A renda no Brasil tem apresentado crescimento, mas o custo de vida continua a pressionar o orçamento das famílias. Especialistas ouvidos apontam que a percepção de perda de poder de compra se deve a uma combinação de fatores, que vão desde a diferença entre indicadores de inflação até questões estruturais da economia.
Indicadores de inflação e a percepção real
Heron do Carmo, professor sênior da FEA-USP e ex-coordenador do IPC-Fipe, e Alexandre Maluf, da XP Investimentos, chamam atenção para as diferenças entre os indicadores de inflação. O IPCA, por exemplo, abrange famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos, enquanto o INPC cobre rendas de 1 a 5 salários mínimos e tende a ser mais sensível a itens básicos. Segundo os especialistas, o INPC costuma refletir melhor a inflação percebida pelas camadas de menor renda.
Para Heron do Carmo, o comportamento de consumo explica parte relevante dessa percepção. Ele cita o incômodo de consumidores nos EUA com alimentos e gasolina, e afirma que, quando há muita volatilidade, isso perturba, e não é só no Brasil. Segundo Heron, supermercados, farmácias e padarias atendem públicos diferentes, mas a sensação tende a ser determinada pelos itens mais frequentes no carrinho. ‘Se sobe o preço de alguma coisa, isso constrange o padrão de vida das pessoas’, afirma.
Fatores estruturais explicam o descompasso
Três fatores ajudam a explicar por que a renda no Brasil não tem acompanhado o custo de vida, segundo Rodrigo Simões: baixa qualificação da mão de obra, baixa produtividade e uma economia ainda relativamente fechada. Esses elementos contribuem para que os ganhos de renda sejam insuficientes para compensar a alta dos preços.
Alexandre Maluf concorda que a diferença entre percepção e indicadores não é exclusivamente brasileira e se intensificou após o choque da pandemia. Ele afirma: ‘As pessoas comparam quanto gastavam antes para comprar uma quantidade de produtos e quanto precisam gastar hoje para comprar a mesma quantidade’. Maluf acrescenta que o endividamento das famílias reforça a sensação de perda de poder de compra.
Choques de preços e cautela dos bancos centrais
Galípolo observou que bancos centrais tendem a tratar a alta do petróleo como choque potencialmente transitório. No entanto, ele disse que a cautela terminológica não resolve o essencial: como as pessoas percebem o aumento acumulado de preços. A volatilidade dos preços, especialmente de itens essenciais, contribui para a sensação de que o custo de vida não para de subir.
Maluf cita estudo do Ipea segundo o qual houve desinflação de alimentos entre 2023 e 2025. Apesar disso, a percepção de alta persiste, reforçada pelo endividamento e pela comparação com os gastos anteriores. A fonte não detalhou os números exatos do estudo.
Em suma, a renda no Brasil tem subido, mas o custo de vida ainda aperta. A diferença entre os indicadores de inflação e a percepção real, aliada a fatores estruturais e ao endividamento das famílias, explica por que muitos brasileiros sentem que o poder de compra não acompanha os preços.
Fonte
- www.infomoney.com.br
- BAIXE AQUI DE GRAÇA (lps.infomoney.com.br)
