Panorama de 11 anos de hepatites virais do Einstein
Crédito: medicinasa.com.br
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Pesquisadores do Hospital Israelita Albert Einstein analisaram 200 trabalhos científicos publicados entre 2013 e 2024, com dados de mais de 14,5 milhões de pessoas, e traçaram um panorama das hepatites virais. O estudo, que faz parte do projeto Caracterização de Hepatites Virais em Populações Vulnerabilizadas, desenvolvido pelo Einstein no âmbito do Proadi-SUS, foi publicado na revista científica internacional PLOS ONE. A pesquisa abrange todos os tipos de hepatites virais: A, B, C, D e E.

Panorama das hepatites virais em 11 anos

O coordenador do estudo, João Renato Rebello Pinho, observou que as pessoas pensam mais nas hepatites B e C. No entanto, a pesquisa traz dados abrangentes sobre todos os tipos de hepatites virais. O levantamento reúne informações de 200 artigos científicos publicados entre 2013 e 2024. A amostra inclui mais de 14,5 milhões de pessoas, o que dá robustez às conclusões. O período de onze anos coberto pela análise permite identificar tendências e mudanças no perfil da doença. Os resultados mostram particularidades importantes de cada tipo de hepatite, e esses dados são relevantes para entender como as hepatites virais se comportam em diferentes populações.

Hepatite A: volta e prevenção

A hepatite A é uma infecção aguda que pode ter casos graves, pode ser evitada pela vacinação e voltou ao Brasil, principalmente transmitida por homens. Segundo Pinho, essa volta está associada ao contato oral/anal durante relações sexuais. O surto começou em grupos de homens que fazem sexo com homens e se espalhou para populações não vacinadas. O vírus, no entanto, não é transmitido pelo contato de pele a pele; é necessário um contato íntimo.

A forma mais comum de contaminação pelo vírus da hepatite A é por via alimentar, por água ou alimentos contaminados. Por isso, a vacinação é uma medida essencial, além de cuidados com a higiene. Pinho ressaltou a importância da imunização contra a hepatite A, especialmente para mulheres que fazem sexo oral/anal. A vacina pode evitar casos graves da doença. A vacinação, portanto, é crucial para conter a disseminação.

Hepatites B e C: transmissão e tratamento

Nas hepatites B e C, as principais formas de transmissão são a via sexual, o contato com sangue ou produtos sanguíneos e a transmissão de mãe para filho. O Brasil, segundo Pinho, controla bem a transmissão da hepatite B e do HIV de mãe para filho. No entanto, as hepatites B e C estão relacionadas a complicações como cirrose e câncer de fígado. A hepatite B pode se tornar crônica, enquanto a hepatite C também pode causar danos hepáticos.

Existe vacina contra a hepatite B, e os tratamentos para a hepatite B são muito eficazes. Para a hepatite C, não há vacina, mas os tratamentos atuais curam mais de 95% dos pacientes. Pinho reforçou a importância do sexo seguro e de evitar o contato com sangue, principalmente no uso de drogas endovenosas. Essas medidas são fundamentais para reduzir a transmissão desses vírus. O cenário da hepatite D, no entanto, é ainda mais complexo.

Hepatite D: negligência e dificuldades

A hepatite D é negligenciada e ocorre com mais frequência em populações de nível socioeconômico mais baixo. Na região amazônica, ela é comum, especialmente entre populações ribeirinhas. Só pega a hepatite D quem é portador do vírus da hepatite B. Pinho avaliou que a hepatite D deve ser vista dentro das chamadas doenças raras.

A hepatite Delta é mal diagnosticada, e os tratamentos são difíceis de serem realizados na região amazônica. Isso contribui para a sua negligência e persistência. A hepatite B, por sua vez, é mais frequente na região amazônica, embora ocorra em todo o Brasil. O estudo chama a atenção para a necessidade de maior atenção a essa população.

Recomendações finais do estudo

De acordo com Pinho, é preciso reforçar a vacinação, especialmente contra a hepatite A e B, e manter práticas de sexo seguro. Evitar o contato com sangue, sobretudo em contextos de uso de drogas endovenosas, também é essencial. O pesquisador destaca que o controle da hepatite D exige diagnóstico adequado e acesso a tratamento nas regiões mais afetadas. O estudo, ao traçar o panorama de onze anos, oferece subsídios para políticas públicas de saúde. A análise oferece, assim, um retrato abrangente da doença no período estudado. A pesquisa, portanto, contribui para o enfrentamento das hepatites virais.

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