Nova medida de complexidade de materiais permite projetar melhores compostos
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Métrica inédita quantifica a complexidade em materiais

Uma equipe internacional de cientistas anunciou o desenvolvimento de uma métrica inédita para quantificar a complexidade em materiais. O avanço promete transformar a forma como novos compostos são projetados. O estudo, publicado em 23 de junho de 2026, foi liderado por Jonas Hallstrom e colegas de várias universidades. A abordagem matemática mede o grau de desordem em conjuntos de partículas.

O desafio da complexidade mensurável

Até hoje, não existiam métodos para calcular a complexidade e mensurá-la de forma objetiva. Embora o conceito fosse amplamente discutido, faltava uma ferramenta numérica que permitisse incorporar a complexidade dos sistemas vivos em materiais sintéticos. Para trazer essa característica para aplicações práticas, os pesquisadores precisavam introduzir o nível certo de complexidade para cada finalidade.

O físico Murray Gell-Mann já havia traçado uma curva conceitual relacionando funcionalidade e complexidade. No entanto, como destacou o professor Nick Kotov, da Universidade de Michigan, nos EUA: “Não havia números, e se você não tem números, não pode projetar complexidade em materiais reais.” Agora, com a nova métrica, essa barreira foi superada. “Agora podemos projetar complexidade em materiais reais”, afirmou Kotov.

Curvatura de grafos como ferramenta

A inovação se baseia nas medidas de curvatura de grafos, que quantificam a desordem e a complexidade nos conjuntos de partículas. O método mede o quanto uma coisa está mais bagunçada do que outra, oferecendo uma escala comparativa objetiva. Isso permite, por exemplo, analisar como nanopartículas de ouro passam de uma suspensão aleatória para cristais compactos. O grau de aleatoriedade muda completamente o comportamento do material como um todo.

Implicações práticas

As implicações práticas desse desenvolvimento são de longo alcance. A mesma métrica de complexidade se correlacionou com a intensidade com que nanopartículas feitas de óxido de índio dopado com estanho (ITO) absorviam e refletiam luz. O ITO é o material usado nas telas sensíveis ao toque, o que sugere aplicações diretas na indústria de displays e sensores.

Rumo a materiais projetados

Com a nova métrica, engenheiros e cientistas de materiais podem, pela primeira vez, projetar complexidade de forma controlada. Ao invés de depender de tentativa e erro, agora é possível definir numericamente o nível de desordem desejado para obter propriedades específicas, como condutividade, resistência ou interação com a luz. A fonte não detalhou os próximos passos da pesquisa, mas o potencial para avanços em áreas como eletrônica flexível, catálise e armazenamento de energia é evidente.

A descoberta representa um salto conceitual, transformando a complexidade de um atributo qualitativo em uma grandeza quantificável. Com números em mãos, a ciência dos materiais entra em uma nova era, onde a bagunça pode ser medida e, mais importante, projetada.

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