Ibovespa sem Petrobras estaria no vermelho em 2026

O Ibovespa acumula alta de 10,3% em 2026, mas esse desempenho positivo esconde uma dependência quase total das ações da Petrobras. Sem a contribuição da estatal, o índice estaria em 155.204 pontos, o que representa uma queda em relação ao início do ano. As ações PETR3 e PETR4 respondem, juntas, por 22.151 pontos do Ibovespa.

Rali perde força após máxima histórica

Desde a máxima histórica, o Ibovespa caiu 10,9%. O movimento de baixa ocorre após um período de forte alta impulsionado pelo fluxo de investidores estrangeiros.

Entrada de estrangeiros impulsionou o índice

De 2 de janeiro até 14 de abril, o investidor estrangeiro participou de 70 pregões e encerrou apenas 17% deles com saldo negativo. No mesmo período, houve entrada líquida de R$ 69 bilhões na B3.

Saída de capital estrangeiro pressiona o mercado

A partir de 15 de abril, o cenário se inverteu. Em 23 pregões até 19 de maio, apenas dois registraram saldo positivo para o investidor estrangeiro. Nos 21 pregões com saldo negativo, o resgate acumulado foi de quase R$ 24 bilhões. A saída de capital estrangeiro pressionou o índice, que perdeu parte dos ganhos acumulados.

Petrobras sustenta o índice

As ações da Petrobras caíram cerca de 5% no período, mas ainda assim têm peso decisivo no Ibovespa. Sem a estatal, o índice estaria em 155.204 pontos, abaixo do nível de fechamento do ano anterior. A PRIO, por outro lado, avançou 5% no período, mas não compensa a falta da Petrobras.

Pessoa física aproveita quedas para comprar

Enquanto isso, a pessoa física tem aproveitado as quedas para comprar. Nos últimos 20 pregões até 19 de maio, a pessoa física acumulou saldo positivo de R$ 7,8 bilhões em compras de ações. Esse movimento contrasta com a saída dos estrangeiros e sugere uma aposta na recuperação do mercado.

Dólar e juros pressionam

Desde que o Ibovespa saiu das máximas, o dólar passou de R$ 4,99 para R$ 5,00, uma variação pequena. Já o DXY, índice que mede a força do dólar globalmente, subiu 1,1% no mesmo período. Apesar da queda em reais, o índice brasileiro acumula alta de 20,5% na moeda americana em 2026, o que indica que o desempenho em dólar ainda é positivo.

Juros elevados reduzem apetite por ações

Economistas não esperam que a taxa básica de juros caia abaixo de 13,25% neste ano. Juros elevados tendem a reduzir o apetite por ações, especialmente em um cenário de incerteza fiscal. A combinação de juros altos e saída de estrangeiros explica parte da correção do Ibovespa.

Maiores altas do rali agora acumulam perdas

Na sequência das maiores altas do Ibovespa apareciam B3, Ultrapar, Assaí e Auren Energia, com ganhos de 46,27%, 44,21%, 41,29% e 40,21%, respectivamente. Quem comprou essas ações no auge do rali, no entanto, passou a acumular perdas significativas:

  • B3: perda de 14,68%
  • Ultrapar: perda de 3,72%
  • Assaí: perda de 15,17%
  • Auren Energia: perda de 17,73%

Esses dados mostram que o rali foi concentrado em poucos papéis e que a correção foi generalizada. A exceção foi a Petrobras, que mesmo caindo 5% ainda sustenta o índice. Sem ela, o Ibovespa estaria no vermelho, evidenciando a fragilidade do atual momento do mercado brasileiro.

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