Irã ameaça destruir infraestruturas regionais se EUA atacarem
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O Irã afirmou que qualquer ataque dos Estados Unidos contra infraestruturas da República Islâmica desencadearia uma destruição mais ampla na região. Teerã prometeu que suas forças atacariam infraestruturas em toda a região que, segundo o país, têm sido poupadas graças à sua contenção. O aviso surge em meio a uma escalada de hostilidades que já dura cinco dias consecutivos de troca de ataques entre ambos os lados.

Ameaça de retaliação superior

O porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, coronel Ebrahim Zolfaqari, declarou que Teerã não tolerará qualquer interferência norte-americana no estreito de Hormuz. Ele descreveu a via como uma “linha vermelha inviolável”.

Zolfaqari acrescentou que a resposta do Irã não seria “proporcional”, mas “superior”. Alertou que qualquer retaliação seria “mais severa, mais extensa e mais devastadora do que nunca”.

Dirigentes militares iranianos rejeitaram também a ideia de que a capacidade de Teerã para controlar esta via marítima estratégica depende apenas da sua costa sul. O general de brigada Mohammad Akraminia, porta-voz do exército iraniano, afirmou que o Irã pode exercer controle sobre o estreito de Hormuz “a partir de qualquer parte do seu território”.

“Os norte-americanos acreditavam que, ao atacar algumas das nossas bases no sul, poderiam assumir o controle desta via marítima estratégica”, disse. “Na realidade, a República Islâmica é capaz de controlar o estreito de Hormuz a partir de todo o seu território, e essa capacidade não depende de forma alguma das costas ou das ilhas.”

Troca de ataques pelo quinto dia

O aviso surge numa altura em que ambos os lados trocam novos ataques pelo quinto dia consecutivo. A Guarda Revolucionária afirmou ter lançado duas vagas de mísseis balísticos contra uma base militar dos Estados Unidos na Jordânia. As forças armadas iranianas disseram ter conduzido ataques com drones contra instalações do exército norte-americano no Kuwait e no Bahrein.

Segundo a Guarda Revolucionária, o ataque na Jordânia foi uma resposta ao que descreveu como uma ofensiva norte-americana perto de um hospital oncológico pediátrico no Irã. “Este ataque bárbaro … provocou grande sofrimento e angústia entre as crianças internadas”, escreveu na rede social X o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baghaei Baghaei, classificando-o como “um crime de guerra cobarde contra os seres humanos mais inocentes”. A Euronews não conseguiu verificar de forma independente esta alegação.

Meios de comunicação estatais iranianos relataram ataques perto de Teerã, da ilha de Qeshm, da cidade portuária de Chabahar, no sul, e da província de Semnan. Nessa província situam-se importantes instalações de produção de mísseis balísticos e o programa espacial da República Islâmica. As forças norte-americanas indicaram ainda ter atingido um navio que acusam de tentar romper o bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos ao Irã.

Estreito de Hormuz como linha vermelha

Paralelamente, responsáveis iranianos têm apresentado cada vez mais o estreito de Hormuz como questão central de segurança nacional. A embaixada do Irã no Zimbábue, uma das vias diplomáticas encarregadas de difundir a mensagem de Teerã no exterior, reforçou essa posição ao escrever numa mensagem na rede social X: “O estreito de Hormuz tem dono.”

Akraminia advertiu que a continuação das operações militares dos Estados Unidos pode alargar a guerra a “novas arenas de confrontação”. Sublinhou que o Irã não tem conflitos com os países vizinhos e mantém o compromisso com a cooperação regional. De acordo com fontes citadas nessas notícias, a proposta foi discutida na liderança iraniana e comunicada aos Houthis, que terão destacado mísseis e drones nas proximidades desta via estratégica do mar Vermelho.

Diplomacia e preparação para guerra

Segundo Ghalibaf, o novo aiatola iraniano, Mojtaba Khamenei, continua a ser “o decisor último sobre guerra ou negociações”. O responsável acrescentou que, embora Teerã não “acolha” a guerra, “tem de permanecer sempre preparado para o combate” e continuará a recorrer à diplomacia sempre que esta sirva os interesses nacionais.

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