A gestora IG4 assumiu oficialmente nesta quarta-feira (3) o controle da Braskem, após a Novonor concluir a transferência de suas ações para a casa fundada pelo investidor Paulo Mattos. Com isso, IG4 e Petrobras passam a compartilhar oficialmente o comando da maior petroquímica do Brasil. A nova gestão já prepara uma recuperação extrajudicial e a venda de ativos para enfrentar a dívida líquida ajustada de US$ 9,4 bilhões.
Fechamento da operação
O fechamento da operação encerra um processo iniciado em dezembro de 2025, quando a IG4 comprou os créditos que Itaú, Santander, Bradesco, Banco do Brasil e BNDES detinham contra a Novonor, garantidos pelas próprias ações da Braskem. A dívida da Novonor já chegava perto dos R$ 19 bilhões. Com a operação concluída, a IG4 passa a ter 50,1% das ações com direito a voto da Braskem, enquanto a Petrobras terá 47%. A Novonor fica com apenas uma fatia minoritária de 4% em ações preferenciais, sem direito a voto.
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Nova assembleia e conselho
Nesta segunda-feira (8) será realizada uma assembleia extraordinária para eleger o novo conselho de administração e definir a nova diretoria executiva. Luciano Coutinho, presidente do BNDES entre 2007 e 2016, foi indicado como conselheiro independente. Hélio Novaes, sócio-diretor da IG4 e ex-executivo da Alvarez & Marsal, e Octavio Lopes, ex-CEO da Light, foram encaminhados para o conselho. Novaes será o vice-presidente do conselho comandado pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard.
Nova diretoria executiva
Helcio Tokeshi, que comandou a operadora portuária CLI até o início deste ano, será o novo CEO. Carlos Brandão, ex-CEO da Iguá Saneamento e ex-CFO da Oi durante sua recuperação judicial, assumirá a diretoria financeira da petroquímica. A nova equipe terá a missão de conduzir a reestruturação financeira e operacional da companhia.
Recuperação extrajudicial
A negociação envolve também a subsidiária mexicana Braskem Idesa, joint venture com o grupo local Idesa que está na iminência de pedir recuperação judicial nos Estados Unidos, pelo mecanismo do Chapter 11. Como a Braskem mantém com a subsidiária um contrato de suporte financeiro, um eventual pedido de recuperação judicial nos EUA pode gerar obrigações adicionais para a matriz brasileira – o chamado cross-default. A dívida líquida ajustada encerrou março em US$ 9,4 bilhões (cerca de R$ 48 bilhões), alta de 9% em relação a igual período do ano anterior, com alavancagem de 16,81 vezes o lucro operacional (Ebitda) recorrente. A companhia tem cerca de US$ 1,5 bilhão em vencimentos de dívida ainda em 2026.
Venda de ativos
A agenda do novo comando da Braskem passa também por desinvestimentos. Na lista de ativos que deverão ser negociados estão terminais portuários, plantas de geração de energia e unidades de tratamento de resíduos. A companhia opera terminais próprios em Triunfo e Rio Grande (RS), Duque de Caxias (RJ) e no Porto de Aratu, na Bahia. A venda desses ativos deve ajudar a reduzir o endividamento e focar no core business.
Fonte
- investnews.com.br
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