O astronauta italiano Luca Parmitano, da Agência Espacial Europeia (ESA), foi selecionado pela NASA para integrar a missão Artemis III, um ensaio para o programa de alunagem.
Em entrevista ao programa “12 Minutes With”, da Euronews, Parmitano afirmou que europeus e italianos querem ser parceiros fortes dos Estados Unidos na corrida espacial de regresso à Lua.
Seleção inesperada e gratidão
Parmitano revelou que a missão Artemis III não estava no seu horizonte. Ao ser escolhido, ficou sem palavras e sentiu-se realmente agradecido. “Fiquei realmente agradecido”, disse, destacando a importância da oportunidade.
Em 9 de junho, a NASA apresentou publicamente a tripulação no Centro Espacial Johnson, em Houston, Texas. Na ocasião, Parmitano descreveu a Itália como sua “plataforma de lançamento” e a ESA como sua “torre de lançamento”. Ele também expressou gratidão ao sistema público de ensino italiano.
O astronauta afirmou que quer levar para órbita um espírito de determinação, traço que, para ele, define a identidade europeia. Parmitano acrescentou que as pessoas da sua geração “não nasceram europeias, mas tornaram-se europeias”, e que essa identidade foi desejada e foi um objetivo. A transição para a fase seguinte do programa Artemis traz consigo desafios técnicos significativos.
Engenharia complexa e múltiplos lançamentos
A NASA apresenta a Artemis III como um dos voos tripulados mais complexos da história recente. A missão, prevista para 2027, levará três astronautas da NASA e Parmitano para a órbita baixa da Terra a bordo da nave Orion. Eles vão acoplar a dois módulos lunares construídos pela SpaceX e pela Blue Origin.
Parmitano explicou que a missão tem três lançamentos que precisam acontecer em momentos muito próximos e a partir de veículos espaciais muito diferentes. O sucesso depende da preparação e lançamento bem-sucedido dos módulos lunares e da Orion, além de manobras orbitais críticas.
Os astronautas terão de viver dentro da nave Orion, que oferece apenas 8 a 9 metros cúbicos de volume habitável. Embora a nave tenha sido concebida para as condições do espaço profundo, a missão será em órbita baixa da Terra. A complexidade exigirá um treinamento impecável da tripulação.
Treinamento intenso e diversificado
Parmitano e os três colegas da NASA — Randy Bresnik, Frank Rubio e Andre Douglas — seguem atualmente um programa de treino intenso. O programa inclui:
- Competências essenciais
- Simulações
- Preparação para cenários de avaria
Parmitano sublinhou que o treino é “muito complexo e extraordinariamente diverso”. Ele participou do programa de entrevistas da Euronews “12 Minutes With” para explicar como decorre o treino, os desafios e o estado da corrida espacial. A preparação abrange desde procedimentos de emergência até a familiarização com os sistemas dos módulos lunares.
Relação transatlântica sólida no espaço
Parmitano garantiu que, no espaço, a relação entre a União Europeia e os Estados Unidos continua sólida. “Ao contrário da tensão política na Terra, os astronautas são operadores”, afirmou. Ele considera que a Artemis III faz parte da corrida espacial pelo regresso à Lua e sublinhou que o objetivo comum é melhorar a vida da humanidade na Terra. A parceria se materializa em contribuições técnicas concretas.
Contribuição da ESA e revisão após suspensão do Gateway
A ESA construiu o Módulo de Serviço Europeu para as missões Artemis, que fornece à nave Orion:
- Eletricidade
- Controlo térmico
- Oxigénio
- Azoto
- Água
No entanto, depois de a NASA suspender os trabalhos na Lunar Gateway, a contribuição europeia para o programa Artemis foi revista. A Europa estava a construir vários módulos essenciais para essa estação. Ainda assim, Parmitano reafirmou o desejo de ser parceiro forte. A fonte não detalhou o estado atual dessas contribuições.
Ambição europeia frente ao ceticismo sobre o prazo de 2027
Parmitano defendeu que para alcançar objetivos complexos é preciso ser ambicioso e esforçar-se ao máximo. Enquanto muitos especialistas consideram o prazo de 2027 demasiado ambicioso, o astronauta mantém o foco na preparação. A comunidade espacial internacional acompanha atentamente o progresso, ciente de que atrasos são comuns em projetos desta magnitude. Ele ressaltou que a determinação europeia será um trunfo na missão. A Artemis III representa, para a ESA, uma oportunidade única de demonstrar sua capacidade espacial.
Artemis III: Símbolo de união e esperança
A missão Artemis III, assim, não apenas testa tecnologias, mas fortalece laços entre continentes. A expectativa pelo lançamento em 2027 mobiliza cientistas e cidadãos em todo o mundo. Parmitano simboliza essa união, levando consigo a esperança de uma Europa protagonista no espaço.
