A sonda Mars Express, da Agência Espacial Europeia (ESA), capturou em agosto de 2026 imagens tridimensionais e vídeos inéditos da icônica Cratera Schiaparelli, em Marte. Dessa forma, os registros foram feitos durante sobrevoos em baixa altitude com sua câmera estereoscópica de alta resolução. Além disso, a formação, de quase 460 km de diâmetro, ficou conhecida como cenário do filme “Perdido em Marte” e, agora, ajuda a compor novos mapas topográficos do Planeta Vermelho.
Como a sonda registrou a cratera
Para registrar as cenas, o orbitador usou um sensor que combina cinco ângulos de visão diferentes em um espectro de quatro cores. Dessa forma, as informações coletadas são unificadas para gerar mapas topográficos precisos em 3D. Além disso, esses mapas ajudam os cientistas a entenderem a evolução climática de Marte e seu passado, quando ainda havia água no planeta.
A câmera estereoscópica de alta resolução foi o instrumento utilizado nos sobrevoos que produziram as imagens tridimensionais e os vídeos inéditos. Além das imagens estáticas, a sonda também produziu vídeos com o sobrevoo sobre a cratera. Ademais, as imagens tridimensionais e os vídeos são resultado do mesmo conjunto de dados, combinando cinco ângulos de visão e quatro cores. Dessa forma, esse material permite aos pesquisadores analisar a formação de diferentes perspectivas.
A cratera de “Perdido em Marte”
Se você assistiu ao longa “Perdido em Marte”, deve se lembrar de Mark Watney, interpretado por Matt Damon, que acabou chamando o Planeta Vermelho de “lar” por um longo período. Assim sendo, o astronauta foi abandonado em Marte e, sem outra opção, precisou usar os poucos suprimentos que sobraram até encontrar uma forma de voltar para casa. Ademais, a história, inspirada no livro homônimo de Andy Weir, se desenrola na cratera Schiaparelli, onde o protagonista fica preso na obra.
A popularidade do filme transformou a cratera em um ícone da cultura pop. Sobretudo, além das telas, ela também compartilha o nome com o lander europeu Schiaparelli, enviado a Marte em 2016. Além disso, a formação tem quase 460 km de diâmetro, o que a torna uma estrutura gigantesca no contexto marciano. Na trama, Mark Watney usa a cratera como cenário de sua luta para voltar para casa.
Gigantesca, porém rasa
Embora seja gigantesca, a cratera é considerada rasa em comparação com outras do mesmo porte. Isso ocorre porque ela foi mais profunda no passado, mas com o tempo acabou preenchida por poeira trazida pelo vento, detritos de impactos e materiais vulcânicos ao longo de bilhões de anos. Além disso, a estrutura geológica fica nas planícies do sul marciano, uma área moldada por cursos d’água que fluíram por lá há 3,7 bilhões de anos.
Dessa forma, essas informações ajudam os cientistas a entenderem a evolução climática de Marte e o papel da água no passado do planeta. Todavia, a cratera, mesmo tendo sido preenchida ao longo do tempo, preserva um registro importante desses processos. Portanto, cada novo mapa topográfico produzido pela Mars Express pode contribuir para o estudo da história marciana.
Por que o contraste interessa?
Sobretudo, esse contraste entre o tamanho e a profundidade é um dos pontos que mais despertam o interesse dos pesquisadores. Ademais, a cratera, apesar de ter sido preenchida ao longo do tempo, ainda guarda marcas de sua origem. Assim sendo, o estudo dessas marcas pode revelar detalhes sobre os primeiros bilhões de anos de Marte. Portanto, cada novo sobrevoo da sonda, com seus mapas em 3D, ajuda a refinar esse conhecimento.
Origem do nome e a confusão dos canais
O nome da cratera é uma homenagem ao astrônomo italiano Giovanni Schiaparelli, cujas observações no século 19 impulsionaram os estudos clássicos sobre a topografia do planeta. Ademais, na época, ele mapeou linhas escuras na superfície de Marte e chegou a pensar que podiam ser canais cheios de água — mas usou o termo “canali”, que em italiano significa “canais”. Dessa forma, a tradução gerou equívocos: astrônomos falantes de inglês pensaram que realmente havia canais por lá e passaram a especular sobre a presença de vida inteligente no planeta.
Dessa forma, o nome da cratera e as imagens capturadas em 2026 ajudam a colocar a formação em perspectiva. Ou seja, trata-se de um lugar que une o passado remoto de Marte à exploração espacial moderna. Além disso, essa conexão entre ciência e ficção é um dos motivos pelos quais a cratera Schiaparelli segue tão presente no imaginário popular e nos estudos planetários.
Sobretudo, vale lembrar que não há evidências de que existiu ou existe vida em Marte. Contudo, a cratera Schiaparelli permanece como um ponto de encontro entre a ciência e a ficção. Assim sendo, as novas imagens capturadas pela sonda reforçam a importância dessa formação para entender o passado do Planeta Vermelho.
Fonte
- canaltech.com.br
- WhatsApp (canalte.ch)
