HIS 2026: dados e atenção primária mitigam custos
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O HIS 2026 abre espaço para um debate essencial: como usar dados e fortalecer a Atenção Primária à Saúde (APS) para conter custos sem comprometer o cuidado.

O evento, que ocorre em 16 e 17 de setembro, reúne especialistas em dois dias de imersão; a fonte não detalhou o local. A proposta é mostrar que o uso inteligente de informações pode planejar melhor os serviços, ampliar diagnósticos precoces e reduzir desperdícios.

A inteligência de dados transforma a gestão e vai muito além da otimização de custos. A tecnologia aprimora o planejamento e a adaptabilidade dos serviços de saúde. Com o acompanhamento preditivo, é possível aumentar diagnósticos precoces e reduzir os desperdícios que sobrecarregam o sistema.

Essa é a tese que orienta o HIS 2026. Na prática, o encontro defende que o acesso a informações qualificadas permite ao gestor enxergar tendências e agir antes que problemas se agravem. O resultado é um cuidado mais eficiente e um sistema menos sobrecarregado.

Dados como aliados na gestão

Cenário epidemiológico: o peso das doenças crônicas

O debate ganha ainda mais urgência diante do cenário epidemiológico brasileiro. Doenças crônicas como diabetes e hipertensão respondem por metade dos óbitos e registram 41,8% de casos prematuros, segundo o Ministério da Saúde.

Os números reforçam a necessidade de mudar o foco do tratamento para a prevenção. Com a análise preditiva, é possível identificar populações em risco e direcionar recursos de forma mais assertiva.

Atenção Primária como estratégia de economia

Essa lógica também dialoga com a Atenção Primária. Relatórios do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) comprovam que linhas de cuidado focadas no monitoramento da Atenção Primária à Saúde (APS) reduzem expressivamente os gastos com internações e evitam idas desnecessárias a prontos-socorros.

Ou seja, prevenir e acompanhar o paciente de perto é financeiramente sustentável. O impacto dessa abordagem não se limita à redução de custos: ao investir no monitoramento e na prevenção, o sistema ganha em qualidade e em capacidade de planejamento.

Os próprios números do Ministério da Saúde indicam que doenças crônicas têm peso expressivo na mortalidade, o que transforma a mudança de modelo em prioridade.

RNDS e o caminho da interoperabilidade

SUS Digital e a Rede Nacional de Dados em Saúde

Iniciativas como o programa SUS Digital e a expansão da Rede Nacional de Dados em Saúde mostram que a interoperabilidade dos registros clínicos dos mais de 210 milhões de brasileiros é o caminho para otimizar a jornada assistencial e garantir a eficiência de recursos no país.

Quando sistemas conversam entre si, o médico tem acesso ao histórico do paciente no momento da decisão. Isso reduz exames repetidos, evita erros e melhora a continuidade do cuidado.

Dados no ponto de atendimento

Para que a atenção primária e a análise preditiva funcionem em larga escala, é preciso que os dados estejam disponíveis onde o paciente é atendido. A expansão da RNDS e iniciativas como o SUS Digital buscam exatamente essa integração.

Com mais de 210 milhões de brasileiros, o país depende de uma infraestrutura robusta para transformar informações em decisões clínicas. Na prática, a interoperabilidade permite que um médico de hospital tenha acesso ao histórico de atendimento na atenção básica, evitando repetição de exames e tornando o cuidado mais contínuo.

Esse é um dos temas centrais da mesa-redonda sobre interoperabilidade real na saúde brasileira.

Destaques da programação

Durante os dois dias de imersão, o HIS 2026 apresentará debates e apresentações com grandes nomes do mercado. Entre os destaques estão:

  • 16 de setembro — “Reconstrução da saúde populacional a partir da análise preditiva”: apresentação de case conduzida por Raquel Imbahassy, Diretora Executiva da SulAmérica.
  • 16 de setembro — “Hospitais como Plataformas: Transição do cuidado reativo para o preditivo”: palestra ministrada por Shenandoan Daur, CIO do Hospital Real Português.
  • 17 de setembro — “Transformação digital no SUS”: painel apresentado por Tiago Velloso de Carvalho, da Diretoria Geral do Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim (CEJAM).
  • 17 de setembro — “Interoperabilidade real na saúde brasileira”: mesa-redonda moderada por Vitor Ferreira, CIO da ABCIS, debatendo a integração de sistemas a partir da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) para decisões clínicas de beira-leito.

Entre os temas, destaca-se a ideia de que o hospital deve funcionar como uma plataforma. Em vez de atuar apenas na fase aguda da doença, ele passa a fazer parte de uma rede integrada de cuidado, apoiada em dados e na atenção primária.

A combinação entre dados, atenção primária e interoperabilidade aparece, assim, como um caminho concreto para redefinir a saúde no Brasil. O HIS 2026 reúne, em dois dias, as vozes que estão na linha de frente dessa transformação.

A reportagem foi originalmente publicada pelo portal Saúde Business.

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