Tarifas dos EUA sobre semicondutores podem encarecer notebooks e games
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Os Estados Unidos estudam aplicar mais tarifas no mercado de semicondutores, desta vez com a mira em produtos feitos com chips externos — como notebooks, videogames e servidores. A informação foi divulgada pelo site POLITICO, que conversou com fontes a par do assunto. Até o momento, o governo norte-americano não se pronunciou oficialmente sobre a proposta.

O objetivo da administração de Donald Trump é fazer com que companhias da indústria tech passem a investir na produção de tecnologia no próprio território. A estratégia, porém, surge em um momento delicado para o setor, que já enfrenta pressões de custos e escassez de componentes.

Pressão sobre a indústria local

A movimentação ocorre justamente no momento em que a Intel revela que pode encerrar a fabricação de chips 14A (de 1.4 nm) nos EUA por causa das vendas fracas. A companhia é uma das principais beneficiárias dos incentivos do CHIPS and Science Act, lei que destinou recursos para impulsionar a produção doméstica de semicondutores. Ainda assim, os custos elevados de operação no país tornam os produtos menos competitivos.

Outras empresas passam por desafios similares e inviabilizam a ampla adoção de tecnologias recentes no país. Dito isso, nem todas têm o montante, paciência e uma base firme para manter a estratégia. A transição para uma cadeia produtiva local exige tempo e investimentos massivos.

Impacto nos preços de eletrônicos

É importante notar que vivemos um período conturbado neste segmento, já que tivemos um acréscimo substancial no preço das memórias RAM. Com a adoção delas por servidores de IA, sua escassez elevou os valores do componente e das unidades de armazenamento — o que atingiu diversos produtos, de notebooks aos videogames.

Na prática, basicamente tudo que envolve os produtos que utilizam estes hardwares sofreu um reajuste. Seja para montar um PC, seja para jogar, os preços seguem cada vez mais caros. Uma nova tarifa sobre chips importados poderia amplificar ainda mais essa tendência de alta.

Videogames podem ficar ainda mais caros

Para o mercado de jogos, é um momento delicadíssimo: Sony e Microsoft preparam o lançamento de novos videogames, que podem chegar a US$ 1.000 sem esta nova tarifa. Com ela inclusa, o “céu é o limite”. Os consumidores já enfrentam reajustes constantes em hardware e periféricos.

A indústria de games, que depende fortemente de componentes importados, seria diretamente afetada por qualquer encarecimento adicional. A fonte não detalhou quais produtos específicos seriam taxados, mas a categoria de eletrônicos de consumo está claramente na mira.

Risco para a supremacia em IA

A nova iniciativa de Trump pode colocar seus próprios planos em risco, já que uma nova tarifa ameaça a supremacia do país em inteligência artificial. Caso seja colocada em ação, a dinâmica pode afastar os EUA do mercado e garantir mais espaço para países como Taiwan, China e outros receberem mais investimentos.

Em termos simples, o plano todo é uma faca de dois gumes: a administração dos Estados Unidos quer liderar este segmento, porém não lidou bem com a demora para o projeto ganhar vida. A construção de fábricas, a logística de equipamentos e a contratação de profissionais capacitados levam anos, senão uma década.

Incentivos e desafios do CHIPS Act

Por meio das leis previstas no CHIPS and Science Act, eles investiram em diversas companhias como Intel, NVIDIA, TSMC e outras para fazer o país norte-americano crescer e se tornar o principal fornecedor de semicondutores de todo o planeta. Contudo, isso leva um longo período.

Algumas destas companhias começaram a agir, como a própria Intel. Ainda assim, tudo que produzem nos EUA tem um valor mais elevado do que o visto de suas fábricas externas — pelos custos altíssimos envolvidos, de localização à própria produção. Logo, se falarmos dos semicondutores 14A da empresa, por exemplo, ele vende pouco não pela falta de demanda, mas sim por conta de todos os fatores que envolvem o projeto e o encarecem.

Silêncio das big techs

O plano de investir e ajudar as companhias foi um acerto, mas forçá-las pode se mostrar um verdadeiro tiro no pé. Até o momento, nenhuma big tech se pronunciou sobre o novo rumor. A ausência de posicionamento oficial deixa o mercado em compasso de espera.

Enquanto isso, consumidores e investidores acompanham atentos os desdobramentos, cientes de que qualquer mudança tarifária pode ter efeitos em cascata sobre preços e disponibilidade de produtos tecnológicos.

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