O Brasil está deixando para trás o chamado “inverno das startups” e ingressando em um novo ciclo de investimentos. As empresas que resistiram ao período de escassez emergiram mais robustas, com gestão madura e foco em rentabilidade. A avaliação é de Thiago Maceira, head de tecnologia do Itaú BBA, que descreve um cenário de capital mais seletivo, mas ainda disponível para negócios sólidos.
Novo ciclo de investimentos
O momento atual marca o início de um novo ciclo de investimentos. As empresas amadureceram, aprenderam a gerenciar caixa, buscar rentabilidade e manter o crescimento mesmo com recursos escassos. Segundo Maceira, hoje há muitas empresas maduras, com governança avançada, estrutura de capital sólida e modelos de negócio bem definidos. O ecossistema está mais robusto, e os empreendedores acumulam múltiplas jornadas de aprendizado.
Interesse estrangeiro contínuo
O interesse do investidor estrangeiro permanece constante, sem explosões. Maceira destaca que o Brasil é visto como um mercado amplo, com digitalização em andamento e uma população naturalmente early adopter. Essa característica é impulsionada por ineficiências estruturais que estimulam a inovação, como o Pix.
Verticais com potencial
Maceira aponta três verticais com forte potencial nos próximos 12 a 24 meses:
- Automação de atendimento ao cliente
- Automação de processos, como onboarding e crédito
- Uso de dados para gerar insights
Setores como e-commerce e marketplaces já estão consolidados, dominados por grandes players como Mercado Livre, Magalu e Amazon. O espaço para novas iniciativas de nicho nesses setores é reduzido.
Inverno ficou para trás
Maceira afirma que o “inverno” ficou para trás. Embora os juros altos ainda dificultem a alocação em risco, há capital disponível para bons negócios. O Itaú BBA realizou quatro captações neste ano. A grande maioria das empresas continuou crescendo, tornando-se rentável e gerando caixa. “Passamos por um ciclo quase completo”, diz Maceira.
Hoje, os empreendedores têm empresas muito mais maduras em gestão e entendimento do próprio negócio. Maceira olha para 2015 e brinca: “como eu era otimista com aquele setor? Era quase pré-história. Isso me deixa muito otimista.”
