Berkshire Hathaway: Greg Abel fala sobre tecnologia e energia
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A Berkshire Hathaway, conglomerado liderado por Greg Abel após a saída de Warren Buffett, encerrou uma sequência de 14 trimestres como vendedora líquida de ações no segundo trimestre. Nos seis primeiros meses de 2026, a empresa comprou US$ 39,4 bilhões em ações e vendeu US$ 27,8 bilhões, revertendo uma tendência de vendas que vinha desde 2022. Além disso, a companhia recomprou US$ 4,8 bilhões em papéis próprios, sinalizando confiança em seu valor de mercado.

A mudança de postura reflete uma nova fase para a Berkshire, agora sob o comando de Abel, que assumiu o cargo de CEO em 2025. O executivo tem enfatizado a importância de investir em setores de crescimento, como tecnologia e energia, mantendo a disciplina financeira característica da empresa. A transição de liderança, no entanto, não alterou os princípios fundamentais do conglomerado, que continua focado em valor de longo prazo.

Investimento em Google e visão sobre IA

Em entrevista à CNBC, Abel comentou sobre a recente aquisição de uma participação significativa no Google, empresa controlada pela Alphabet. “Warren e eu discutimos o tamanho (da participação) e o desconto. Estávamos confortáveis e, no fim, concluímos a transação”, afirmou. “Adoramos falar de negócios e sobre o que estamos vendo em nosso portfólio.”

Ao ser questionado sobre o que atraiu a Berkshire na companhia, Abel afirmou que vê o Google como um player significativo no segmento de inteligência artificial, área que tem despertado a atenção do conglomerado. “Temos bastante visibilidade, dentro das nossas empresas, sobre como estamos usando IA e que tipo de benefícios ela está trazendo”, disse. A declaração indica que a Berkshire não apenas investe em empresas de IA, mas também aplica a tecnologia em suas próprias operações.

Essa abordagem prática diferencia a Berkshire de outros investidores, pois a empresa pode avaliar o impacto real da IA em seus negócios, desde seguros até ferrovias. A visão de Abel sugere que a inteligência artificial será um pilar estratégico para o futuro do conglomerado, alinhada com a busca por eficiência e inovação.

Energia como gargalo para data centers

O executivo também vê oportunidades para negócios que já fazem parte do portfólio da Berkshire, especialmente com o avanço dos data centers e o aumento da demanda por eletricidade. “Sempre tive uma convicção forte de que a energia seria o gargalo”, afirmou. Na avaliação de Abel, a limitação está menos na capacidade de produzir energia e mais no tempo necessário para preparar a infraestrutura capaz de atender aos data centers.

É nesse ponto que ele vê uma oportunidade para a Berkshire Hathaway Energy, subsidiária do grupo que atua em geração, transmissão e distribuição de energia. A empresa pode se beneficiar da necessidade de expansão rápida da rede elétrica para suportar a crescente demanda de empresas de tecnologia, conhecidas como hyperscalers.

No entanto, Abel ponderou que essa expansão precisa seguir alguns critérios. “Estamos interessados em atender esses hyperscalers se não houver impacto nas tarifas dos nossos outros clientes. Na verdade, adotamos a abordagem de que precisa haver um benefício líquido para eles”, complementou. Essa postura reflete o compromisso da Berkshire com a responsabilidade social e a proteção dos consumidores residenciais.

Evolução do modelo de Buffett

Seria uma mudança no modelo vencedor de Buffett? O mercado enxerga mais como uma evolução do modelo criado pelo Oráculo de Omaha, afinal, o quarteto histórico da Berkshire permanece intacto com Apple, American Express, Coca-Cola e Moody’s. Essas participações de longo prazo continuam sendo a espinha dorsal do portfólio, garantindo estabilidade e dividendos consistentes.

A nova estratégia de Abel, portanto, não abandona os princípios de Buffett, mas os adapta a um cenário de transformação digital e transição energética. A Berkshire mantém sua essência de investir em negócios com vantagens competitivas duráveis, agora incorporando setores de alta tecnologia e infraestrutura crítica.

Com a liderança de Abel, a Berkshire Hathaway parece preparada para navegar os desafios e oportunidades do século XXI, equilibrando tradição e inovação. O foco em IA e energia pode abrir novos caminhos de crescimento, sem comprometer a solidez financeira que tornou a empresa uma das mais admiradas do mundo.

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