar renda adicional quando concluídos, contribuindo para o crescimento dos rendimentos distribuídos aos cotistas.

O BTLG11 não divulgou projeções de distribuição de rendimentos após a aquisição, mas o yield estimado de 12,6% nos próximos 24 meses sugere uma expectativa de retorno atrativa. A fonte não detalhou o impacto exato no valor da cota, mas o mercado costuma reagir positivamente a aquisições com cap rate elevado e inquilinos de qualidade.

Visão da Capitânia e ciclo de desinvestimento

Pelo lado da Capitânia, a venda conclui o segundo ciclo completo de desinvestimento do CPLG11, fundo que abrigava os ativos. Segundo a gestora, que conta com R$ 12,3 bilhões em ativos na parte de FIIs, a decisão de vender neste momento decorre da relação entre preço e custo de capital. Em outras palavras, a gestora avaliou que o valor oferecido pelos ativos era superior ao custo de mantê-los em carteira, gerando ganho de capital para os cotistas.

Em menos de três anos de atividade, o fundo terá alienado sete ativos, somando R$ 1,7 bilhão em desinvestimentos e R$ 223,1 milhões em ganho de capital, sobre um patrimônio líquido atual da ordem de R$ 600 milhões. Esses números mostram uma estratégia ativa de reciclagem de portfólio, com foco em realizar lucros e devolver capital aos investidores.

A Capitânia não informou se pretende lançar novos produtos ou reinvestir os recursos em outros ativos. A fonte não detalhou os planos futuros da gestora, mas o histórico de desinvestimentos indica uma abordagem disciplinada de gestão de portfólio, aproveitando janelas de oportunidade no mercado.

Próximos passos e expectativas

A transação ainda está sujeita à assinatura de contrato definitivo e ao cumprimento de condições precedentes, como due diligence e aprovações regulatórias. O BTLG11 não divulgou um cronograma específico para a conclusão, mas o pagamento escalonado sugere que a entrega dos ativos em desenvolvimento pode ocorrer ao longo dos próximos meses. A fonte não detalhou prazos exatos.

Para os cotistas do BTLG11, a aquisição representa um aumento da exposição a ativos logísticos de alta qualidade, com inquilinos de renome e contratos atípicos. O cap rate de 9,0% e o yield de 12,6% indicam um potencial de retorno interessante, especialmente em um cenário de juros baixos no Brasil. No entanto, o investidor deve considerar os riscos de execução dos empreendimentos em desenvolvimento e a possibilidade de variação nos indicadores projetados.

O mercado de FIIs tem mostrado apetite por ativos logísticos, e a operação do BTLG11 pode servir de referência para outras transações no setor. A fonte não detalhou se há outros fundos negociando ativos semelhantes, mas a dinâmica atual sugere que a competição por bons imóveis deve continuar acirrada.

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