Irã: selecionador diz que equipe é a 'mais oprimida' da Copa
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Selecionador do Irã critica tratamento após estreia na Copa

O técnico da seleção iraniana, Ghalenoei, classificou sua equipe como “talvez a mais prejudicada” da Copa do Mundo. A declaração veio após a delegação ser obrigada a deixar os Estados Unidos imediatamente após o jogo de estreia.

“Não nos deram tempo para recuperar. Após o jogo, disseram que tínhamos que sair imediatamente”, afirmou Ghalenoei. A equipe esperava passar a noite na Califórnia, mas foi informada de que deveria voar para Tijuana.

Saída apressada e logística complicada

O capitão Mehdi Taremi acrescentou que a comitiva passou cinco horas em viagens e controles de segurança no domingo. A situação contrasta com o planejamento inicial, que previa uma estadia mais longa em solo americano para descanso.

Ghalenoei citou ainda a ausência do presidente da federação, Mehdi Taj, e do secretário-geral, Mohammad Nabi, cujos pedidos de visto foram rejeitados. A fonte não detalhou os motivos exatos da negativa.

Contexto geopolítico tenso

O ciclo do Irã rumo ao Mundial tem sido conturbado desde que os Estados Unidos e Israel iniciaram uma guerra contra o país em 28 de fevereiro. A FIFA rejeitou o pedido para deslocar os três jogos da fase de grupos para fora dos Estados Unidos, mantendo o calendário original.

Protestos marcam estreia

No jogo de estreia, o Irã empatou em 2 a 2. Ghalenoei descreveu a partida como “o melhor jogo da fase de grupos deste Mundial”. No entanto, fora de campo, manifestantes arrancaram uma bandeira oficial do Irã de um torcedor, pisaram e rasgaram o símbolo.

O sul da Califórnia abriga a maior comunidade iraniana fora do Irã, muitos chegaram após a Revolução Islâmica de 1979. Rameileh Jaffrey, de 46 anos, de Los Angeles, disse sentir que os jogadores da seleção estão alinhados com o regime atual. Uma manifestante afirmou: “Não são a minha seleção. São a seleção do governo.”

Segurança reforçada e divisão entre torcedores

Seguranças do evento separaram discussões entre manifestantes e torcedores, e foram reforçados por agentes do xerife antes do pontapé inicial. Uma mulher que protestava vaiou Kia Keanh e sua família quando passaram, vestindo camisetas de apoio à seleção.

Alguns manifestantes entraram no estádio para ver o jogo, como Ella Bah, de 42 anos, que levou roupa extra para esconder a bandeira com o leão e o sol. Parte dos torcedores iranianos vaiou o hino da República Islâmica antes do início, mas aplaudiu quando Ramin Rezaeian e Mohammad Mohebi marcaram.

Jogadores focados em campo

Rezaeian, eleito o melhor em campo após um gol e uma assistência, afirmou: “Vamos resolver nós próprios os problemas relacionados com o nosso país.” A declaração sugere que os atletas buscam manter o foco no desempenho esportivo, apesar das turbulências externas.

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, visitou o vestiário do Irã e elogiou os jogadores. A visita pode ser interpretada como um gesto de apoio em meio às dificuldades enfrentadas pela delegação.

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