A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) denunciou nesta quarta-feira, 19 de agosto, a prisão preventiva de três profissionais no Togo. A RSF tornou pública a identidade dos detidos: os jornalistas franceses Gaël Mocaër e Sébastien Perez Pezzani e o produtor local Fred Vedomey.
Segundo a entidade, eles estão presos por “falsas declarações”, em um procedimento que classificou como “injustificado e desproporcionado”. A organização também manifestou preocupação com o estado de saúde de Sébastien, que está doente e não recebe tratamento, e exigiu a libertação imediata do grupo.
Detenção e reviravoltas no processo
O caso teve início há três dias, quando os três profissionais foram colocados em prisão preventiva, conforme relatou a RSF. As circunstâncias, no entanto, envolvem uma sequência de eventos que ainda não está totalmente clara.
O jornal L’Alternative informou que eles foram novamente detidos no mesmo dia e, posteriormente, transferidos para Lomé, em 4 de agosto. A publicação acrescentou que, antes de serem formalmente acusados, em 17 de agosto, eles teriam sido colocados em prisão preventiva. O que se sabe, por enquanto, é que os três seguem detidos.
A RSF, por sua vez, sustenta que a acusação de “falsas declarações” não justifica a detenção. A organização pediu a soltura imediata e disse que o procedimento é desproporcional. A fonte não detalhou exatamente o que motivou a nova detenção, nem quais documentos teriam sido considerados falsos.
Família alerta para quadro clínico
Em meio à prisão, o estado de saúde de Sébastien Perez Pezzani passou a ser a principal preocupação da família. Em comunicado divulgado pela RSF, os parentes afirmaram:
“Sébastien está doente e a sua situação poderá agravar-se se não receber tratamento”
Eles reforçaram que o jornalista é uma pessoa dedicada ao trabalho e descreveram os três como “documentaristas apaixonados, profundamente ligados a contar a vida das populações que encontram e a dar testemunho das suas realidades”. O retrato feito pela família destaca o perfil dos profissionais.
No comunicado, os familiares também expressaram o clima emocional do momento:
“A incerteza e a angústia pesam diariamente”
A manifestação pública ocorre em meio à expectativa de que o jornalista receba assistência médica. Até o momento, no entanto, a fonte não detalhou se houve atendimento ou se as autoridades tomaram alguma providência em relação à saúde do detido. Também não foram divulgados detalhes sobre as condições de cárcere ou a eventual oferta de acompanhamento médico.
Visto e autorização de filmagem
Diante da acusação, a RSF trouxe ao conhecimento público informações sobre a entrada dos jornalistas no Togo. A organização garantiu que os três entraram no país depois de terem solicitado um visto de trabalho. Eles também tinham uma autorização de filmagem emitida pelo Ministério do Turismo, da Cultura e das Artes para o programa documental “Les routes de l’impossible”. Os elementos foram apresentados pela RSF para contextualizar a acusação.
Esses documentos, segundo a RSF, faziam parte da preparação do trabalho que eles pretendiam realizar. A fonte não detalhou, porém, quais teriam sido as falsas declarações imputadas aos profissionais. Também não foram apresentados novos esclarecimentos pelas autoridades togolesas sobre o andamento do caso.
Contexto de tensão para a imprensa
O caso surge em um contexto particularmente tenso para a imprensa internacional no Togo. A situação da liberdade de imprensa suscita regularmente a preocupação das organizações de defesa dos jornalistas. Episódios como o da prisão de repórteres estrangeiros são acompanhados de perto por essas entidades.
Caso anterior de jornalista francês
Um episódio marcante de 2024 é exemplo: o repórter francês Thomas Dietrich, enviado pela Afrique XXI, foi detido enquanto fazia a cobertura de manifestações. Ele foi condenado a seis meses de prisão com pena suspensa e acabou posteriormente por ser reconduzido à fronteira. Desta vez, a detenção atinge dois jornalistas e um produtor local.
Política e segurança no Togo
No plano político, o poder continua firmemente controlado por Faure Gnassingbé, presidente do Conselho desde 2005, depois de ter sucedido ao pai, que permaneceu quase quatro décadas à frente do país. O Togo enfrenta também um importante desafio de segurança no extremo norte, regularmente alvo de ataques jihadistas provenientes do Burkina Faso.
Diante desse cenário, a RSF mantém a exigência de libertação imediata e o apelo para que Sébastien receba tratamento. A família segue em alerta, enquanto a fonte não detalhou os próximos passos do processo. Sem novas informações, o caso permanece em aberto.
