Trump restabelece bloqueio dos EUA e exige taxa de 20% na navegação em Hormuz
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Trump anuncia bloqueio e taxa sobre navegação

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou o restabelecimento do bloqueio aos portos iranianos e anunciou a cobrança de uma taxa de 20% sobre a navegação no estreito de Ormuz. A decisão foi divulgada em meio à escalada de hostilidades entre Washington e Teerã, que já dura meses. Trump afirmou que, embora os portos iranianos voltem a ser bloqueados, todos os outros países terão uso justo e livre do estreito.

Os Estados Unidos contestaram a intenção de Teerã de cobrar portagens no estreito, prática proibida pelo direito internacional, mas Trump declarou que será Washington a arrecadar essas taxas. A medida representa uma nova escalada na disputa pelo controle da rota marítima, por onde passa grande parte do comércio global de energia.

Irã reage e reafirma soberania sobre Ormuz

O porta-voz do comando militar central Khatam Al-Anbiya, do Irã, insistiu que Teerã não permitirá que os Estados Unidos intervenham na gestão do estreito. A posição iraniana é de que a rota marítima é um instrumento essencial de pressão sobre Washington, e que o bloqueio anterior, em vigor entre abril e junho, cortou as exportações de petróleo iraniano e ameaçou provocar paralisação grave da indústria.

O porta-voz dos Guardiões da Revolução, Hossein Mohebi, acusou Washington de pôr em risco o abastecimento mundial de petróleo e gás ao interferir no estreito, afirmando que deve ser responsabilizado e insistindo na soberania de Teerã sobre Ormuz. As hostilidades da última semana concentraram-se na rota crucial do comércio de energia, que os Guardiões da Revolução dizem estar fechada.

Negociações em crise apesar de diálogo

Trump afirma que as negociações para um acordo permanente vão continuar, apesar de ter declarado que o cessar-fogo com o Irã tinha terminado. Ele disse à Fox News que no domingo houve várias horas de conversações, mas acusou os negociadores iranianos de voltarem atrás no que ficou acordado. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baqaei, afirmou que o acordo-quadro de junho está em crise.

Baqaei declarou que o Irã deixará de cumprir as obrigações previstas no acordo se os Estados Unidos fizerem o mesmo, mas acrescentou que Teerã continua a dialogar com mediadores do Catar, Paquistão e Omã. Em paralelo com os combates, os mediadores tentam salvar uma solução diplomática para a guerra.

Escalada de ataques e mediação internacional

Os meios de comunicação estatais iranianos noticiaram mortes nos mais recentes ataques norte-americanos, que visaram vastas zonas no sul e oeste do país. Pelo menos 25 pessoas foram mortas no Irã desde a retomada das hostilidades, na quarta-feira, segundo um balanço baseado nos comunicados de Teerã. Os Guardiões da Revolução iranianos afirmaram ter atingido alvos e bases militares norte-americanas na Jordânia, no Barém e no Kuwait, de acordo com os media estatais, na segunda-feira.

O Paquistão manifestou profunda preocupação com a escalada das tensões regionais, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros. O investigador associado da Chatham House Bader Al-Saif afirmou que a escalada de ataques apenas irá atrasar um acordo definitivo. Al-Saif explicou que ambos os lados querem pôr fim ao impasse nos seus próprios termos e encontram cada vez mais dificuldades em fazê-lo, daí o regresso e o aumento da intensidade dos ataques. Ele acrescentou que isso apenas prolonga aquilo que acabará por acontecer: um acordo negociado.

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