Pacientes em diálise crescem 41% no Brasil em uma década
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Nos últimos dez anos, o número de pacientes em diálise no Brasil saltou de 122.825 para 173.408, um aumento de 41%. O dado é de um levantamento da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e aponta que, no período, não houve um único ano de queda na série histórica. O avanço ocorre em meio ao envelhecimento da população e à maior prevalência de doenças crônicas não transmissíveis.

Crescimento de 41% em dez anos

O levantamento da SBN mostra que o número de pessoas em tratamento dialítico passou de 122.825 para 173.408 em uma década. Esse crescimento de 41% representa um ritmo contínuo de expansão, sem retração anual no total de pacientes. Além disso, o Brasil registra, em média, 45.400 novos casos por ano que demandam início imediato do tratamento.

Esse fluxo constante de novos pacientes impõe desafios para o sistema de saúde, tanto na estruturação dos serviços de diálise quanto no acompanhamento das doenças de base. A ampliação do acesso ao diagnóstico, citada pela SBN como um dos fatores do aumento, também contribui para que mais pessoas sejam identificadas e encaminhadas ao tratamento. O resultado é uma demanda crescente por cuidado especializado.

Números principais do levantamento

  • Pacientes em diálise: de 122.825 para 173.408 em dez anos
  • Aumento de 41% no período
  • Média de 45.400 novos casos por ano

Causas principais: diabetes e hipertensão

A doença renal crônica é uma condição que, muitas vezes, evolui de forma silenciosa, sem apresentar sintomas nas fases iniciais. O aumento da incidência de casos está relacionado principalmente à diabetes e à hipertensão sem controle adequado, além do envelhecimento da população, da maior sobrevida e da ampliação do acesso ao diagnóstico.

O dano silencioso aos rins

Quando a glicemia e a pressão arterial permanecem descompensadas, os vasos sanguíneos dos rins sofrem danos progressivos. Com o tempo, a capacidade de filtrar impurezas diminui. Esse processo é lento, e por isso muitos pacientes desconhecem o problema até que a função renal esteja bastante comprometida. O acompanhamento regular de quem tem esses fatores de risco é considerado fundamental para a detecção precoce.

Sintomas que não devem ser ignorados

José Neto Moura, médico nefrologista e presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia, destaca que os sinais costumam aparecer quando a doença já pode estar em um estágio mais avançado. Entre os sintomas possíveis estão:

  • Cansaço excessivo
  • Inchaço nas pernas
  • Alterações na quantidade ou frequência da urina
  • Urina espumosa ou com sangue
  • Náuseas
  • Perda de apetite

Em quadros mais avançados, também podem surgir pressão arterial de difícil controle, fraqueza intensa e alterações do estado mental. A presença desses sinais deve levar à avaliação médica rápida, principalmente em pessoas com diabetes, hipertensão ou histórico familiar de doença renal.

Quando a diálise se torna necessária

“Quando os rins já não conseguem desempenhar adequadamente suas funções e não é mais possível controlar as complicações apenas com medicamentos e outras medidas, pode ser necessário iniciar a diálise”, explica José Neto Moura.

A terapia substitui parcialmente o trabalho renal, ajudando a remover toxinas e o excesso de líquido do organismo. A decisão de iniciar o tratamento leva em conta o estágio da doença, os exames laboratoriais e a presença de sintomas. A fonte não detalhou os critérios exatos de indicação. O importante é que o paciente seja acompanhado por uma equipe especializada para que a transição para a diálise ocorra no momento adequado.

Prevenção e diagnóstico precoce

Ainda que a doença renal crônica seja silenciosa, é possível identificar alterações precoces por meio de exames de sangue e urina. Pessoas com diabetes e hipertensão devem manter acompanhamento médico periódico e controlar rigorosamente os níveis de glicemia e pressão arterial. A adoção de uma rotina com alimentação equilibrada, atividade física e hidratação adequada também contribui para a saúde renal.

O diagnóstico precoce permite adotar medidas para retardar a progressão da doença e evitar ou postergar a necessidade de terapia dialítica. A informação, nesse contexto, é uma aliada importante: conhecer os sintomas e os fatores de risco aumenta a chance de buscar ajuda antes de o quadro se agravar.

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