Em um cenário no qual a busca por orientação sobre saúde se tornou parte da rotina digital de milhões de brasileiros, a qualidade da informação disponível passou a ser um fator decisivo para escolhas individuais e coletivas. A proliferação de conteúdos sobre prevenção, tratamentos e bem-estar, muitas vezes sem qualquer base científica, acendeu um alerta entre especialistas. José Colagrossi, vice-presidente da GT7, empresa do Grupo Cartão de TODOS, analisa esse fenômeno e aponta caminhos para uma comunicação em saúde mais eficaz e responsável.
Segundo Colagrossi, o desafio contemporâneo não reside mais na escassez de dados, mas na capacidade de filtrar o que realmente importa. ‘Esses números revelam uma transformação importante. O desafio deixou de ser encontrar informação e agora é conseguir distinguir evidências de opiniões, conhecimento de especulação e ciência de conteúdo produzido apenas para chamar atenção’, afirma. A declaração sintetiza um problema que afeta desde decisões cotidianas, como adotar uma dieta da moda, até escolhas críticas, como interromper um tratamento médico.
O ambiente digital, dominado por plataformas que priorizam o engajamento, intensifica essa confusão. ‘O algoritmo não diferencia evidências de opiniões, se engaja, ele distribui’, explica Colagrossi. Na prática, isso significa que um vídeo sensacionalista sobre um suposto remédio milagroso pode alcançar muito mais pessoas do que um artigo técnico revisado por pares. A lógica algorítmica premia a reação emocional, não a precisão científica, criando um terreno fértil para a desinformação.
Infodemia: excesso que paralisa decisões
O resultado dessa dinâmica, segundo o executivo, é um fenômeno que vai além da simples disseminação de notícias falsas. ‘O resultado é um fenômeno que vai muito além da desinformação. Vivemos uma infodemia, um excesso de informações, muitas vezes contraditórias, que torna cada decisão mais difícil. Em vez de promover autonomia, esse ambiente frequentemente produz insegurança’, destaca. A infodemia, termo popularizado durante a pandemia de covid-19, descreve um estado de sobrecarga informacional no qual o cidadão se sente perdido em meio a recomendações conflitantes.
Esse excesso não é neutro: ele corrói a confiança nas instituições de saúde e nos profissionais da área. Quando um paciente chega ao consultório com uma pilha de prints de redes sociais, o diálogo clínico se torna mais complexo. O médico precisa, antes de tudo, desfazer equívocos e reconquistar a credibilidade. A comunicação em saúde, portanto, não é um acessório, mas uma ferramenta essencial para restabelecer pontes entre ciência e sociedade.
Confiança como pilar da comunicação
Para Colagrossi, a saída passa por uma mudança de postura: em vez de apenas transmitir informações, é preciso construir relações de confiança. Isso exige transparência sobre incertezas, linguagem acessível e reconhecimento das preocupações do público. A fonte não detalhou exemplos específicos de iniciativas nesse sentido, mas o princípio é claro: a comunicação em saúde deve ser um processo dialógico, não um monólogo técnico.
Um dos caminhos sugeridos é o fortalecimento de canais oficiais e de profissionais de saúde como fontes confiáveis nas plataformas digitais. A presença ativa de médicos, enfermeiros e pesquisadores nas redes sociais, com conteúdo baseado em evidências, pode contrabalançar a enxurrada de opiniões sem fundamento. No entanto, a fonte não detalhou métricas ou estratégias específicas para ampliar esse alcance.
O papel das instituições e da mídia
Além dos indivíduos, as organizações de saúde e os veículos de imprensa têm responsabilidade na qualificação do debate público. A checagem rigorosa de fatos, a contextualização de estudos científicos e a recusa ao sensacionalismo são práticas que ajudam a reduzir o ruído informacional. A fonte não forneceu dados sobre o impacto dessas práticas, mas a lógica apresentada sugere que a credibilidade é um ativo que se constrói com consistência.
No contexto brasileiro, onde o acesso à internet é massivo, mas a literacia em saúde ainda é desigual, o desafio é ainda maior. A comunicação em saúde precisa considerar as diferentes realidades socioeconômicas e culturais do país. Uma mensagem eficaz para um público urbano pode não funcionar para comunidades rurais ou periféricas. A fonte não detalhou estratégias de segmentação, mas a necessidade de adaptação é implícita.
Consequências práticas da má informação
Os efeitos da infodemia não são abstratos. Eles se manifestam em atrasos na busca por atendimento, automedicação perigosa, abandono de tratamentos comprovados e adesão a terapias sem eficácia. A fonte não apresentou estatísticas sobre esses desfechos, mas a relação entre desinformação e danos à saúde é amplamente reconhecida na literatura científica. A comunicação em saúde, quando falha, não é apenas um problema de imagem; é uma questão de segurança sanitária.
Por outro lado, uma comunicação bem-sucedida pode empoderar o cidadão. Quando a pessoa compreende os riscos e benefícios de uma intervenção, ela participa ativamente das decisões sobre seu próprio corpo. Esse é o objetivo final: transformar informação em autonomia real, não em ansiedade.
Perspectivas para o futuro
O cenário descrito por Colagrossi aponta para a necessidade de uma abordagem integrada, que envolva governos, sociedades médicas, empresas de tecnologia e sociedade civil. A regulação das plataformas digitais, a educação midiática nas escolas e o incentivo à divulgação científica são peças de um quebra-cabeça complexo. A fonte não apresentou propostas legislativas ou programas específicos, mas o diagnóstico sugere que ações isoladas serão insuficientes.
Enquanto isso, o cidadão comum pode adotar práticas simples de autodefesa informacional: desconfiar de curas milagrosas, verificar a fonte original, buscar segundas opiniões e priorizar canais oficiais. A comunicação em saúde, afinal, é uma via de mão dupla: exige emissores responsáveis e receptores críticos.
Em suma, a análise de José Colagrossi reforça que a confiança é o ativo mais valioso na relação entre saúde e informação. Em um mundo saturado de dados, a capacidade de gerar confiança com informação de qualidade não é apenas desejável; é uma condição para a saúde pública. O desafio está lançado, e a resposta dependerá de esforços coordenados em múltiplas frentes.
