Análise do Cade começa oficialmente
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) iniciou a análise da aquisição da Medley pela EMS. A compra da unidade brasileira de genéricos da Sanofi foi anunciada por cerca de US$ 600 milhões. O edital foi publicado no Diário Oficial da União em 1º de junho, assinado pelo superintendente-adjunto Felipe Neiva.
Documento de 126 páginas detalha a operação
Em documento de 126 páginas, a EMS reconhece sobreposição de cerca de 40 classes terapêuticas. A aquisição oficial será feita pela Novamed, uma das empresas do grupo NC, controladora da EMS. A negociação inclui uma unidade fabril em Campinas e contratos de distribuição.
Argumentos da EMS para aprovação
Mercado pulverizado
A EMS argumenta que o mercado é pulverizado, o que impede concentração excessiva. A empresa cita investimentos de concorrentes, como Cimed e Eurofarma. Há 30 grandes grupos no mercado de genéricos, e o setor faturou R$ 23 bilhões em 2025. O crescimento do setor foi de 75% nos últimos cinco anos. Os genéricos representam 40% do total de medicamentos vendidos no Brasil.
Regulação de preços
A empresa afirma que não poderá aumentar preços devido à regulação da CMED. Apesar disso, algumas classes têm participação combinada superior a 40%. A hidroxicloroquina é um dos medicamentos com volume superior a 40% de concentração. Dos 27 mercados no canal varejo e 14 no canal institucional com sobreposição, 19 ficam abaixo de 40%.
Sobreposição em classes terapêuticas
Há sobreposição em classes terapêuticas como cardiovasculares, diabetes, gastrointestinais, dermatológicos, ginecologia, urologia, antibióticos, psiquiatria e neurologia. Há no Brasil 102 laboratórios produzindo medicamentos, com 4.665 apresentações registradas na Anvisa. A EMS confia que a análise do Cade considerará a estrutura concorrencial do setor.
