Em Wall Street e no Vale do Silício, um conjunto de livros antigos tornou-se leitura quase obrigatória para quem lidera sob pressão. São os clássicos do estoicismo, filosofia que ensina a distinguir o que está sob controle do que não está. De imperadores romanos a ex-presidentes americanos, as obras de Marco Aurélio, Sêneca e Epicteto atravessaram séculos e hoje figuram nas estantes de investidores, empreendedores e gestores.
Marco Aurélio: anotações de um imperador
Meditações, de Marco Aurélio, talvez seja o mais conhecido entre os clássicos estoicos. A obra foi escrita originalmente como anotações pessoais de um imperador romano, não pensada como obra pública. Mesmo assim, tornou-se referência para líderes modernos. Bill Clinton já declarou que Meditações é seu livro favorito e que o relê com frequência. Presidentes como Theodore Roosevelt e George Washington aparecem frequentemente ligados à leitura e influência de autores estoicos. Marco Aurélio foi um dos homens mais poderosos de seu tempo, mas escrevia sobre humildade, dever e controle emocional.
Sêneca e a antifragilidade
Sêneca foi senador romano, possuidor de grande fortuna e filósofo estoico. Ele aparece com frequência no trabalho de Nassim Nicholas Taleb. Em Antifrágil, Taleb associa Sêneca à ideia de ganhar com a instabilidade sem ser destruído por ela. Taleb cita Sêneca: “A versão de Sêneca para o estoicismo é a antifragilidade em relação ao destino. Nenhum lado negativo vindo da Senhora Fortuna, e muito lado positivo.” Taleb define o estoico moderno como aquele que “transforma o medo em prudência e os erros em iniciação”.
Epicteto: o manual da resiliência
O Manual de Epicteto diz: “Algumas coisas dependem de nós, outras não.” Epicteto nasceu escravizado, ganhou a liberdade e se transformou em um dos nomes centrais do estoicismo. Na filosofia de Epicteto, há uma régua simples: se não depende de você, não desperdice energia tentando controlar. Se depender, aja com disciplina. Tim Ferriss é um dos nomes que ajudaram a reintroduzir o estoicismo no Vale do Silício. Ferriss escreveu que “o estoicismo é o sistema operacional pessoal ideal para prosperar em ambientes de alto estresse”.
Influência nos grandes investidores
Warren Buffett, Bill Gates e Jeff Bezos não declararam publicamente a posse de livros estoicos. No entanto, Buffett é conhecido por defender que investidores atuem dentro de seu “círculo de competência”. Charlie Munger é frequentemente associado à mentalidade estoica ao evitar decisões movidas por ego, reduzir erros evitáveis e cultivar modelos mentais. Em Poor Charlie’s Almanack, aparecem referências diretas a Epicteto, Sêneca e Marco Aurélio. Bill Gates mantém há décadas uma rotina de leitura profunda e aprendizado constante. A fonte não detalhou se Gates inclui os estoicos nessa rotina, mas a influência da filosofia permanece evidente no mundo dos negócios.
Fonte
- www.moneytimes.com.br
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