A judicialização da saúde começa antes do evento que a desencadeia. É o que aponta a análise de Leticia Turim, presidente do Grupo Chavantes, ao destacar que a relação entre segurança do profissional e segurança do paciente se tornou uma condição operacional. Ambientes marcados por medo, desgaste emocional e pressão contínua reduzem a capacidade de atenção, julgamento e comunicação, criando terreno fértil para falhas que podem resultar em processos judiciais.
Segurança do profissional e do paciente
Para Leticia Turim, a segurança do profissional e a segurança do paciente não podem mais ser vistas separadamente. Elas se tornaram uma condição operacional, ou seja, uma exigência para o funcionamento adequado das instituições de saúde. Quando o ambiente de trabalho é saudável, o profissional tem melhores condições de exercer sua função com qualidade, o que reduz riscos para o paciente.
No entanto, a realidade de muitos serviços de saúde é diferente. Ambientes marcados por medo, desgaste emocional e pressão contínua reduzem a capacidade de atenção, julgamento e comunicação dos profissionais. Esses fatores, segundo a especialista, contribuem diretamente para a ocorrência de eventos adversos que, mais tarde, se transformam em ações judiciais.
Fatores psicossociais na gestão de riscos
O avanço regulatório recente reforça essa mudança de abordagem ao incorporar fatores psicossociais à gestão de riscos ocupacionais. Isso significa que as instituições de saúde precisam considerar não apenas os aspectos físicos do ambiente de trabalho, mas também os emocionais e sociais que afetam o desempenho dos profissionais.
O cuidado com o ambiente agora exige estrutura, monitoramento e capacidade de intervenção. Não basta oferecer equipamentos adequados; é necessário criar uma cultura organizacional que valorize o bem-estar dos profissionais e previna o desgaste emocional. A fonte não detalhou quais regulamentações específicas estão sendo consideradas, mas a tendência é clara.
Reformulando a pergunta central
Diante desse cenário, Leticia Turim sugere que talvez seja necessário reformular a pergunta que orienta esse debate. Em vez de focar apenas no custo de um processo judicial, as instituições deveriam se perguntar: qual é o custo de manter ambientes que, de forma recorrente, contribuem para a sua ocorrência?
Mais do que compreender o custo de um processo, é preciso entender o custo de manter ambientes que, de forma recorrente, contribuem para a sua ocorrência. Essa mudança de perspectiva pode levar a investimentos mais eficazes em prevenção, tanto de eventos adversos quanto de litígios.
A judicialização da saúde, portanto, começa antes do evento. Ela tem raízes no dia a dia das instituições, nas condições de trabalho e na forma como os profissionais são tratados. Para reduzir o número de processos, é essencial olhar para dentro e transformar o ambiente de trabalho em um espaço seguro, tanto para quem cuida quanto para quem é cuidado.
