Natural do Piauí, Cosma trabalhava como frentista quando decidiu partir para Brasília, em 1997, com a expectativa de encontrar trabalho e retomar os estudos. Aos 46 anos, ela conquistou a Ordem dos Advogados do Brasil do Distrito Federal (OAB-DF), após aprovação no Exame de Ordem em 2019. A trajetória de persistência e recomeço voltou a circular em agosto de 2026, quase sete anos depois.
De frentista a recomeço no Distrito Federal
A mudança não foi imediata em todos os sentidos. Quando chegou ao Distrito Federal, Cosma deixou no Piauí a filha, então com 10 meses. A expectativa de encontrar trabalho e retomar os estudos a impulsionava. Ela pretendia conciliar as duas coisas na capital federal, mas conseguir fazer isso levou mais tempo do que imaginava.
Já estabelecida no DF, Cosma retornou ao Piauí para buscar a primogênita. Depois, teve outros quatro filhos. Durante esse período, o desejo de cursar Direito permaneceu, embora a faculdade ainda estivesse distante da rotina que ela conseguia sustentar.
Antes de chegar à sala de aula, passou por diferentes ocupações, incluindo o trabalho como agente funerária e como doméstica. Foi justamente um desses empregos que se mostrou decisivo para o futuro dela. A experiência ocorreu antes da graduação, mas a fonte não detalhou o período exato. A partir daí, o caminho começou a se desenhar.
Dos 29 anos ao Direito
Do ensino médio ao curso superior
Enquanto buscava formas de se manter, Cosma voltou a estudar e concluiu o ensino médio aos 29 anos, em 2002. Aos poucos, o caminho foi se aproximando do Direito. Um dos empregos, segundo ela contou à OAB do Distrito Federal, teve papel central nessa aproximação: o trabalho como doméstica na casa de um casal de procuradores. O convívio com a rotina dos dois profissionais despertou novamente o plano que havia sido adiado por anos.
A ligação entre aquela experiência e o objetivo antigo ocorreu 22 anos depois da mudança que havia iniciado a trajetória. Foi assim que, aos 40 anos, Cosma se matriculou no curso de Direito da Faculdade Fortium. Três semestres depois, conseguiu transferência para o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP). A graduação terminou em novembro de 2018, quando ela estava com 45 anos.
O diploma concluía uma etapa, mas ainda faltava a aprovação necessária para receber a carteira profissional e atuar como advogada. Cosma, então, passou a se preparar para o Exame de Ordem.
Exame de Ordem e a aprovação
A preparação
Para enfrentar o exame, Cosma passou a estudar com o acompanhamento do advogado Mateus de Lima Costa Ribeiro. O processo foi registrado na websérie “Quem quer ser um advogado?”, que mostrava a rotina dela até a realização da prova. Foi durante essa preparação que o nome de Cosma chegou à lista consultada por uma professora, cuja identidade não foi detalhada pela fonte. Dessa forma, o registro permitiu que ela solicitasse a carteira da Ordem.
A notícia da aprovação
Em 10 de setembro de 2019, o resultado da prova ainda era preliminar. A confirmação definitiva seria publicada duas semanas depois, em 24 de setembro. A notícia chegou por telefone enquanto Cosma estava em um supermercado. A fonte não detalhou quem transmitiu a informação.
A ligação que anunciava a aprovação veio 22 anos depois da mudança que havia iniciado essa trajetória. Assim, a mulher que havia retomado o ensino médio aos 29 anos e começado a faculdade aos 40, enfim, podia solicitar a carteira profissional.
Carteira, homenagem e legado
Entrega da carteira
Em 13 de dezembro de 2019, três meses após a ligação no supermercado, Cosma participou da cerimônia de entrega das carteiras da OAB-DF. “Receber a carteira significa um divisor de água em minha vida”, afirmou à instituição. A declaração marcou o encerramento de um ciclo que começou com a saída do Piauí e passou por empregos como agente funerária e doméstica.
Homenagem e legado
A trajetória, porém, não se encerrou com a entrega da carteira. Em dezembro de 2020, a OAB-DF incluiu Cosma entre 25 mulheres homenageadas por inspirar a advocacia. O critério da escolha não foi detalhado. A homenagem ocorreu um ano depois da conquista.
Quase sete anos após a aprovação, em agosto de 2026, a história voltou a circular — novamente como exemplo de persistência e recomeço. A mulher que havia retomado o ensino médio aos 29 anos e começado a faculdade aos 40, enfim, conquistou a carteira da Ordem.
