Mais da metade das pacientes com câncer de mama aguarda mais de 60 dias para iniciar o tratamento no SUS. Ademais, a informação considera prazos de quimioterapia, radioterapia e cirurgia, além de diferenças regionais. Dessa forma, o quadro mostra um sistema público com tempos de espera desiguais conforme o tipo de procedimento.
Espera acima de 60 dias é regra
O atraso no início do tratamento oncológico é uma realidade para a maioria das mulheres com câncer de mama. No SUS, mais da metade delas aguarda mais de 60 dias para dar início à terapia. Esse cenário é observado quando se analisam as principais modalidades disponíveis no sistema público.
Os números variam bastante entre as regiões e os tipos de tratamento. Por exemplo, enquanto a cirurgia concentra boa parte dos atendimentos em até 30 dias, a radioterapia apresenta atrasos superiores a 120 dias para mais da metade das pacientes. Por outro lado, a quimioterapia ocupa uma posição intermediária, com prazos que mudam conforme a localização no país.
Essa combinação de resultados evidencia a complexidade do acesso ao tratamento. Ou seja, não há um único padrão de espera no país, mas sim um mosaico de situações regionais. Portanto, a compreensão desses números é fundamental para avaliar a resposta do SUS ao câncer de mama.
Quimioterapia: prazos variam por região
Na quimioterapia, a maioria dos intervalos foi de 31 a 60 dias no Nordeste (26,1%) e no Sul (26,3%). Por outro lado, nas demais regiões, a predominância ficou acima de 120 dias. Isso significa que o tempo até a primeira sessão quimioterápica não é uniforme no Brasil.
No Nordeste e no Sul, uma parcela maior de pacientes consegue iniciar o tratamento entre um e dois meses. No entanto, nas outras regiões, a espera mais frequente é de mais de quatro meses. Dessa forma, a diferença de prazos entre as regiões é evidente na distribuição percentual.
Os dados quimioterápicos mostram ainda que a maior parte das pacientes do Nordeste e do Sul não fica dentro do limite de 30 dias, mas também não ultrapassa 60 dias. Todavia, nas demais localidades, o intervalo maior que 120 dias é o mais comum. Contudo, a fonte não detalhou os motivos para essa variação.
Radioterapia concentra os piores índices
Na radioterapia, 54,8% das mulheres iniciaram as sessões após 120 dias. A região Norte apresentou índice de 64,6% para esse mesmo prazo. Sobretudo, Pará e Roraima tiveram os piores números nacionais, com 80,3% e 75,0%, respectivamente.
Esses percentuais fazem da radioterapia a modalidade com maior demora no início do tratamento. Além disso, André Mattar destacou que a radioterapia apresentou o cenário mais preocupante. A avaliação se baseia na proporção elevada de pacientes que ultrapassam quatro meses de espera.
Pará e Roraima, ao lado da região Norte, concentram os casos mais graves de atraso. Consequentemente, a diferença para o restante do país é acentuada, o que torna a radioterapia um ponto crítico no atendimento oncológico. A leitura desses números coloca a modalidade em posição de destaque negativo.
O índice nacional de 54,8% é influenciado pelo desempenho das regiões e estados com maior atraso. No Norte, mais de seis em cada dez mulheres iniciam a radioterapia após 120 dias. Em Pará e Roraima, essa proporção chega a oito e sete em cada dez, respectivamente. Dessa forma, a média geral acoberta situações ainda mais críticas.
Cirurgia é a via mais ágil
Na cirurgia, 58,8% das pacientes iniciaram o tratamento em até 30 dias. A região Sul apresentou destaque positivo, com 66,9% das pacientes operadas em período igual ou menor a 30 dias. Por outro lado, a região Norte teve o pior resultado, com 25,6% das mulheres aguardando mais de 120 dias.
Marcelo Antonini destacou que a cirurgia teve o melhor desempenho como estratégia oncológica. Entre quimioterapia, radioterapia e cirurgia, o procedimento cirúrgico é o que ocorre mais rápido para a maioria das pacientes. Portanto, o percentual de início em até 30 dias é superior a 50% no total nacional.
Mesmo com o bom desempenho geral, a cirurgia não escapa das desigualdades regionais. Por exemplo, o Sul se aproxima de dois terços das pacientes operadas em até um mês, enquanto o Norte registra um em cada quatro casos com espera superior a 120 dias. Essa contradição mostra que a agilidade cirúrgica depende da região de residência.
Em síntese, os dados indicam que o tempo de espera para o tratamento do câncer de mama no SUS varia de forma significativa. Além disso, a radioterapia é a etapa com maior demora, enquanto a cirurgia apresenta o cenário mais favorável. A quimioterapia, contudo, fica em situação intermediária, com diferenças regionais marcantes. Portanto, esses números ajudam a dimensionar os desafios do atendimento oncológico no sistema público.
